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Cerca de 80 estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, matriculados em escolas públicas de comunidades situadas no entorno do Parque Estadual Monte Alegre (Pema), participam nesta semana de uma série de oficinas voltadas à valorização do patrimônio arqueológico amazônico. A iniciativa integra o Projeto Arqueologia de Monte Alegre (AMA), vinculado ao Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), e ocorre entre os dias 2 e 5 de março de 2026.

Com o tema “Desenhar, despertar e conservar”, as atividades buscam aproximar crianças e jovens do território em que vivem por meio de práticas artísticas inspiradas nas pinturas rupestres presentes na região. As oficinas são conduzidas pelo arquiteto e aquarelista Mário Baratta, idealizador da proposta, articuladas pelo professor Lucenildo Soares e acompanhadas pela pesquisadora Edithe Pereira, arqueóloga e pesquisadora emérita do Museu Goeldi.

A programação contempla quatro escolas localizadas na zona rural de Monte Alegre: Escola Municipal Lajes, na comunidade de Lajes; Escola Paituna, na comunidade de Paituna; Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora Santana, na comunidade de Aldeia; e Escola Municipal de Ensino Fundamental Ererê, na comunidade de Ererê. As atividades começaram na segunda-feira (2) e seguem até quinta-feira (5).

Segundo Edithe Pereira, o objetivo central das oficinas é fortalecer, desde a infância, a consciência sobre a importância histórica, cultural e identitária do patrimônio arqueológico local. “De forma lúdica, por meio da arte, as oficinas buscam despertar nos alunos o respeito e a responsabilidade pela preservação desse patrimônio”, afirma.

A proposta pedagógica prioriza experiências sensoriais e a construção de vínculos com o território. De acordo com Mário Baratta, a iniciativa surgiu a partir de demanda da própria comunidade e foi estruturada para estimular percepção e reflexão. “A proposta prioriza uma experiência mais sensorial do que propriamente estética, estimulando a percepção, a vivência e o vínculo com o território. Embora inclua atividades de pintura e desenho, a iniciativa vai além das técnicas artísticas. Antes de tudo, busca criar momentos de reflexão sobre o contexto em que as crianças vivem, estabelecendo conexões entre o cotidiano da comunidade, o parque, as pinturas e as perspectivas de futuro”, explica.

Durante as oficinas, os alunos produzem cadernos de anotações, tintas orgânicas e registros visuais inspirados nas pinturas rupestres. Também recebem orientações sobre desenho ao ar livre e aquarela, com foco na observação do ambiente natural e na relação entre arte e paisagem.

O Projeto Arqueologia de Monte Alegre (AMA) é desenvolvido pelo Museu Goeldi desde 2012, sob coordenação de Edithe Pereira, com o nome “A ocupação pré-colonial de Monte Alegre (PA)”. A iniciativa combina pesquisa acadêmica, divulgação científica e ações educativas, voltadas tanto a especialistas quanto à comunidade. Entre os produtos gerados pelo projeto estão livros, documentários, oficinas, cursos de capacitação, quadrinhos, cartilhas e exposições.

O Parque Estadual Monte Alegre, cenário das pesquisas do AMA, foi criado pela Lei Estadual nº 6.412/2001 e integra o conjunto de nove unidades de conservação de proteção integral do Pará. A gestão da área é realizada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio).

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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