A empresa de ônibus Belém-Rio, que faz a linha para o distrito de Outeiro – Ilha de Caratateua, em Belém, aparentemente está falida e reduziu pela metade a sua frota, causando enorme sofrimento aos usuários do transporte coletivo. O serviço,…

A Cosanpa abriu nada menos que seiscentos buracos imensos nos bairros mais movimentados de Belém, infernizando a vida de todo mundo com engarrafamentos e causando graves riscos de acidentes, principalmente porque chove sempre, e quando as ruas alagam os buracos…

O Procurador-Geral de Justiça César Mattar Jr. inaugurou nesta quinta-feira, 16, o Núcleo Eleitoral do Ministério Público do Estado do Pará, que vai funcionar na sede das Promotorias de Justiça de Icoaraci, distrito de Belém. O coordenador será o promotor…

A desembargadora Maria de Nazaré Saavedra Guimarães, que se destaca pelo belo trabalho que desenvolve à frente da Comissão de Ações Judiciais em Direitos Humanos e Repercussão Social do Tribunal de Justiça do Estado do Pará, e que já coordenou…

Aurélio do Carmo na Comissão da Verdade

Foto: Ozéas Santos
A Comissão da Verdade do Estado do Pará fez hoje à tarde, no auditório João Batista, da Assembleia Legislativa, a sua primeira oitiva. Aos 92 anos, muito emocionado, o ex-governador Aurélio do Carmo prestou depoimento acerca das circunstâncias da cassação de seu mandato. Em alguns momentos quase foi e levou às lágrimas o presidente da comissão, o advogado Egydio Salles, pela menção ao nome de seu pai, o também advogado Egydio Salles, já falecido, que foi amigo do depoente. Aurélio do Carmo fez várias revelações de peso durante a oitiva. Disse, por exemplo, que o ex-governador, ex-ministro, ex-senador e coronel Jarbas Passarinho era quem chefiava a 2ª Seção do Exército, responsável pelas informações, que sua primeira esposa era amiga da esposa de Passarinho e que este pediu que Dona Ruth dissesse à sua amiga que ele nada tinha a ver com os que articulavam o golpe militar, mas na verdade era um dos principais nomes. Também contou que “pelo que ouvia das pessoas na época” o então arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Ramos, denunciou vários padres aos militares, que os tachavam de subversivos. Também afirmou que, de modo geral, todos os veículos de comunicação apoiaram o golpe civil-militar e colaboraram com a ditadura, pelo menos no início. Admitiu que fazendeiros, notadamente da região do arquipélago do Marajó e da Belém- Brasília, apoiaram o golpe, embora não tenha citado nomes. 

Ao longo de duas horas, o ex-governador falou do clima conturbado em 1964, das greves, da promessa não cumprida do marechal Castelo Branco de que a tomada do poder seria algo temporário, do seu sentimento de ter sido injustiçado. 

Aurélio foi questionado a respeito de dois episódios em seu governo: um, do ano de 1963, quando
da realização de uma assembleia na sede do sindicato dos petroleiros, descrito por Jarbas Passarinho no livro “Na Planície”, quando os golpistas e
seus capangas invadiram a sede do sindicato e promoveram confusão, baderna e
tumultos. Diz Jarbas Passarinho que a PM estava de sobreaviso para que quando
começasse o entrevero usasse de força física desproporcional somente
contra aquelas pessoas que não estivessem portando lenços brancos no pescoço. 
O outro fato, de que a PM novamente serviu de linha auxiliar aos baderneiros golpistas quando
invadiram a reunião dos estudantes que estavam realizando um seminário a
respeito da democratização das Universidades, na
faculdade de odontologia, localizada na praça Batista Campos, no dia 30 de março
de 1964.
 O ex-governador disse que lamenta que tenham acontecido abusos em seu governo, por parte da PM, mas se isentou de qualquer responsabilidade quanto a tais iniciativas. 
Ao final do testemunho, Aurélio do Carmo foi cumprimentado por todos que estavam no auditório, que fizeram questão de tirar fotos com ele. 

Integram a Comissão da Verdade no Pará: Egydio Machado Sales Filho, representante da OAB-PA, presidente da Comissão; o deputado Carlos Bordalo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alepa; Renato Marques Netto, da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos – Sejudh; João Lúcio Mazzini da Costa, do Arquivo Público Estadual e Seduc; a delegada de Polícia Civil Ana Michelli Gonçalves Soares Zagalo, da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social – Segup; Marco Apollo Santana Leão, da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SPDDH; Paulo Cesar Fonteles de Lima Filho, do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça; Franssinete Florenzano, representante do Sindicato dos Jornalistas do Pará; e Jureuda Duarte Guerra, do Conselho Regional de Psicologia-PA/AP.

Compartilhar

Share on facebook
Share on twitter
Share on pinterest
Share on vk
Share on tumblr
Share on pocket
Share on whatsapp
Share on email
Share on linkedin

Conteúdo relacionado

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *