Publicado em: 14 de abril de 2026
No Pará, 4,6 mil pessoas já passaram por capacitações em tecnologia por meio do programa Computadores para Inclusão, coordenado pelo Ministério das Comunicações, que alcançou, em abril de 2026, a marca de 80 mil participantes formados em todo o país. A expansão do letramento digital no Brasil tem ganhado escala através de formação profissional e reaproveitamento de equipamentos descartados.
A proposta vai além do ensino técnico. Estruturado para atender diferentes perfis, como os de jovens em busca do primeiro emprego a adultos em processo de requalificação e pessoas idosas que desejam autonomia no ambiente digital, o programa oferece cursos gratuitos que abrangem desde noções básicas de informática até conteúdos mais especializados, como Excel, design, programação, manutenção de computadores e conserto de smartphones.
Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o alcance da iniciativa está diretamente ligado à sua capacidade de inclusão: “é uma iniciativa que abre portas para jovens em busca do primeiro emprego; permite que adultos se reinventem e aprimorem o currículo em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo; e ainda possibilita que pessoas da melhor idade estejam inseridas no ambiente digital com mais autonomia no dia a dia, sem depender da ajuda de familiares. O programa é inclusivo e não deixa ninguém de fora da era digital”.
Um dos pilares do projeto está nos Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs), instalados em capitais e cidades estratégicas. Nesses espaços, a formação técnica é associada a práticas de sustentabilidade. Equipamentos eletrônicos descartados por órgãos públicos e instituições são recuperados por alunos em cursos práticos, especialmente na área de manutenção. Após o recondicionamento, esses computadores são destinados a escolas públicas, associações e comunidades com acesso limitado à tecnologia.
A estratégia cria um ciclo que conecta capacitação, inclusão digital e reaproveitamento de recursos, ampliando o impacto social da política pública. Ao mesmo tempo em que forma mão de obra, o programa contribui para reduzir o descarte inadequado de resíduos eletrônicos e fortalece redes locais de acesso à informação.
De acordo com o coordenador de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Gustavo André Lima, a iniciativa também tem provocado mudanças individuais significativas. Ele destaca que há casos de participantes que nunca haviam tido contato com um computador e que, após a formação, passaram a atuar como multiplicadores dentro do próprio programa.
Segundo o coordenador, “hoje, é muito importante que todos saibam usar aplicativos de celular, acessar arquivos e pastas no computador e utilizar a internet de forma geral. O Brasil ainda tem regiões carentes de letramento digital. O programa busca justamente combater esse abismo digital e democratizar o acesso às tecnologias em todas as regiões, desde as mais remotas até as capitais, onde, ainda assim, há relatos de pessoas que nunca utilizaram um mouse”.
A abrangência territorial é um dos desafios centrais enfrentados pela política. Mesmo em centros urbanos, a exclusão digital ainda se manifesta, seja pela ausência de acesso a equipamentos, seja pela falta de formação adequada. Nesse contexto, o programa atua como ferramenta de inserção social e econômica, conectando populações historicamente afastadas das tecnologias às demandas do mercado contemporâneo.
Com a meta de ampliar o número de beneficiados, o Ministério das Comunicações projeta expandir a rede de capacitação e fortalecer a presença dos CRCs. A intenção é alcançar um público ainda maior, mantendo o foco na democratização do acesso digital e na geração de oportunidades por meio da qualificação tecnológica.
Foto em destaque: Shizuo Alves / MCom









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