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A maior parte dos rios monitorados na Amazônia encerrou junho com níveis estáveis ou pequenas oscilações, cenário que mantém as principais bacias dentro do comportamento esperado para esta época do ano. O diagnóstico consta no 26º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas de 2026, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), documento utilizado como referência por Defesas Civis e gestores públicos para orientar ações de prevenção, mitigação e resposta a eventos hidrológicos.

As projeções foram elaboradas a partir de informações da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) e de modelos hidrológicos desenvolvidos pelo próprio SGB. O monitoramento reúne dados de estações distribuídas pelas principais bacias amazônicas e apresenta tanto o comportamento atual dos rios quanto previsões para as próximas semanas.

Entre os destaques está o rio Negro em Manaus, que permaneceu em 28,50 metros, praticamente sem alteração ao longo da última semana e ligeiramente acima da média histórica para o período. Também permaneceram estáveis os níveis registrados em Manacapuru, no rio Solimões, e em Beruri, no rio Purus.

O comportamento mais expressivo foi observado na parte alta da bacia do Solimões. Em Tabatinga, o rio acumulou redução de 1,69 metro na semana, refletindo uma vazante mais intensa. Já em Fonte Boa também houve queda, embora menos acentuada, enquanto as estações da parte baixa da bacia registraram estabilidade ou pequenas elevações.

Na bacia do rio Negro, o quadro predominante foi de pequenas oscilações. São Gabriel da Cachoeira apresentou redução semanal de 0,14 metro, enquanto Barcelos registrou queda discreta de 0,02 metro. Em Manaus, o comportamento permaneceu praticamente inalterado, reforçando a estabilidade observada nas últimas medições.

O boletim também aponta diferenças entre outras regiões monitoradas. Na bacia do rio Branco, Boa Vista apresentou elevação acumulada de 0,09 metro após oscilações registradas ao longo da semana, enquanto Caracaraí teve redução de 0,22 metro. Apesar dessas variações, os indicadores seguem abaixo das medianas históricas da bacia.

Na bacia dos rios Purus e Acre, Beruri permaneceu praticamente estável, com nível de 20,43 metros. Já em Rio Branco, o rio Acre continuou em processo de vazante, acumulando redução de 0,15 metro na semana e alcançando a cota de 2,62 metros.

O rio Madeira apresentou um comportamento distinto do restante da região. Após um período de descida, houve recuperação dos níveis. Em Humaitá, a elevação semanal foi de 0,16 metro, enquanto Porto Velho registrou aumento de 0,27 metro, atingindo 9,23 metros, patamar considerado compatível com a mediana histórica para esta época do ano.

Na calha do rio Amazonas, o cenário permaneceu predominantemente estável. Itacoatiara registrou pequena redução de 0,02 metro, alcançando 13,74 metros, enquanto Parintins recuou 0,12 metro e chegou a 8,05 metros. Em Óbidos e Santarém, as reduções acumuladas na semana foram de 0,10 metro e 0,14 metro, respectivamente, mantendo níveis próximos do esperado para o período.

Os dados diários consolidados pelo SGB mostram, entre outras estações monitoradas, Tabatinga com 7,49 metros; Itapéua (Coari), 16,05 metros; Manacapuru, 19,13 metros; São Gabriel da Cachoeira, 11,28 metros; Barcelos, 9,38 metros; Porto Velho, 9,23 metros; Rio Branco, 2,62 metros; Beruri, 20,43 metros; Itacoatiara, 13,74 metros; Parintins, 8,05 metros; Óbidos, 7,32 metros; Almeirim, 4,91 metros; e Santarém, 6,85 metros.

O boletim também analisa o comportamento das chuvas entre 31 de maio e 29 de junho, período que marca a transição entre as estações chuvosa e seca na Amazônia Ocidental. As informações são baseadas no produto MERGE/GPM, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Nesse intervalo, foram identificadas áreas com precipitação abaixo da climatologia nas bacias dos rios Tefé, Napo, Javari, Jutaí, Içá, Branco e no curso principal do Solimões. A bacia do rio Tefé apresentou a condição mais crítica, com anomalia de -1,6, classificada como tendência a muito seco.

Outras áreas permaneceram dentro da normalidade climática. Esse comportamento foi observado nas bacias dos rios Beni, Coari, Japurá, Ji-Paraná, Juruá, Mamoré e Negro. No rio Japurá, por exemplo, o índice de referência ficou em 0,2, caracterizando precipitação próxima da média histórica.

Também foram registrados volumes de chuva acima do esperado nas bacias dos rios Madeira, Guaporé, Purus, Ucayali, Aripuanã e Marañon, cenário classificado como tendência a chuvoso.

Para os próximos dias, os modelos meteorológicos indicam mudanças no padrão de precipitação. Entre 30 de junho e 6 de julho, a previsão aponta predominância de chuvas acima da média na porção norte e noroeste da área monitorada, abrangendo regiões do baixo Branco, Coari, Içá, Japurá, Javari, médio e baixo Juruá, Jutaí, Marañon, Napo, Negro, calha do Solimões e Tefé. O boletim não identifica, nesse intervalo, indicativos de déficits severos de precipitação.

Já entre 7 e 13 de julho, a tendência se inverte. As projeções indicam redução das chuvas sobre o alto Beni, alto Guaporé, alto Içá, alto Japurá, alto Javari, alto Juruá, Mamoré, Marañon, Napo, Ucayali e o alto curso do rio Amazonas.

O SGB ressalta que os níveis d’água podem sofrer revisões em função das calibrações das réguas fluviométricas e das manutenções periódicas executadas pelas equipes técnicas em campo. O órgão também informa que mantém articulação permanente com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e com as Defesas Civis estaduais e municipais. Dados em tempo real e mapas de risco permanecem disponíveis por meio do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE) e podem ser conferidos aqui.

Imagem em destaque: SGB

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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