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SOS Curralinho

CURRALINHO. FOTO: RODOLFO OLIVEIRA
O arquipélago do Marajó, paradoxalmente uma das regiões mais belas e mais pobres do Pará e do Brasil, recebeu recentemente uma força-tarefa, em itinerância fluvial, envolvendo os Ministérios Públicos Estadual e Federal, Tribunal de Justiça e Governo do Estado, além da Marinha, INSS, Justiça Federal e TRT8, a fim de minorar a gravíssima situação de seus 500 mil habitantes.

Curralinho, município com paisagens deslumbrantes, cerca de 40 mil habitantes que vivem abaixo da linha da pobreza e 147 anos de existência, que se reveza com Melgaço no título de campeão do triste ranking de pior PIB per capita e, consequentemente, mais baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, está em situação de flagelo. Não há abastecimento de água, coleta de lixo nem transporte escolar. Entre as dezenas de obras públicas inacabadas, escolas, unidades básicas de saúde, sistemas de abastecimento de água, quatro quadras poliesportivas e uma estrada rural, a Transpiriá. 

O Hospital Municipal é um drama à parte. A estrutura geral está deteriorada, com forro desabado, esgoto a céu aberto em volta do prédio, banheiros que não funcionam. Poucas enfermarias são climatizadas, o setor de esterilização não tem autoclave em funcionamento e a única estufa fecha com um esparadrapo. Os profissionais de saúde que trabalham lá não têm área para descanso, vários consultórios estão desativados e há carência de tudo na farmácia e no almoxarifado, desde anestésicos até oxigênio, passando por medicamentos de uso constante e antídotos para picadas de animais peçonhentos. A lavanderia da dita Casa de Saúde também funciona precariamente, com um tanquinho caseiro com capacidade para 10 kg, o que obriga os pacientes a levarem rouparia de casa em caso de internação. Na sala de parto, não há iluminação adequada e a falta de insumos obriga a improvisos do tipo substituir os grampos utilizados no coto do cordão umbilical por pedaços de borracha. O centro cirúrgico foi paralisado por problemas estruturais: não existe iluminação apropriada e o leito onde são feitas as operações está quebrado, apoiado em uma mesa de ferro. Uma calamidade. Enquanto persiste esse descalabro, os pacientes mais graves vão, de barco, para o município mais próximo, Breves – a 180 quilômetros -, numa viagem que pode demorar quatro horas.

Tudo isso foi denunciado ao procurador da República Felipe Moura Palha já expediu pedidos de esclarecimentos e recomendações à prefeita Maria Alda Aires da Costa, que deve enviar ao MPF cópias dos procedimentos administrativos e as licitações das obras inacabadas, contratos das empresas responsáveis, bem como os cronogramas de finalização e desembolso de obras do Minha Casa, Minha Vida, de asfaltamento das ruas da cidade, de duas academias ao ar livre, duas estações de tratamento de água, 19 escolas públicas, quatro unidades básicas de saúde, três quadras poliesportivas, quatro creches e uma unidade de saúde flutuante que está pronta, mas não atende a população por problemas burocráticos. 

A prefeitura de Curralinho também terá que regularizar o transporte e a alimentação escolar, em prazos de 30 e 120 dias, respectivamente.  

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