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Estudantes e professores do Instituto Federal do Pará apresentaram interessantes projetos durante o Congresso de Extensão da instituição, na semana passada, em Belém. O evento foi coordenado pela reitora Ana Paula Palheta e a pró-reitora de Extensão do IFPA, Keila Mourão.

O programa Mulheres Mil mostrou os resultados do curso FIC de Artesãs de Biojoias realizado pelo IFPA em Santo Antônio do Tauá, voltado à inclusão social e econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade. A formação integrou conhecimentos técnicos, empreendedorismo e empoderamento feminino, capacitando as participantes na produção de biojoias com sementes amazônicas, além de noções de gestão e comercialização. Foram criadas coleções autorais sustentáveis que valorizam a sociobiodiversidade regional, fortalecem a autonomia financeira e demonstram o potencial da educação profissional como instrumento de transformação social.

O Apiário Didático do IFPA em Conceição do Araguaia foi pensado para fortalecer o ensino e a prática da apicultura, promovendo a produção sustentável de mel e a transferência de tecnologias para a comunidade. O projeto alia formação técnica à produção real, seguindo boas práticas de manejo e processamento do mel, desde a coleta até o envase. Além de contribuir para a qualificação de estudantes e produtores, destaca o potencial da apicultura na região Norte como atividade econômica sustentável e fonte de alimentos nutritivos.

Já o Armadilha Adesiva com Breu Branco desenvolveu uma armadilha ecológica para monitoramento de insetos-praga em hortaliças, utilizando breu branco como adesivo natural. Produzida por estudantes de Agronomia do IFPA/Santarém, a tecnologia alia baixo custo, sustentabilidade e eficiência na captura de pragas como pulgões e cochonilhas. A iniciativa demonstra uma alternativa viável ao uso de inseticidas químicos, valorizando recursos da biodiversidade amazônica e fortalecendo práticas agrícolas mais sustentáveis.

Por sua vez, a Caderneta do Acompanhante é uma tecnologia social educativa voltada à qualificação do cuidado hospitalar, oferecendo orientações acessíveis sobre direitos, biossegurança e rotinas assistenciais. Desenvolvida para fortalecer a comunicação entre pacientes, acompanhantes e equipes de saúde, a ferramenta promove autonomia, segurança e humanização no atendimento. De baixo custo e fácil replicação, contribui para a melhoria da experiência hospitalar e para o fortalecimento da cidadania em saúde.

O projeto Canteiros Econômicos propõe como solução para o cultivo de hortaliças em áreas com escassez hídrica técnicas de retenção e distribuição eficiente da água no solo. Desenvolvido por estudantes do IFPA/Santarém, o sistema reduz o consumo de água, aumenta a produtividade e diminui o esforço de irrigação. A tecnologia social é acessível, sustentável e replicável, alternativa viável para agricultores familiares diante das mudanças climáticas.

O Comunidade Escola integra ensino, pesquisa e extensão para desenvolver tecnologias sociais em saneamento em territórios amazônicos. Por meio da colaboração entre IFPA, comunidades e parceiros, são criadas soluções como fossas biodigestoras e sistemas de tratamento de esgoto, aliadas a ações de educação ambiental. A iniciativa promove formação prática dos estudantes e protagonismo comunitário, contribuindo para melhorias nas condições de vida e sustentabilidade local.

Voltado a crianças ribeirinhas, o projeto Desenho da Natureza – Ateliê Infantil Ribeirinho utiliza oficinas artísticas para estimular criatividade, pertencimento e consciência ambiental. Com atividades de desenho, pintura e colagem, além de intervenções em fotografias das próprias casas, as crianças expressam suas vivências e identidades. A culminância ocorre em exposições que valorizam suas produções, fortalecendo vínculos culturais e promovendo desenvolvimento cognitivo e social.

O “Desenvolve Aí!” é uma plataforma digital gamificada que promove educação empreendedora para jovens da rede pública. Por meio de desafios e trilhas de aprendizagem, os participantes desenvolvem ideias de negócios e simulam experiências empreendedoras. A iniciativa utiliza tecnologias acessíveis, incentivando protagonismo juvenil, inovação e geração de soluções com impacto social e econômico.

