Publicado em: 23 de junho de 2026
A 3ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, presidida pelo juiz Cláudio Hernandes Silva Lima, condenou o policial militar reformado Rossevelt de Nazaré Silva, 52 anos, o “Bilico’, a 20 anos de prisão, pelo assassinato do advogado Arnaldo Lopes, 35. Com a detração, a pena ficou fixada em 15 anos, seis meses e quatro dias. Foi vitoriosa a tese do promotor de Justiça Nadilson Portilho Gomes, do Ministério Público do Estado do Pará: homicídio duplamente qualificado. Funcionaram como assistentes da acusação a advogada Marilda Cantal, habilitada pela viúva da vítima, Kassia Brunelly de Paula, além dos advogados Fabrício Gomes Saldanha, Francisco Cleans Bonfim e Nelma Catarina Martins Costa, integrantes da Comissão de Prerrogativas da OAB-PA. A defesa foi conduzida pelo advogado Marcelo Leonam Corrêa de Barros.
Houve oitiva de seis testemunhas, das doze arroladas pelas partes. A viúva da vítima, primeira a depor, contou que o marido não acreditava que pudesse ser morto por Rossicley e também informou que o advogado chegou a adquirir uma arma de fogo para proteger a si e sua família.
Delegados responsáveis pela investigação, José Eduardo Rollo da Silva e Frank Walberto Lima Matos explicaram como chegaram à identificação dos envolvidos. O delegado Carlos André Viana da Costa participou por videoconferência. A polícia utilizou interceptações telefônicas e dados de geolocalização, que indicaram a presença dos acusados no local e hora do crime.
De acordo com a denúncia do MPPA, feita pelos promotores de justiça Jayme Bastos Filho e Samir Dahás Jorge, os envolvidos integravam um grupo de milicianos que atuava no transporte coletivo e fazia cobranças no setor. Rossevelt atuava na área do Ver-o-Peso.
O crime foi cometido por volta das 19h do dia 18 de dezembro de 2017, na frente da casa da mãe da vítima, quando o advogado saía da residência, na passagem Vitória, próxima à Av. Roberto Camelier, no bairro do Jurunas. Ao entrar em seu veículo, Arnaldo Lopes foi abordado por atiradores. Um deles desceu de um Fiat Uno Mille, de cor escura, e efetuou vários disparos. Cinco tiros atingiram a vítima, que ainda foi socorrida por familiares e levada a um hospital particular, mas morreu três dias depois em decorrência dos ferimentos.
A motivação, conforme apurado no inquérito policial, foi a disputa pelo controle da Associação dos Praças da Polícia Militar do Estado do Pará, entidade criada em sociedade entre a vítima e um dos acusados, o sargento PM Rossicley da Silva, vulgo ‘Rossi”, já condenado em sessão anterior do Tribunal do Júri.
O advogado Arnaldo de Paula idealizou a ASPRA para prestar assistência jurídica a praças da PMPA, e a entidade ganhou impulso em 2014, quando passou a contar com quase dois mil associados e renda mensal de R$200 mil, fruto das contribuições mensais, descontadas nos contracheques. Rossi presidia a associação. A vítima passou a questionar a destinação ao dinheiro, que foi objeto de apuração da Promotoria de Justiça militar, no bojo da qual prestou informações, culminando com o afastamento de Rossicley da presidência da entidade, por decisão judicial, em dezembro de 2016, quando o advogado foi nomeado interventor. Rossi reverteu a decisão, mas em março de 2017, por iniciativa da vítima, acabou novamente afastado da presidência por ordem judicial e Arnaldo voltou a ser o interventor, o que não foi mais revertido por Rossicley, que então cristalizou seu ódio pela vítima, passando a aspirar sua morte e a vibrar com os percalços sofridos por ele, como a sua exoneração de cargo comissionado na Secretaria Municipal de Turismo, conforme diálogo mantido, em junho de 2017, com interlocutor investigado por participar de grupo de milicianos, em escuta autorizada judicialmente, intenção que foi transmitida de forma subliminar por sobrinho de Rossi a Arnaldo, em agosto de 2017: “ou ele desistia das querelas envolvendo a ASPRAS em favor de Rossicley ou haveria um banho de sangue’.
Arnaldo não se deixou intimidar, e obteve duas decisões judiciais favoráveis às suas pretensões, em novembro e início de dezembro de 2017: Rossicley teria que prestar contas de cerca de R$1 milhão, por conta de benfeitorias realizadas em prédio alugado onde funcionava a sede da ASPRA.
Rossi se aliou então a Roosevelt Silva, ex-colega de corporação, ao também PM Marçal Monteiro de Azevedo, e ao jovem Rodrigo Freitas, este último assassinado posteriormente em queima de arquivo, para que mediante promessa de recompensa dessem cabo da vida de Arnaldo, contando ainda com a colaboração do quarto denunciado, Jonny Kleiber de Almeida Santos, empregado do sogro de Rossicley, que cedeu aos executores o veículo utilizado no homicídio.
Nas fotos, o juiz, o promotor e os advogados de acusação.










Comments