Publicado em: 15 de janeiro de 2026
O presidente do Sistema Fiepa, Alex Carvalho, avalia que o desempenho da pauta exportadora paraense em 2025 confirmou uma das combinações mais robustas dos últimos anos, sustentada pela força histórica do setor mineral e pelo avanço expressivo dos produtos agroindustriais. No acumulado de janeiro a dezembro, as exportações do Pará totalizaram US$ 24,23 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 2,74 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 21,49 bilhões.
Com esse resultado, o Estado manteve a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial, ocupou o quinto lugar em exportações e a 13ª colocação em importações. O Pará segue como líder absoluto da Região Norte e o segundo maior exportador entre os estados da Amazônia Legal, festeja o presidente da Federação das Indústrias do Pará.
O setor mineral permaneceu o principal pilar da balança comercial estadual. A alumina calcinada alcançou US$ 1,89 bilhão em exportações e manteve estabilidade ao longo do ano, mesmo diante da volatilidade do mercado internacional em 2025, evidenciando a resiliência da cadeia do alumínio no Pará, sustentada por indústrias estruturadas, logística integrada e capacidade produtiva consolidada.
O minério de ferro, principal produto da pauta exportadora, somou US$ 11,64 bilhões no acumulado do ano. Apesar das oscilações nos preços internacionais, continuou exercendo papel determinante na geração do superávit comercial do estado.
Na agroindústria, 2025 foi marcado por forte dinamismo e ampliação do protagonismo dos produtos paraenses. A carne bovina, que passou a integrar o grupo de produtos tradicionais da balança comercial, alcançou US$ 1,22 bilhão em vendas externas. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pela China, que ampliou suas compras diante da retomada industrial e do aumento do consumo interno. O desempenho reflete, ainda, avanços na rastreabilidade, na qualidade sanitária e na eficiência logística do setor frigorífico.
A soja se consolidou como um dos principais produtos não tradicionais, com exportações de US$ 1,61 bilhão. A expansão está associada à ampliação das áreas produtivas, ao aumento da produtividade e à demanda consistente dos mercados asiáticos.
A madeira manteve relevância na pauta exportadora ao longo de 2025. Entre janeiro e dezembro, as exportações de madeira e seus derivados alcançaram US$ 231 milhões, correspondentes a 269.674 toneladas, registrando crescimento de 10,88% em relação ao ano anterior. Os EUA permaneceram o principal destino do produto paraense.
As exportações de bovinos vivos somaram US$ 574 milhões, impulsionadas pela demanda do Iraque e de países do Oriente Médio. O milho também apresentou trajetória ascendente, com aproximadamente US$ 179 milhões exportados, ampliando sua presença em mercados emergentes, especialmente na África Ocidental.
Além do crescimento dos valores exportados, 2025 foi marcado por diversificação geográfica mais consistente. A Ásia se manteve como principal destino das exportações paraenses, absorvendo US$ 14,94 bilhões, o equivalente a 61,67% das vendas externas. China, Malásia e Japão se destacaram como principais mercados, impulsionados pela demanda por minério de ferro, cobre e soja.
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial, com US$ 4 bilhões em compras, especialmente de alumina, cobre e pimenta-do-reino, refletindo a busca por insumos industriais e produtos diferenciados. A América do Norte também teve avanço, com os EUA registrando US$ 1,03 bilhão em exportações. África e Oceania ampliaram participação, impulsionadas pelo aumento das vendas de grãos e bovinos vivos.
Mesmo diante das instabilidades globais e das barreiras comerciais impostas pelo “tarifaço” implementado pelo governo Trump, o Pará conseguiu preservar sua relevância no comércio bilateral com os Estados Unidos. Produtos como alumínio, cobre, madeira e insumos agropecuários mantiveram papel estratégico para a economia norte-americana, o que explica a manutenção do volume exportado.
De acordo com a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex), o tarifaço praticamente não afetou as exportações de madeira, mantendo os EUA como principal comprador, seguidos pela União Europeia. O cenário reforça a relevância estratégica do setor madeireiro e a estabilidade da demanda internacional por madeira tropical.
Um avanço importante foi a retirada da taxação sobre o açaí, em novembro, medida que abre espaço para ampliar a participação do produto no mercado norte-americano e fortalecer a diversificação da pauta exportadora. Dados do Observatório Nacional da Indústria da Fiepa indicam, contudo, que as oscilações no cenário internacional tiveram impactos sobre a estrutura produtiva do estado.
A concentração das indústrias de processamento de frutas, especialmente do açaí, na Região Metropolitana de Belém, com destaque para Belém e Ananindeua, totalizando 332 estabelecimentos, tornou esses municípios mais sensíveis às incertezas comerciais. A predominância de microempresas, que representam cerca de 85% do setor, amplia a vulnerabilidade às variações de demanda e às barreiras tarifárias.
A análise do Observatório da Indústria da Fiepa também evidencia municípios extremamente dependentes dessa cadeia produtiva. Localidades como Bagre, Curralinho, Portel, Limoeiro do Ajuru, Anajás, Muaná, Igarapé-Miri, Curuá e Melgaço apresentam dependência superior a 97% da cultura do açaí, o que torna suas economias mais suscetíveis a instabilidades do mercado internacional.









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