Barcos regionais a motor, veleiros, vigilengas, rabetas, bajaras, canoas ubás, igarités, catraias, botes fazem parte da memória afetiva, produtiva e econômica parauara, navegando pelo oceano Atlântico, baías, rios que mais parecem mares, lagos, igarapés, furos, estreitos, igapós e campos alagados…

Embora o Quartel Tiradentes esteja localizado no coração do bairro do Reduto, sediando o 2º BPM e duas Companhias da Polícia Militar do Pará, os meliantes parecem desafiar abertamente os policiais. Os assaltos no bairro continuam muito frequentes, principalmente no…

Douglas da Costa Rodrigues Junior, estudante de Letras - Língua Portuguesa da Universidade Federal do Pará e bolsista do Museu Paraense Emílio Goeldi, ganhou a 18ª edição do Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica na área de Ciências Humanas…

O Ministério Público do Trabalho PA-AP abrirá na segunda-feira inscrições para Estágio de Nível Superior. A seleção será destinada ao preenchimento de vagas e formação do quadro de reserva de estagiários dos cursos de Administração/Gestão Pública, Biblioteconomia, Direito, Jornalismo, Publicidade/Propaganda…

De “O Cangaceiro” a “Bacurau”: o Brasil no festival de Cannes

Cena de “Bacurau”: longa que transita entre o realismo, o surrealismo e o filme de gênero

Contrariando a campanha maciça de desmonte da cultura nacional, o cinema brasileiro marca presença no festival de Cannes com lançamento de filmes e participação de júri oficial com o cineasta Kleber Mendonça Filho, realizador de filmes fortes como “Um som ao redor”, “Aquarius” e “Bacurau”. O festival tem encerramento no dia 17 de julho.

Ao longo de sete décadas da maior vitrine de filmes das mais diferentes nacionalidades, o Brasil se destaca em várias categorias, a despeito do desprezo institucional que atualmente avança com alvo na educação e cultura. Assim, vale lembrar que a nossa representatividade tem início com “O cangaceiro” de Lima Barreto, que no ano de 1953 conquistou o mundo com os prêmios de melhor filme de aventura (categoria extinta) e melhor trilha sonora.

A importância do festival realizado na França é proporcionar a visibilidade diversa da produção cinematográfica mundial, com filmes europeus, americanos, africanos, brasileiros, asiáticos e de regiões esquecidas pelos holofotes e glamour da hegemonia do cinema americano no mundo.

Em 1962, a Palma de Ouro (prêmio máximo) consagrou “O pagador de promessas”, de Anselmo Duarte, com base na peça homônima de Dias Gomes. O filme competiu com produções de peso como “O julgamento de Joana D’arc”, do francês Robert Bresson; “Longa jornada noite adentro”, do americano Sidney Lumet; e “O anjo exterminador”, do espanhol Luis Buñuel.

Dois anos depois foi a vez de Nelson Pereira dos Santos vencer o prêmio de melhor filme pela Organização Católica Internacional do Cinema (OCIC) e dos Cinemas de Arte pelo longa “Vidas secas”, adaptação da obra de Graciliano Ramos para o formato estético do Cinema Novo. Em 1984, o cineasta foi laureado por “Memórias do cárcere”, também adaptado da obra de Graciliano Ramos com o prêmio da Federação Internacional de Críticos de Cinema.

A inventividade de Glauber Rocha foi reconhecida em 1967 com a premiação da crítica internacional no festival pela metralhadora giratória em “Terra em transe”, melhor direção em 1969 por “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” e a premiação do júri no curta “Di” no ano de 1977.

Nos anos 80, a categoria curta-metragem é premiada com “Meow”, animação de Marcos Magalhães, um dos fundadores do festival Anima Mundi; e a performance de Fernanda Torres arrebata a categoria de melhor atriz em “Eu sei que vou te amar”, de Arnaldo Jabor.

Em 2004, o desempenho de Rodrigo Santoro conquista a categoria melhor revelação no papel de um travesti em “Carandiru”, de Hector Babenco; e o júri ecumênico de Cannes dá visibilidade para “Diários de motocicleta”, filme de Walter Salles sobre os anos verdes de Che Guevara.

2005 é o ano de “Cinema, aspirinas e urubus”, filme de estrada realizado por Karim Ainouz premiado pelo Sistema Educacional Francês. Há também a premiação da juventude para “Cidade baixa”, de Sergio Machado, com Wagner Moura, Alice Braga e Lázaro Ramos numa trama de atração física e abalo nos alicerces de amizade.

Em 2008, mais uma atriz brasileira tem seu talento reconhecido: Sandra Corveloni no papel de pai e mãe de jovens de periferia e as armadilhas das grandes cidades em “Linha de passe”, de Walter Salles e Daniela Thomas.

Reinventado as regras do formato documentário, o inquieto Erik Rocha (filho de Glauber) dá uma aula de montagem e som em “Cinema Novo”, vencedor do Olho de Ouro, premiação paralela que reconhece o talento de novos cineastas.

Em 2019, com pouca divulgação e visibilidade mínima, levamos o prêmio especial do júri para “Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”, de João Salavia e Renée Nader Messora. No mesmo ano, a mostra Un Certain Regard escolhe “A vida invisível”, de Karin Ainouz. E o prêmio do júri vai para “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos.

Sim, temos uma das produções cinematográficas mais importantes do panorama cinematográfico mundial, que já passou por várias crises, altos e baixos e sempre renasce das cinzas, como o que ocorreu no início dos anos 90 com o desgoverno Collor, o fechamento da Embrafilme e o posterior cinema da retomada. O presente repete o passado em ataques institucionais, cortes de verbas, afastamento e demissão de profissionais qualificados, retirada de cartazes icônicos e a possibilidade medieval de queimar na fogueira décadas de produção cultural (no caso das cinematecas) em pleno ambiente pandêmico.

Acenos de apoio de observadores internacionais podem ser notados com a inclusão de profissionais do audiovisual brasileiro que renovam o corpo de votantes para a edição do Oscar 2022.

Cinema Paraense

O cinema paraense já demarcou seu espaço em Cannes. Em 2001, o curta “As mulheres choradeiras” (de Jorane Castro) foi exibido como parte da Quinzena dos Realizadores. O filme tem como base o conto homônimo do escritor paraense Fábio Castro e conta com a performance das atrizes Nilza Maria, Tacimar Cantuária e Mendara Mariani.

Em 2012 foi a vez de “Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista”, filme de Roger Elarrat selecionado para a mostra paralela Short Film Corner, espaço de encontros, intercâmbios e promoção dos novos filmes. Na mesma mostra, o curta “Epílogo”, da cineasta paraense Simone Bastos, teve estreia mundial em maio de 2014. O curta é uma homenagem ao cinema francês dos anos 1950 e 1960, período de transgressão aos padrões do cinema comercial com os filmes do movimento Nouvelle Vague.

Em 2017, a produção paraense é premiada com “Samba de cacete – alvorada quilombola”, eleito melhor documentário de Curta Metragem durante o Festival Internacional Du Film Pan Africain, que faz parte de Cannes. Realizado por André dos Santos e Artur Arias Dutra, o filme mostra o samba de cacete, ritmo tradicional quilombola na comunidade Igarapé Preto, no Alto Tocantins.

Que os bons ventos possam trazer saúde e cultura para os trópicos, para que no segundo semestre de 2021 o setor audiovisual reaja ao assalto de bens culturais que reduziu de forma drástica os fundos públicos para o cinema no Brasil.

*O artigo acima é de total responsabilidade do autor.

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *