Publicado em: 19 de maio de 2026
Entre os dias 18 e 24 de maio, quase 200 atividades de observação da natureza serão realizadas em todo o Brasil durante a primeira edição da Semana Nacional da Biodiversidade, mobilização voltada à ciência cidadã, educação ambiental e monitoramento participativo da biodiversidade. A iniciativa alcança os 26 estados e o Distrito Federal e reunirá escolas, universidades, pesquisadores, unidades de conservação, organizações sociais, coletivos e cidadãos em ações que vão de trilhas ecológicas e observação de fauna à produção colaborativa de registros científicos sobre espécies brasileiras.
A proposta é coordenada pela ampBio — Aliança Pelo Monitoramento Participativo da Biodiversidade Brasileira, formada pela Rede Brasileira de Naturalistas (RBN), pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), pelo Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD) e pelo Instituto Conservação Brasil. A ideia central é estimular a população a observar e registrar organismos vivos em diferentes territórios, ampliando o conhecimento coletivo sobre a biodiversidade brasileira por meio de ferramentas de ciência cidadã.
A organização da Semana Nacional da Biodiversidade afirma que o crescimento da mobilização evidenciou uma demanda social reprimida por experiências de reconexão com o ambiente natural em um contexto marcado pela urbanização acelerada e pela intensificação do uso de telas. Segundo Nondas Okiama, do Instituto Conservação Brasil, a proposta nasceu como um convite para que as pessoas voltassem a olhar para a natureza presente em seu cotidiano. Para ele, a adesão registrada em todo o país demonstrou a existência de uma vontade coletiva de pertencimento, participação e reconexão.
Além da dimensão ambiental, os organizadores associam a iniciativa a questões relacionadas à saúde, convivência e bem-estar. A programação parte do entendimento de que observar aves, árvores, insetos, fungos, plantas, répteis e mamíferos também pode funcionar como prática educativa e de saúde mental. O material divulgado pela organização cita recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria para redução do tempo de exposição de crianças e adolescentes às telas e incentivo ao contato com ambientes naturais, além de estudos científicos que associam a permanência em espaços verdes e azuis à melhora de indicadores de saúde, redução do estresse e fortalecimento das relações sociais.
A Semana Nacional da Biodiversidade também utilizará o iNaturalist, plataforma internacional de ciência cidadã que permite registrar fotografias e gravações de organismos vivos, compartilhar observações e contribuir para bases de dados científicas utilizadas por pesquisadores de diferentes países. Segundo os organizadores, cada imagem enviada passa a integrar registros científicos globais e pode ser compartilhada com o Global Biodiversity Information Facility (GBIF), banco internacional de dados sobre biodiversidade.
Os estados com maior número de atividades cadastradas até o momento são São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Pará, que aparece com oito eventos confirmados. A diversidade das atividades cadastradas evidencia diferentes formas de relação com a natureza e distintos contextos sociais e culturais envolvidos na mobilização.
Na Amazônia, o Parque Estadual do Utinga, em Belém, receberá a atividade “Ciência no Parque: Conectando Pessoas”, organizada pelo PPBio Amazônia Oriental e pelo PELD AmOr. A programação incluirá exposição de materiais biológicos, interação com pesquisadores e saídas guiadas para observação da biodiversidade amazônica terrestre e aquática.
A Semana Nacional da Biodiversidade também alcançará territórios indígenas e quilombolas. Em Rondônia, o Centro Cultural Indígena Paiter Wagôh Pakob, localizado na Terra Indígena Sete de Setembro, realizará palestras educativas, trilhas ecológicas e monitoramento participativo associado ao conhecimento ecológico tradicional. Em Ubatuba, no litoral paulista, a Liga das Mulheres pelo Oceano promoverá uma atividade voltada a mulheres negras em um quilombo da região, unindo trilha em manguezal e roda de conversa com griôs. Já no interior paulista, a Organização Horto Florestal de Bento Quirino realizará uma atividade noturna de observação de corujas, associando educação ambiental, fotografia e sensibilização sobre a fauna silvestre.
O coorganizador Fabio Roque, do PPBio/PELD, afirmou que o movimento demonstra a capacidade de colaboração coletiva em torno de um objetivo compartilhado e destacou que a conexão com a biodiversidade também fortalece vínculos sociais entre as pessoas.
A Semana Nacional da Biodiversidade surgiu a partir de articulações iniciadas em setembro de 2025 e rapidamente alcançou escala nacional. Para Enrico Tosto, da Rede Brasileira de Naturalistas, o crescimento da iniciativa mostrou a força da mobilização coletiva em torno da defesa ambiental. Já Celina Yoshihara, do Instituto Conservação Brasil, afirmou que o movimento surpreendeu pela dimensão alcançada e destacou o compromisso da organização em corresponder ao envolvimento demonstrado pelos participantes em todo o país.
Confira a programação completa de atividades:










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