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Belém e as águas

Belém do Pará foi fundada e construída em meio à convivência com as águas. Os indígenas Tupinambá fizeram dos rios e igarapés que cortavam o núcleo de Mairi – nome dado pelos povos nativos ao aldeamento estabelecido onde hoje encontra-se Belém – seu meio de subsistência, lazer e mobilidade. Com a chegada dos portugueses e o avanço do núcleo urbano de Santa Maria de Belém do Grão-Pará mata adentro, esta lógica foi invertida: o princípio básico agora era o de que se fazia necessário controlar as águas, contê-las, drená-las e acomodá-las.

Ao longo da sua trajetória, Belém do Pará foi objeto de transformações descuidadas no tocante à conservação de paisagens concernentes à região amazônica. Entre os séculos XVII e XIX, os que chegaram aqui depararam-se com muitas águas, inclusive as que formavam o alagado do Piri (ou Piry) – o espaço da cidade era cortado por dois acidentes hidrográficos, o igapó e o igarapé do Piri, que, embora distintos, formavam um conjunto geográfico – este um dos primeiros “obstáculos” superados pelos portugueses para a expansão do quadro urbano, aterrado no século XVIII. Além das chuvas regulares e os consequentes acúmulos gerados por essas nos diversos terrenos baixos e áreas pantanosas, denominadas igapós, que compunham o relevo deste sítio. Foi neste período que os dirigentes e engenheiros, tal qual o Conde dos Arcos, “declararam guerra” às águas, considerando-as uma barreira à civilização. Daí, a construção da cidade fundamentou-se na convicção de que era imperioso vencê-las, submetendo-as aos planos de expansão da capital do Grão-Pará, nos quais ficaram estabelecidos os diversos traçados de ruas, estradas, travessas e largos.

Impôs-se, então, um modelo de urbanização europeu, estranho a uma urbe ribeirinha e cabocla. À exceção de alguns projetos, como o do engenheiro militar João Geraldo de Gronsfeld, que, em 1773, apresentou um traçado que previa a preservação do Piri, transformando-o em um lago permanente, onde a parte mais antiga da cidade seria protegida por muros. Na maioria dos planos, como o de Antônio Lemos, o mais afamado administrador municipal, sua hidrografia ocasionada pela localização privilegiada como península fluvial e sua natureza amazônica foram consideradas um “erro” a ser retificado. A “Paris N’América” precisava ser dessecada e saneada.

Pelo nosso conjunto hidrográfico, há os que ainda façam o contraponto entre a capital paraense e a cidade de Veneza, guardadas as devidas proporções. Esta que apesar de europeia – como o modelo idealizado para Belém – desafia a natureza para se manter como é, enquanto Belém do Pará prefere ignorar o que poderia ser.

Por um vício de origem, Belém, que nasceu abraçada ao rio, virou as costas às águas no seu crescimento. Ainda que este crescimento tenha sido proporcionado pelo tráfego constante de mercadorias e insumos transportados justamente por estas águas. Vetor pelo qual nos tornamos uma civilização fluvial encrustada na foz do rio Amazonas, em meio a composição crescente de prédios a buscar o céu – ora azul, ora nublado. O astro maior de um sistema de ilhas que nos orbita, as quais, muitas das vezes esquecidas, também formam nosso território (a maioria dele, na verdade: cerca de 65% do território do município). Aqui, o verde vem travando, heroicamente, uma batalha em face ao desordenado crescimento, entre outras adversidades. Ainda que a nossa beleza fluvial seja apreciada pelo belenense – que, quando dentro das suas possibilidades, até paga um alto custo para ter a vista do rio através da sua sala – ela não é vivenciada. E é no período chuvoso, quando surgem os alagamentos, que a natureza nos manda o lembrete de que somos, sim, ribeirinhos e pede a um milhão e meio de amazônidas maior compreensão e melhor entendimento.

Fica o questionamento de como seria a Metrópole da Amazônia se houvesse mantido sua hidrografia natural, fazendo jus ao título: teríamos embarcações trafegando pelo perímetro urbano, integrando o sistema de mobilidade urbana? As chuvas encontrariam permeabilidade no solo, ao invés de ficarem retidas pelo asfalto e concreto? E o mais importante: seria possível nossa reconciliação com a natureza amazônica? Teríamos, então, não apenas as janelas para o rio, mas a nossa porta de entrada.

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