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A segunda-feira (29) entrou para a história da Copa do Mundo de 2026 como o dia em que dois tradicionais pesos pesados do futebol europeu se despediram precocemente do torneio. A tetracampeã Alemanha, dona de oito participações em finais mundiais, e a Holanda, três vezes vice-campeã, sucumbiram diante de Paraguai e Marrocos, respectivamente, em confrontos marcados pelo equilíbrio, pela tensão e pelo drama das disputas nos tiros livres diretos da marca do pênalti.

No Gillette Stadium, em Foxborough/Boston, a Alemanha viveu mais um capítulo traumático em sua história recente em Copas. Após o título de 2014, no Brasil, os alemães vêm tendo péssimos desempenhos em Copas, sendo eliminado na fase de grupos nos dois mundiais seguintes. No jogo desta segunda, os alemães empataram por 1 a 1 com o Paraguai no tempo regulamentar, gols de Havertz e Enciso, e também passaram em branco durante a prorrogação, levando a decisão para as penalidades máximas. Os sul-americanos mostraram frieza e venceram a disputa, selando uma das maiores zebras da competição até aqui.

A eliminação teve um peso simbólico ainda maior porque representou a primeira derrota da Alemanha em uma disputa de pênaltis em Copas do Mundo. A seleção europeia, historicamente associada à eficiência e ao controle emocional nos momentos decisivos, viu ruir uma de suas marcas mais emblemáticas diante de um Paraguai competitivo, disciplinado e resiliente. A estratégia defensiva da equipe sul-americana deu certo, novamente. Houve um sentimento de “vingança” pela eliminação nas oitavas-de-final de 2002, com o gol alemão marcado por Neuville. 

Horas depois, outro gigante europeu se despediu da competição. No estádio BBVA, em Monterrey, a Holanda e o Marrocos protagonizaram um confronto equilibrado e intenso, decidido apenas após 120 minutos de futebol. A seleção holandesa abriu o placar aos 32 minutos do segundo tempo, com Cody Gakpo, mas os marroquinos reagiram nos instantes finais da partida e arrancaram o empate com Issa Diop. O duelo permaneceu em 1 a 1 durante a prorrogação, levando a definição da vaga para a disputa por pênaltis. 

Nas cobranças, os marroquinos mostraram maior precisão e venceram por 3 a 2, eliminando a seleção que já havia disputado as finais de 1974, 1978 e 2010. O goleiro Bono teve participação decisiva ao defender uma das cobranças holandesas, enquanto Ismael Saibari converteu o pênalti que confirmou a classificação dos árabes para a próxima fase da Copa.

As eliminações de Alemanha e Holanda reforçam o caráter imprevisível desta Copa do Mundo e sugerem uma gradual reconfiguração do equilíbrio de forças no futebol internacional. Enquanto potências europeias tradicionais se despedem do torneio antes do esperado, seleções que até recentemente ocupavam posições secundárias no cenário mundial consolidam trajetórias cada vez mais competitivas e consistentes. Paraguai e Marrocos simbolizam esse movimento, transformando a competição em um espaço mais aberto a novos protagonistas e narrativas menos previsíveis.

No caso marroquino, os resultados já não podem mais ser tratados como surpresa isolada. Quarta colocada na Copa do Mundo anterior – e atual campeã mundial sub-20 –, a seleção africana demonstra continuidade, maturidade tática e capacidade de competir em alto nível diante das principais escolas do futebol mundial. Após a histórica campanha de 2022, a equipe liderada pelo goleiro Bono dá novos sinais de que vieram para permanecer entre as principais forças do cenário internacional.

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Imagem destaque: em ilustração digital inspirada em foto do jogo Marrocos x Países Baixos.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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