O projeto Diálogos Interculturais resultou em uma exposição que integra arte, ciência e espiritualidade afro-brasileira e indígena, promovendo educação para as relações étnico-raciais. Por meio de luminárias, mosaicos de orixás e elementos naturais reutilizados, a iniciativa valoriza saberes ancestrais e propõe experiências sensoriais e educativas, fortalecendo o diálogo intercultural e a valorização da diversidade cultural na Amazônia.

O Didática Tátil desenvolve modelos tridimensionais ampliados de invertebrados microscópicos para o ensino inclusivo de Zoologia a pessoas com deficiência visual. Com materiais acessíveis e recursos como braile e audiodescrição, os modelos permitem a exploração tátil de estruturas biológicas. A iniciativa amplia o acesso ao conhecimento científico e práticas pedagógicas mais inclusivas.

E o Doce Quintal promove a capacitação de mulheres em um acampamento rural para produção de doces e derivados de frutas locais, incentivando segurança alimentar e geração de renda. Além da formação técnica, estimula a organização coletiva e a criação de uma identidade de marca para comercialização. A iniciativa valoriza saberes locais e fortalece a autonomia das participantes.

A Ecobag Esperançar é uma sacola sustentável produzida a partir da reutilização de embalagens de ração animal. Desenvolvida em oficinas com pacientes oncológicos, alia educação ambiental, geração de renda e valorização pessoal. O produto tem baixo custo, fácil replicação e contribui para a redução de resíduos plásticos, promovendo economia circular.

O EcoLuz Trap é uma armadilha de baixo custo para captura de mosquitos vetores de doenças, construída com materiais reciclados. Utilizando luz e sucção, o dispositivo reduz a necessidade de inseticidas e apresenta eficiência comparável a modelos comerciais. A iniciativa integra inovação, saúde pública e sustentabilidade, com potencial de aplicação em áreas vulneráveis.

Outro projeto desenvolveu um aplicativo educacional bilíngue para registro e ensino da língua Asurini do Trocará. Com funcionamento offline e interface acessível, a ferramenta contribui para a preservação cultural e linguística indígena e pode ser adaptada para outras línguas originárias.

O Fross4g na Cop 30 resultou na criação de uma cartilha didática e um atlas de mapas temáticos produzidos por estudantes com uso de software livre. A iniciativa incentiva a formação em geotecnologias, análise crítica sobre o território amazônico e mudanças climáticas e, ainda, evidencia o potencial educacional das ferramentas digitais acessíveis.

O projeto Histórias e Memórias de Vista Alegre do Rio Moju registrou e sistematizou narrativas e saberes da comunidade rural, valorizando sua história e identidade cultural. Com participação ativa dos moradores, resultou em material educativo que pode ser utilizado em escolas e ações extensionistas. A iniciativa fortalece o vínculo entre comunidade e instituição e preserva a memória coletiva.

A Horta Vertical Compacta é uma tecnologia social desenvolvida com materiais reutilizados, como garrafas PET, voltada à segurança alimentar em comunidades ribeirinhas. De baixo custo e fácil replicação, o projeto promove sustentabilidade, reaproveitamento de resíduos e autonomia alimentar.

O projeto Inov’ação e Sociobioeconomia capacita mulheres agroextrativistas na produção de biojoias a partir de sementes amazônicas, oferecendo materiais didáticos sobre tratamento, confecção e precificação. A iniciativa valoriza a sociobiodiversidade, gera renda e fortalece o empreendedorismo feminino.

O Papel Semente desenvolve embalagens biodegradáveis feitas de papel reciclado com sementes incorporadas, que podem ser plantadas após o uso. Assim, estimula educação ambiental, reaproveitamento de resíduos e valorização de espécies regionais.

O jogo de tabuleiro Rota do Quilombo integra conteúdos matemáticos a saberes quilombolas, impulsionando a educação antirracista e contextualizada. Com desafios e cartas culturais, incrementa aprendizagem, valorização da história e trabalho coletivo, tornando o ensino mais significativo.

