0
 



O Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria divulgou nota manifestando sua preocupação com a guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, cujos impactos afetam diversas cadeias produtivas, como a do petróleo e seus derivados, gás natural e de transporte.

No caso do gás natural consumido pela indústria, uma parte expressiva dos contratos é indexada pelo Brent e o gás para as termoelétricas pelo JKM (índice asiático do gás). Esses contratos geralmente são trimestrais, calculados pela média dos últimos 90 dias, e os indicadores vêm subindo. O barril de petróleo Brent já atingiu 100 dólares e o JKM aumentou aproximadamente 50%. A variação normalmente é repassada para os contratos de compra de gás a cada três meses, observando-se a média do período. Caso a guerra se prolongue, a variação desses índices será repassada aos contratos, acarretando sérios problemas para a economia brasileira.

Impacto nos preços de fertilizantes que usam o gás natural como matéria prima; aumento de preços para as indústrias que utilizam o gás natural em seus processos, como a indústria química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e de vidros; e pressão sobre os custos da produção de energia pelas termoelétricas a gás natural são esperados. No Brasil há 178 usinas desse tipo em operação, equivalendo a uma potência instalada de 19.038 MW (60% da geração térmica e 9% da geração total).

A CNI também está alerta para a possibilidade de impactos em contratos ainda não firmados no setor elétrico. Com as turbulências no mercado de GNL (gás natural liquefeito), aumentam a percepção de risco para projetos de usinas termelétricas que farão uso do combustível e pretendem se viabilizar no leilão LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência), marcado para a próxima semana.

O preço do gás natural no mercado brasileiro é um dos mais elevados do mundo, representando um obstáculo para a competitividade da indústria. Com as restrições causadas pelo conflito, a tendência é de um severo agravamento nos custos para toda a cadeia produtiva.

Diversos contratos trimestrais de gás natural poderão ter reajuste a partir de 1º de maio de 2026. Se a guerra não terminar antes disso, haverá pressão de custos e sérios problemas econômicos para as indústrias, em razão da dependência de gás e energia.

“É hora de discutirmos medidas para minimizar a eventual alta desses insumos, a fim de proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria”, diz a CNI.

Saint Patrick’s Day em Belém e a história da James Anderson 101

Previous article

Oscar 2026 perdeu discurso de Wagner Moura em uma cerimônia repleta de protestos políticos

Next article

You may also like

More in Notícias

Comments