Publicado em: 28 de junho de 2026
A derrota por 3 a 1 para o Santa Cruz, dentro da Curuzu, nesse sábado (27) foi mais um tropeço do Paysandu em uma Série C longa e desgastante. É a quarta derrota do Papão nos últimos seis jogos e consolidou uma tendência preocupante: o time gem perdendo consistência justamente quando a competição começa a separar os candidatos ao acesso daqueles que apenas ocuparão posições intermediárias na tabela. O alerta, que antes parecia exagero de parte da torcida, agora soa como diagnóstico.
Muito desse momento passa pelo trabalho de Junior Rocha. O treinador foi importante para organizar uma equipe que iniciou a temporada cercada de desconfiança e conquistou resultados relevantes, inclusive três troféus. Entretanto, a Série C, principal competição do Paysandu na temporada, vem mostrando possíveis limites do modelo bicolor. O Paysandu tornou-se previsível, tem dificuldades para variar a forma de atacar e apresenta enorme dependência de contextos favoráveis para controlar as partidas. Quando o adversário muda o roteiro, o time raramente consegue responder.
Os problemas defensivos também deixaram de ser episódios isolados e passaram a fazer parte da identidade da equipe. O sistema de marcação sofre com espaços excessivos, especialmente nas transições, e a equipe frequentemente perde o controle emocional após sofrer gols. A apatia diante dos pernambucanos foi apenas o retrato mais recente de uma fragilidade que já vinha se manifestando em outras rodadas da competição.
Ao mesmo tempo, é preciso ampliar o olhar para além das limitações do modelo de jogo. O elenco montado para a Série C é curto, possui carências técnicas evidentes e oferece poucas alternativas a Junior Rocha ao longo das partidas. A abertura da janela de transferências, prevista para as próximas semanas, pode representar uma oportunidade de correção de rota, mas até lá o Paysandu precisará encontrar meios de permanecer competitivo e evitar que a crise se aprofunde.
A queda de rendimento de alguns titulares e a falta de reposições no mesmo nível têm pesado diretamente no desempenho da equipe. Faltam jogadores capazes de alterar o panorama das partidas, aumentar a intensidade ofensiva ou apresentar soluções diferentes diante de adversários mais fechados. Nos últimos compromissos, a ausência de Caio Mello no meio-campo evidenciou ainda mais a dependência de determinadas peças para o funcionamento coletivo do time.
Talvez o aspecto mais preocupante seja a sensação de que o Paysandu se aproxima do seu limite técnico dentro da competição. Se no início da Série C havia expectativa de crescimento e evolução ao longo das rodadas, o cenário atual aponta para o movimento inverso. Os adversários passaram a compreender os mecanismos do jogo bicolor, enquanto o Papão parece insistir em estratégias que já não produzem os mesmos efeitos. A derrota para os pernambucanos, a primeira vitória coral na história da Curuzu, acabou simbolizando esse momento de perda de força, confiança e capacidade de reação.
O torcedor bicolor conhece bem os caminhos imprevisíveis da Série C e sabe que ainda existe espaço para recuperação. Restam sete rodadas, o Paysandu permanece dentro do G-8 com 20 pontos e segue dependendo apenas das próprias forças para avançar ao quadrangular semifinal. Com três partidas em casa e quatro como visitante, a conta para chegar à próxima fase é clara: conquistar pelo menos mais três vitórias para transformar preocupação em esperança.
É exatamente essa resposta que a Fiel mais espera ver dentro de campo nas próximas semanas.
Foto em destaque: Paysandu e Santa Cruz-PE em 27.06.2026, na Curuzu (Rodolfo Marques)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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