Inspirado em jogo africano tradicional, o protótipo Shishima Matemático combina raciocínio matemático com elementos culturais do Quênia. Os jogadores resolvem problemas para avançar no tabuleiro, favorecendo aprendizagem lúdica e valorização da cultura africana.

O MindFinance é um aplicativo gamificado de educação financeira para jovens, que ensina planejamento, consumo consciente e organização do orçamento. Utiliza tecnologia acessível e metodologias interativas, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes financeiramente.

O Modulagro é um sistema modular de automação rural desenvolvido pelo IF Maker Cametá para atender demandas de informatização de produtores locais. A tecnologia reúne dois protótipos — um voltado ao monitoramento e controle de irrigação e outro à oxigenação de tanques de pescado — além de um aplicativo que permite acompanhar os dados em tempo real. Com sensores ambientais, armazenamento de informações e funcionamento por bateria, o sistema oferece solução acessível e eficiente para aumentar a produtividade agrícola e aquícola.

O projeto Pane no Cistema criou uma história em quadrinhos que aborda vivências de estudantes trans no ambiente escolar, alavancando a reflexão sobre gênero e diversidade. Desenvolvida a partir de entrevistas e adaptada em linguagem visual, a HQ estimula o diálogo inclusivo e combate preconceitos. Ademais, fortalece a formação cidadã e amplia o debate sobre diversidade.

Outra iniciativa apresenta um protótipo de baixo custo baseado em Arduino (plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre e código aberto),  que utiliza ondas ultrassônicas para controlar o crescimento de macrófitas aquáticas e monitorar a qualidade da água. É alternativa sustentável aos métodos tradicionais, reduz impactos ambientais e custos. Com potencial de replicação, o dispositivo contribui para a gestão de recursos hídricos na Amazônia.

O PSVE transforma óleo de cozinha usado em sabão ecológico e velas aromáticas, fomentando o reaproveitamento de resíduos e educação ambiental. Desenvolvido no IFPA/Castanhal, o projeto alia química aplicada, sustentabilidade e economia circular, e realiza oficinas que disseminam o conhecimento. Tem baixo custo, alto impacto ambiental e potencial de replicação.

O R3D0X é um jogo educativo inspirado no UNO, desenvolvido para facilitar o aprendizado de reações de oxirredução no ensino médio. Com cartas que envolvem cálculos de NOX e substâncias químicas, o jogo envolve aprendizagem lúdica e interativa. É acessível, com elementos visuais adaptados a pessoas com daltonismo.

Outro projeto recria jogos tradicionais africanos utilizando impressão 3D, tornando-os recursos pedagógicos acessíveis e interativos. Com jogos como Senet e Morabaraba, a iniciativa valoriza a cultura africana, estimula o raciocínio lógico e aprendizagem lúdica. Os protótipos são resistentes, reutilizáveis e facilmente replicáveis em ambientes educacionais.

O Ribeirizar: jirau “de dentro” apresenta uma maquete técnica que integra o tradicional jirau ribeirinho ao interior da casa, aliando cultura local a melhorias sanitárias. Incorpora também um sistema de captação de água da chuva, facilitando acesso à água e melhores condições de higiene. A solução demonstra viabilidade técnica e potencial de aplicação em comunidades amazônicas.

A coleção Saberes da Floresta Marajoara reúne produtos artesanais desenvolvidos por mulheres ribeirinhas e quilombolas, combinando sustentabilidade, cultura e geração de renda. Com peças de cestaria e bolsas com bordado marajoara, valoriza saberes tradicionais e possibilita autonomia econômica. A iniciativa destaca a identidade cultural amazônica e o uso consciente de recursos naturais.

O projeto Sementes que Geram Renda capacita comunidades na produção de biojoias a partir de sementes amazônicas, oportunizando sustentabilidade, geração de renda e valorização cultural. Por meio de oficinas práticas, os participantes aprendem técnicas de beneficiamento e montagem das peças. A iniciativa fortalece a bioeconomia regional e o uso responsável da sociobiodiversidade.

Educação feminista para transformação social

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