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A violência contra crianças no Brasil atingiu patamares críticos. A cada cinco minutos um(a) pequenino(a) é vítima de violência sexual.

Nos quatro primeiros meses de 2026, o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes, um aumento de quase 50% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e reforçam a importância do 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Criada pela Lei 9.970/2000, a data amplia o debate sobre um dos crimes mais atrozes do país e fortalece ações de prevenção, denúncia e proteção às vítimas.

A legislação brasileira caracteriza o abuso sexual como qualquer ato libidinoso ou contato sexual praticado sem consentimento ou contra pessoas em situação de vulnerabilidade. Já a exploração sexual envolve lucro, troca financeira ou vantagem econômica a partir da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Embora diferentes, abuso e exploração sexual têm consequências profundas e duradouras. Pesquisas apontam que as vítimas desse tipo de crime na infância têm maior risco de transtornos psicológicos, depressão, dificuldades cognitivas e problemas de socialização ao longo da vida.

A violência sexual infantil não é cometida somente por desconhecidos. Dados do MDHC mostram que a maior parte das ocorrências se dá dentro de casa, lugar que deveria representar proteção e segurança. Este ano, 77% das violações ocorreram na residência da vítima, do suspeito ou de familiares. 

A violência não costuma começar de forma abrupta. Na maior parte dos casos, o agressor estabelece uma relação de confiança com a vítima antes de cometer os abusos. Esse processo, conhecido por especialistas como “aliciamento” ou “grooming”, acontece de maneira gradual. O violentador não tem cara. Muitas vezes, é alguém acima de qualquer suspeita.

A convivência frequente com o agressor e a relação de confiança construída dificultam a identificação da violência. Em muitos casos, a própria vítima demora a compreender que está sofrendo abuso.

Muitas vítimas encontram resistência justamente no momento em que tentam pedir ajuda. A criança acaba sendo punida duas vezes: primeiro pela violência sofrida, e depois porque ninguém acredita no que ela está relatando.
A desconfiança prolonga as violências e aumenta o sofrimento das vítimas.

Especialistas e organizações que atuam na proteção da infância apontam problemas estruturais na rede de acolhimento e responsabilização dos agressores. 
Em muitos casos, crianças vítimas de violência continuam convivendo com o agressor mesmo após a denúncia, porque as cidades não têm estruturas adequadas de acolhimento institucional. Muitas vezes, depois de denunciar, a criança precisa voltar para a casa onde está o agressor.

Mesmo quando o afastamento é possível, muitas vítimas acabam sendo encaminhadas para unidades de acolhimento em municípios distantes. Além do rompimento familiar, a mudança brusca de cidade, escola e rotina intensifica os impactos da violência. 

Especialistas alertam que crianças e adolescentes vítimas de violência sexual frequentemente apresentam alterações físicas, emocionais e comportamentais antes mesmo de qualquer relato verbal.
Entre os indícios físicos mais recorrentes estão: infecções urinárias frequentes; dores; sangramentos; inchaços nas regiões íntimas; e dificuldades para caminhar ou sentar.

Já no comportamento, podem surgir isolamento social; medo excessivo;  mudanças bruscas de humor; regressão emocional; queda no rendimento escolar; crises de ansiedade; dificuldades de socialização; e uso de linguagem sexual incompatível com a faixa etária.

As vítimas também podem passar a evitar determinados lugares, pessoas ou atividades sem conseguir explicar claramente o motivo. Em outros casos, manifestam medo intenso ou alterações repentinas na personalidade.

O enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes começa pela escuta e pelo acolhimento das vítimas.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o país registrou o maior número de estupros de sua história, com 87.545 vítimas, das quais 76,8% eram pessoas vulneráveis.

A residência permanece como o local mais perigoso para o público infantojuvenil, concentrando a maioria das agressões, que geralmente são praticadas por familiares ou pessoas próximas.

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