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Icoaraci e sua estação ferroviária


A antiga Estação Ferroviária da Vila de São João de Pinheiro, atual Icoaraci, distrito de Belém, a “Vila Sorriso”, último ramal da Estrada de Ferro Belém-Bragança, que tinha 294 Km e foi extinta em 1965, é ocupada pela Coarti — Cooperativa de Artesãos de Icoaraci, fundada em 1978. Mas, no espaço em que deveria funcionar a formação de jovens artesãos através do conhecimento das culturas pré-cabralinas e de suas técnicas da cerâmica arqueológica — sobretudo de inspiração marajoara e tapajônica — reproduzida pelos cooperados com o auxílio do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde têm acesso a exemplares das culturas históricas que lhes servem de base, é visível o abandono da edificação, referência arquitetural e simbológica. Dá pena ver tão bela estrutura, com mãos francesas em ferro trabalhado, em avançado estado de deterioração. A velha locomotiva não existe mais. A fachada de estilo eclético está em ruínas: a marquise com estrutura em ferro com corrosão; vegetação crescida na cobertura de telha de barro tipo marselha, assim como na calha. O desgaste provocado pelas intempéries comprometeu esquadrias, estrutura da cobertura e as ferragens que ornamentam portas e janelas.
A antiga estação de trem de Icoaraci funcionou de 1906 a 1964, na Praça Paes de Carvalho, em frente à rua 8 de Outubro (atual rua Padre Júlio Maria), ao lado da Igreja de São João BatistaO Ramal do Pinheiro tinha 27 Km de extensão e seus trilhos vieram da Europa. O trem em direção a Belém percorria em velocidade de 60 Km/h o trajeto da atual rodovia Augusto Montenegro e então Av. Tito Franco, hoje Almirante Barroso, levando passageiros e mercadorias, e fazia quatro paradas, no Tenoné, Tapanã, Benguí, Una e Entroncamento. Eram quatro carros de passageiros de 1° classe; quatro  de 2° classe; um carro para bagagem; seis gôndolas de aço para carvão; e seis vagonetes para condução de carvão na Ponte do Pinheiro.  A primeira classe oferecia poltronas acolchoadas, enquanto que na segunda classe havia os bancos corridos de madeira. Naquela época só existiam sete ruas no distrito, todas as famílias se conheciam e, quando ouviam o apito do trem lá pela Agulha, os moradores corriam para o entorno da estação, onde eram comercializados picolé, rosca de broa e artesanato.  

Por solicitação do Intendente Antonio Lemos a obra foi inaugurada em 7 de janeiro de 1906, com a presença do governador Augusto Montenegro e sua comitiva, ao som da “Philarmônica Delícias Pinheirense”.

Em 1921 a estrada de ferro foi encampada pelo governo federal, mas o governo do Estado era responsável por sua administração. Só que, enquanto os EUA na década de 40 já dispunham de trens mais rápidos, econômicos, com maior capacidade e movidos a diesel, o Brasil, na década de 60, ainda usava o maior número de locomotivas movidas a vapor. Com o golpe de 1964, o ministro da Viação do presidente  da República marechal Humberto de Alencar Castello Branco era o marechal Juarez Távora, favorável à extinção das ferrovias e, sob o argumento de que a Estrada de Ferro Belém/Bragança era deficitária, decretou sua desativação definitiva a partir do dia 1° de janeiro de 1965, insensível ao problema social que foi largar à própria sorte os colonos assentados às margens da linha férrea. Para chegar a Belém, a população tinha que ir a pé ou em carroças de madeira. Depois vieram os ônibus “pau de arara”, mais tarde as lotações.

Philadelpho Cunha, pai da atual primeira dama Ana Jatene, foi superintendente da Ferrovia Belém-Bragança no período de abril a agosto de 1961. 

Era fantástica a integração regional. Em períodos festivos, como o Círio de Nazaré, e finais de semana, o trem oferecia mais vagões de passageiros, e as viagens incluíam acesso às ilhas do Mosqueiro, Cotijuba e Outeiro através de barcos a vapor. Depois do trajeto de trem, havia o deslocamento até o trapiche na praia do Cruzeiro, o chamado Pontão.
Após a desativação da estação houve a reforma do Mercado Municipal de Icoaraci, quando toda a atividade comercial foi transferida para o prédio da estação. Quando acabou a reforma, o prédio da estação ficou sem uso até o início da década de 1980, quando a Agência Distrital de Icoaraci cedeu o espaço para comportar a Coarti. 

Icoaraci é famosa pelo artesanato em cerâmica. É o maior centro produtor e divulgador da cerâmica indígena amazônica. No centro do distrito, no bairro do Paracuri, se concentra cerca de 90% da comunidade de ceramistas. A arqueóloga norte-americana Ana C. Rosevelt afirma que a cerâmica do Pará tem sete mil anos e não quatro mil, e que a feita pelos povos que habitaram o arquipélago do Marajó – classificada entre as mais belas e elaboradas do mundo – é original da região, e não oriunda de uma produção colombiana dos Andes, conforme se sustentou durante muito tempo. Antes de 1500, muitas civilizações habitaram a amazônia. A origem desses povos remonta ao ano 980 antes de Cristo. Eles viviam na região de Santarém, no rio Tapajós e no Marajó, numa extensão de mais de 50 mil quilômetros quadrados. Até o ano 1350 d.C., quando entraram em processo de extinção, produziram peças de inigualável criatividade e beleza, em cinco fases distintas classificadas por arqueólogos: Ananatuba, Mangueiras, Formiga, Marajoara e Aruã. Na fase Marajoara (400 a 1650 d.C.) surgiu a técnica de relevo, empregada na produção de peças de cerâmica, tanto para uso doméstico quanto ritualístico. Entre suas peças, nas quais aplicavam desenhos altamente elaborados e sofisticados, sobressaem as tangas, urnas funerárias, vasos e estatuetas. O povo marajoara desapareceu em 1350 d.C, deixando legado inestimável. A fase Aruã (1350 a 1820 d.C.) coincide com a chegada dos portugueses ao Brasil. A cerâmica é simples, quase sempre utilitária, desprovida de formas ou características próprias. Foram encontrados vasos aruã associados a pequenas contas de vidros de procedência europeia. O carro chefe dos trabalhos dos mestres ceramistas de Icoaraci são as réplicas, marajoara, tapajônica, maracá, kondury, kunani, paracury e peças com grafismos e pinturas rupestres. 

O distrito foi propriedade dos frades Carmelitas Calçados: Fazenda Pinheiro, na Ponta do Mel e Fazenda do Livramento, no século XVIII, adquirida pelo presidente da Província General Francisco D Andrea em 1834, que a entregou à Santa Casa que lá pretendia instalar um Lazareto, mas que o devolveu ao governo cinco anos depois. O governo transformou a fazenda em povoado de Santa Izabel de Pinheiro, em 8 de outubro de 1869. Em 1883 passou ao nome de São João de Pinheiro e Vila Pinheiro em 1895. A atual denominação foi sancionada pelo governador Magalhães Barata em 1943 e, em função de seus vários igarapés e riachos, tomou a toponímia tupi que significa “Mãe de todas as águas”. 

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