Publicado em: 23 de maio de 2026
Moradores de comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas do Pará começaram a receber novos equipamentos de informática destinados à ampliação do acesso à internet, qualificação profissional e serviços digitais. O Ministério das Comunicações entregou na última segunda-feira (18) um total de 450 computadores que beneficiarão 282 associações comunitárias, entidades assistenciais e organizações sociais distribuídas entre Santarém e outros 19 municípios do estado.
O programa Computadores para Inclusão tem como objetivo ampliar o acesso à tecnologia em regiões marcadas por desigualdades estruturais de conectividade e acesso digital, especialmente em áreas da Amazônia onde serviços públicos digitais, educação remota e oportunidades de capacitação ainda enfrentam limitações de infraestrutura.
Santarém, terceira cidade mais populosa do Pará, concentra parte significativa dos equipamentos distribuídos. A expectativa do Ministério das Comunicações é que os computadores instalados em espaços comunitários passem a ser utilizados em atividades ligadas à formação profissional, produção de currículos, acesso a plataformas públicas, realização de cursos on-line e fortalecimento de pequenos empreendimentos locais.
A secretária-executiva do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino, afirmou que o acesso à tecnologia passou a representar um fator central para inclusão econômica e social. Segundo ela, “quando falamos de inclusão digital, falamos de oportunidades e futuro. Hoje, ter acesso à internet e a um computador significa poder estudar, procurar emprego, acessar serviços públicos, empreender e se qualificar profissionalmente”.
Ela também destacou que a chegada dos equipamentos possui impacto direto em comunidades amazônicas que convivem historicamente com dificuldades de acesso à conectividade e infraestrutura tecnológica. De acordo com Sônia Faustino, “cada computador entregue representa mais inclusão para crianças, jovens, adultos e idosos. Esses equipamentos vão ajudar no aprendizado, na qualificação profissional e na autonomia das pessoas, além de fortalecer o desenvolvimento das comunidades locais”.
Entre as instituições contempladas está o Instituto Tempo de Semear, que atua junto a comunidades indígenas. A coordenadora da organização, Nira Aripuan, afirmou que os equipamentos deverão ampliar as possibilidades de formação e geração de renda entre mulheres atendidas pelo projeto. Segundo ela, “será mais conhecimento para as nossas mulheres. Elas produzem artesanato e agora poderão divulgar seus trabalhos, aprender informática e usar as redes sociais para mostrar nossa cultura e nossos produtos para mais pessoas”.
Além da dimensão social, o programa também está associado à reutilização de equipamentos eletrônicos descartados. Os computadores distribuídos foram recuperados pelo Centro de Recondicionamento de Computadores do Ministério das Comunicações no Pará, instalado no Instituto Gustavo Hessel. O espaço realiza reparos e reaproveitamento de máquinas doadas por órgãos públicos e instituições, evitando descarte inadequado de resíduos eletrônicos.
O centro também oferece cursos gratuitos de informática e tecnologia voltados a pessoas de baixa renda, articulando inclusão digital com formação profissional. A proposta do programa é transformar equipamentos que seriam descartados em ferramentas de aprendizado, qualificação e acesso a direitos básicos mediados por plataformas digitais.
A ampliação do acesso à tecnologia em territórios amazônicos ocorre em um contexto no qual serviços públicos, educação, atividades econômicas e relações de trabalho dependem cada vez mais da conectividade digital. Em muitas comunidades da região Norte, especialmente em áreas ribeirinhas e indígenas, o acesso limitado à internet e a equipamentos de informática ainda constitui um obstáculo para inserção econômica, acesso à informação e continuidade dos estudos.
O programa Computadores para Inclusão integra a política nacional de reaproveitamento tecnológico do Ministério das Comunicações e atua em diferentes estados brasileiros por meio dos Centros de Recondicionamento de Computadores. Após recuperação técnica, os equipamentos são destinados a escolas, associações comunitárias e projetos sociais, conectando inclusão digital, sustentabilidade ambiental e qualificação profissional.
Foto em destaque: Shizuo Alves / MCom










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