Publicado em: 9 de março de 2026
O Paysandu conquistou, neste domingo (8), mais um título do Campeonato Paraense ao superar o Remo, seu maior rival, na decisão disputada em um lotado Estádio Olímpico do Pará. O jogo de volta terminou empatado em 0 a 0, resultado suficiente para garantir a taça ao Papão. No placar agregado, vitória bicolor por 2 a 1, construída com o triunfo no primeiro duelo da final, disputado no dia 1º de março. Em um clássico sempre carregado de tensão, o empate sem gols teve sabor de conquista para um Paysandu que soube administrar a vantagem e jogar com inteligência.
M
esmo com um elenco curto e cercado por limitações, o Paysandu demonstrou competitividade e maturidade para sustentar a vantagem construída na ida. Bem postado na defesa, o time bicolor também criou oportunidades claras para vencer novamente. No primeiro tempo, Caio Mello quase abriu o placar em uma das melhores chances da partida. Já na etapa final, Kleiton Pego também esteve perto de marcar. Nas finais, o Papão teve como grandes destaques o zagueiro Castro e o meia Marcinho, craque do campeonato e peça fundamental na organização da equipe.
Do outro lado, o Remo foi dirigido pelo auxiliar Flávio Garcia, que assumiu a função após a saída do técnico Juan Carlos Osorio. Garcia apostou em uma proposta mais simples e direta para tentar buscar o resultado. Ainda assim, a estratégia não foi suficiente. O time azulino teve mais posse em alguns momentos, mas esbarrou na falta de qualidade técnica e, sobretudo, na dificuldade de romper a defesa bem montada do Paysandu.
A conquista bicolor também é fruto de uma campanha marcada por seriedade e organização. Mesmo pressionado por limitações orçamentárias, o clube apostou em jovens da base e começou a colher resultados. Alguns nomes já despontam, como o zagueiro Luccão e o meia Pedro Henrique. O mérito se estende a todos os jogadores, à comissão técnica liderada pelo treinador Júnior Rocha, que estruturou um time competitivo apesar das carências do elenco, e também à gestão do futebol fora de campo, com o executivo Marcelo Sant’Ana, o diretor Alberto Maia e o gerente Vandick Lima. E, claro, à imensa torcida bicolor, que mais uma vez transformou o Mangueirão em uma extensão da Curuzu.
Se de um lado houve eficiência e superação, do outro ficou a frustração azulina. O Remo fracassou no estadual mesmo contando com orçamento robusto, turbinado pelo acesso à Série A. O caminho até a final já havia sido turbulento, com classificações apertadas diante do Águia de Marabá e do Cametá Sport Club. Apesar da demissão de Osorio e das manifestações públicas do presidente Antonio Carlos Teixeira, o time não conseguiu fazer valer sua vantagem financeira nos clássicos decisivos. Nos dois jogos da final, quem apresentou mais qualidade e, principalmente, mais vontade, foi o Paysandu.
Agora, os dois gigantes do futebol paraense voltam suas atenções para outros desafios. O Remo já mira sua quinta partida na Série A 2026, já sob o comando do técnico Léo Condé. O adversário é o Fluminense, na quinta-feira (12), em Belém. O Paysandu, por sua vez, terá pela frente um compromisso importante pela Copa do Brasil, Portuguesa-RJ, na Curuzu, na quarta-feira (11).
A conquista estadual, aliás, chega em momento simbólico para o clube bicolor. O Paysandu atravessa uma das maiores crises administrativo-financeiras de sua história, alavancada em especial a partir de 2017, e recentemente teve deferido o seu pedido de recuperação judicial. O título do campeonato local se torna ainda mais saboroso e significativo para o clube alviazul.
No fim das contas, o Parazão vale sobretudo pela rivalidade que move o futebol do estado. E, nesta temporada, o campeão foi legítimo, inquestionável. Com a conquista, o Paysandu chega ao seu 51º título estadual e consolida ainda mais sua hegemonia como o principal ganhador de títulos no Pará.
O Papão também se mantém entre os maiores campeões regionais do país, atrás apenas do ABC Futebol Clube, com 57, e do Esporte Clube Bahia, com 52. Em terras paraenses, a história segue sendo escrita em azul e branco.
A hegemonia é do Paysandu Sport Club.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista









Comentários