0
 

Santarém receberá entre os dias 19 e 25 de maio uma nova edição do programa cirúrgico gratuito da Operação Sorriso, voltado ao atendimento de pessoas com fissura labiopalatina. A iniciativa começa com uma triagem aberta ao público no dia 19, a partir das 8h, na EMEIF Fluminense (localizado na Rua Presidente Vargas, 1817), e pode garantir acesso a cirurgias ao longo da semana para pacientes selecionados. Informações detalhadas podem ser obtidas no site oficial da Operação Sorriso.

A ação mobiliza mais de 60 profissionais voluntários de nove especialidades, responsáveis por avaliações que envolvem áreas médica, odontológica, fonoaudiológica, genética e psicossocial. O objetivo é oferecer um acompanhamento completo desde o diagnóstico até a intervenção cirúrgica, ampliando o acesso a um tratamento que, em muitos casos, não está disponível de forma contínua na região.

A fissura labiopalatina é uma condição congênita que ocorre quando o lábio superior e/ou o céu da boca não se formam corretamente durante a gestação. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, um a cada 650 nascimentos no Brasil apresenta esse tipo de alteração, que pode comprometer funções essenciais como alimentação, fala e audição, além de provocar impactos emocionais e sociais ao longo da vida.

Em bebês, a condição pode dificultar a sucção e a ingestão de alimentos, levando à perda de peso e prejuízos ao desenvolvimento. Quando há comprometimento do palato, são frequentes episódios de engasgo e problemas respiratórios. Ao longo da infância e da adolescência, as limitações na fala e as questões estéticas costumam expor os pacientes a situações de bullying e isolamento, enquanto infecções recorrentes no ouvido podem evoluir para perda auditiva sem tratamento adequado.

A diretora executiva da Operação Sorriso, Adriana Tschernev, afirma que a presença do programa na região Norte busca reduzir essas lacunas no atendimento especializado. “A Operação Sorriso atua em Santarém, onde conseguimos não apenas realizar cirurgias, mas também iniciar e dar continuidade ao tratamento de pacientes com fissura labiopalatina, em parceria com a Casa da Criança, que acolhe as famílias e oferece todo o suporte necessário durante o processo. Isso significa melhorar diretamente a qualidade de vida dessas pessoas – impactando fala, alimentação e autoestima – além de fortalecer a rede local de saúde, promovendo um cuidado mais acessível e contínuo para a população”, diz.

Ela ressalta ainda que o tratamento exige acompanhamento prolongado, o que dificulta o acesso para famílias em áreas mais afastadas. “Muitas famílias percorrem longas distâncias ou não têm acesso facilitado a centros especializados. Além disso, o tratamento da fissura não é pontual, ele exige acompanhamento ao longo de anos, o que pode ser difícil sem uma rede de cuidado estruturada”, completa.

A presença da organização em Santarém não é recente. Desde 2007, foram realizados 18 programas cirúrgicos na cidade, com atendimento a 2.340 famílias, mais de 20 mil consultas gratuitas e mais de mil pacientes operados. Considerando toda a região Norte, o alcance chega a 33 programas, com 3.649 famílias atendidas e 1.766 cirurgias realizadas. Em âmbito nacional, a instituição acumula atuação desde 1997, com 94 missões em 17 cidades de 13 estados, mais de 118 mil consultas e mais de 8 mil procedimentos cirúrgicos.

A triagem é aberta a crianças, jovens e adultos nascidos com fissura labiopalatina. Para participar, é necessário realizar inscrição prévia pela internet (clique aqui) e apresentar, no dia da avaliação, documentos pessoais, comprovante de residência, cartão do SUS e exames atualizados, como hemograma completo, TAP, TTAP e tipagem sanguínea. As cirurgias serão realizadas ao longo da mesma semana, para aqueles que forem selecionados após avaliação multidisciplinar.

Com atuação sustentada por voluntariado e parcerias locais, a Operação Sorriso mantém atualmente programas contínuos em cidades como Natal, Porto Velho e Santarém, em uma rede de assistência médica, acolhimento e acompanhamento prolongado diante de uma condição que exige cuidado ao longo de toda a vida.

Fotos: Hudson Jr.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Exercício físico na rotina da mulher e da mãe

Anterior

Você pode gostar

Mais de Notícias

Comentários