Publicado em: 25 de junho de 2026
A vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Escócia, nesta quarta-feira (24), em Miami, representou muito mais do que a confirmação da liderança do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Depois das dúvidas levantadas pelo empate na estreia diante do Marrocos e das oscilações naturais de uma equipe em reconstrução, a seleção comandada por Carlo Ancelotti apresentou, enfim, sua atuação mais consistente no torneio. Com dois gols de Vinicius Júnior e outro de Matheus Cunha, o Brasil encerrou a primeira fase transmitindo a sensação de que começa a encontrar seu melhor futebol.
O principal símbolo dessa evolução atende pelo nome de Vinicius Júnior. O camisa 7 marcou gols dominou o jogo pelos lados do campo, desequilibrando no um contra um, atacando espaços e participando intensamente da pressão sem bola. Os três primeiros jogos da Copa de 2026 parecem consolidar a transição definitiva do protagonismo para o atacante do Real Madrid. Não por acaso, veículos internacionais chegaram a classificar o melhor do mundo em 2024 como “extraterrestre” após a atuação diante dos escoceses. Vinicius já tem quatro gols nesta edição da Copa, na briga pela artilharia.
A partida também evidenciou algumas das marcas que o comandante tenta imprimir à equipe. O Brasil pressionou alto, recuperou bolas no campo ofensivo e acelerou rapidamente as transições, características historicamente associadas ao futebol moderno e que estiveram ausentes em diversos momentos do último ciclo, com Tite no comando. Os dois primeiros gols nasceram justamente da capacidade brasileira de sufocar a saída adversária, aspecto que vem se tornando uma assinatura do trabalho do treinador italiano nesta Copa. Ainda houve um gol mal anulado do Brasil, sob os mesmos moldes.
Matheus Cunha, por sua vez, voltou a justificar a confiança recebida da comissão técnica. O atacante ofereceu mobilidade, intensidade e capacidade de associação, qualidades que dialogam diretamente com o modelo de jogo pretendido por Ancelotti. Seu gol, fechando o placar, teve valor simbólico, pois o Brasil começa a construir alternativas ofensivas mais variadas e menos previsíveis.

Nem tudo, contudo, está resolvido. O próprio treinador reconheceu após a classificação que a equipe ainda precisa evoluir no controle dos jogos e na gestão dos momentos defensivos, especialmente diante de adversários mais qualificados tecnicamente. A liderança do grupo garante tranquilidade logística e psicológica para o mata-mata, mas não elimina desafios estruturais que apareceram contra o Marrocos e que certamente serão testados novamente nas fases decisivas do torneio.
No outro confronto do Grupo C, disputado em Atlanta, o Marrocos derrotou o Haiti por 4 a 2, assegurando a segunda colocação da chave e a consequente classificação para a fase eliminatória. O cenário mais provável aponta para um duelo dos marroquinos contra a Holanda na próxima etapa do torneio. Já o Brasil, líder do grupo, enfrentará um adversário oriundo do Grupo F na fase dos 32 avos de final. Japão e Suécia aparecem como os candidatos mais prováveis ao confronto com a seleção brasileira, embora a definição dependa dos resultados da rodada derradeira da chave.
A Escócia, que encerrou sua participação na fase de grupos com três pontos, permanece na expectativa por uma vaga entre os oito melhores terceiros colocados. O Haiti, por sua vez, despede-se do Mundial sem avançar de fase, mas deixa a competição com a sensação de missão cumprida após uma campanha digna e superior às expectativas iniciais.
Assim, pela primeira vez na competição, o Brasil venceu, convenceu e deixou a impressão de que ainda possui margem para crescer. Se Vinicius Júnior parece disposto a assumir definitivamente o papel de líder técnico da geração, e se Ancelotti conseguir transformar talento individual em organização coletiva, a seleção brasileira pode estar iniciando exatamente agora a parte mais perigosa, e mais fascinante, de sua trajetória no Mundial.
Foto em destaque: CHANDAN KHANNA / AFP / Via O Globo
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









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