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HUJBB em meio a grave crise

Sucupira é aqui. O Hospital Universitário João de Barros Barreto, um dos mais importantes do norte, é referência para doenças infecto-contagiosas, entre elas a fibrose cística, ou mucoviscidose, doença de transmissão genética que compromete o funcionamento de várias glândulas do corpo, levando a diversas complicações infecciosas. Pois – acreditem! – o HUJBB está com uma ala totalmente reformada, com quatro leitos-dia, mas não pode internar pacientes porque houve um erro da Vigilância Sanitária do Município de Belém no documento de habilitação do atendimento. Assim, mesmo com equipamentos de última geração recém-instalados, deixa os doentes desassistidos, sofrendo,  por causa dos horrores da burocracia. Kafka perde.

O Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Pará fizeram vistoria hoje nas instalações do hospital. A procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Melina Tostes, e a promotora de Justiça Suely Cruz recomendaram à prefeitura uma solução urgente e, hoje mesmo, o Departamento de Regulação do município tratou de liberar os leitos. 

Os leitos-dia, como o nome diz, são destinados a internações apenas durante o dia, previstas no protocolo de tratamento da fibrose cística para evitar a exposição excessiva dos pacientes a ambientes contaminados, como um hospital.
Outro problema no tratamento da fibrose cística é a falta de leitos de retaguarda, em outros hospitais, para situações excepcionais em que o Barros Barreto não possa atender toda a demanda. O Ministério Público propôs ao hospital que seja feito um acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sespa) para que a Santa Casa de Misericórdia funcione como referência e retaguarda, após treinamento de profissionais sobre o protocolo clínico da doença. A capacitação já foi agendada para o próximo mês de outubro. 

Mas os problemas não acabam aí. Recentemente, o Barros Barreto adquiriu equipamentos novos de ressonância magnética e tomografia computadorizada, por exemplo. Porém alguns equipamentos estão parados por causa de problemas legais e financeiros que o hospital enfrenta, afetado duplamente pelo corte geral de verbas da saúde e da educação (já que é um hospital universitário). Para piorar a situação dramática, a contratação de pessoal de saúde para atender a demanda enfrenta dificuldades legais.
Isso atinge em cheio o serviço de tomografia computadorizada, que está instalado mas não pode funcionar por falta de um transformador que custa R$ 3 mil. Prejudica, aliás, a capacidade de atendimento geral do hospital, cujos 23 leitos novos não podem receber pacientes enquanto não for contratado pessoal e houver mais verba para custeio. Outros 46 estão fechados para reforma, mas não poderão ser reabertos. 

É, ainda, o caso ainda das novas instalações de cirurgia, paradas por falta de profissionais de saúde.
Entre as alternativas estudadas para abrir o mais rápido possível os 23 leitos que estão prontos para funcionar, MPF e MPE tentam assegurar que a Universidade Federal do Pará e a Prefeitura de Belém cedam pessoal e verba de custeio. No momento atual do atendimento de saúde da capital paraense, com um dos hospitais de pronto-socorro fechado devido ao um incêndio, todos os leitos disponíveis são fundamentais para atender a demanda.

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