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Único parque verde de Santarém pode virar estacionamento

Em artigo publicado no site Uruá-Tapera, intitulado “Caetano tinha razão”,
o advogado Célio Simões relata que a “força
da grana que destrói coisas belas
” removeu muitos hectares de mata nativa no
entorno da estrada de acesso ao aeroporto de Santarém, para dar lugar a um
empreendimento imobiliário que compromete os mananciais próximos (já atingidos
pela presença de uma penitenciária), no aguardo do desfecho de porfia judicial
que se afigura tortuosa, para desgraça do que ainda
resta do e
cossistema aquático do Igarapé e do Lago do Juá, santuários naturais e
viveiros de jaraquis, que a cada junho, com regularidade de equinócio, são facilmente
capturados e vendidos no entorno da ponte de concreto que corta a rodovia.


O Juá, ao longo dos anos
duramente castigado pelo assoreamento e pela poluição, ainda representa uma joia
com que a natureza presenteou os santarenos. Todo projeto que implique
desmatamento tem impactos ambientais e um estudo prévio serve justamente para
evitá-los ou indicar a melhor forma de mitigá-los.


Célio lamenta que no único
parque da área urbana de Santarém – cidade amazônica duramente castigada pelo
desmatamento e de aspecto devastado – está prevista a construção de um prédio
público com vasto estacionamento, sem que a sociedade tenha sido convidada a
exprimir sua concordância. Muito menos informada previamente. Não por acaso, o
jornalista santareno Manoel Dutra verberou contra a desastrada ideia, pois a
construção, como as demais que já existem, irá subtrair parte da arborização
da única área verde local. É como se Santarém sofresse de uma espécie de
fagocitose vegetal, que nada poupa e tudo destrói.


Em boa hora se lembra o manejo da Ação Popular, meio hábil para anular atos administrativos ilegais ou lesivos ao
patrimônio federal, estadual e municipal. Só reclamar não basta.

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