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O projeto da usina hidrelétrica de Marabá, a 4 Km da ponte rodoferroviária do Tocantins, com custo estimado em R$ 12 bilhões, a ser construída no prazo médio de oito anos, com capacidade de produção de energia de 2.160 MW e lago de 3.055 Km – bem maior do que o formado pela UHE-Tucuruí, inundando, ainda, 1.115 Km² de terras (mais de 110 mil hectares de terras férteis), foi duramente criticado, hoje, da tribuna, pelo deputado João Chamon(PMDB). A nova barragem atingirá municípios em três Estados. No Pará, Marabá, São João do Araguaia, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Nova Ipixuna e Palestina do Pará. No Tocantins, Ananás, Esperantina e Araguatins; e no Maranhão, São Pedro da Água Branca e Santa Helena. Outro ponto crucial é a navegabilidade do rio Tocantins. “Não tem lógica e não cabe na cabeça de ninguém em sã consciência que se construa uma hidrelétrica e se impeça a navegabilidade do rio. Nós brigamos pelo derrocamento do Pedral do Lourenço buscando a navegabilidade do rio Tocantins, aí de repente se constrói uma hidrelétrica que impede a navegabilidade do rio, e por que então gastar dinheiro com a derrocagem?” questionou o deputado, salientando o fato de a região ser grande produtora de pescado e o comprometimento da principal fonte de renda para milhares de famílias na bacia Araguaia/Tocantins, além do que propriedades e benfeitorias serão completamente perdidas pela inundação. Chamon destacou, também, que os indígenas da etnia Gavião, habitantes da área a ser atingida entre Marabá e Bom Jesus do Tocantins, põem em dúvida a legalidade do projeto em suas terras. E requereu a realização de sessão especial da Assembleia Legislativa a fim de debater a
instalação da UHE-Marabá e seus consequentes impactos socioambientais.

Chamon clasificou como “absurdo” que Ademar Palocci, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, tenha garantido o início da construção da hidrelétrica de Marabá em 2015, confirmando que terá duas eclusas, mas condicionando a construção delas à existência de recursos específicos para tal, embora já exista recente lei federal determinando que as hidrelétricas só podem ser construídas com as respectivas eclusas, a fim de preservar a navegação nos trechos de barragem. 

Em aparte, o deputado Raimundo Santos(PEN) endossou o discurso de Chamon, defendendo que só se deve permitir a construção da hidrelétrica se previamente incluída no projeto a construção das eclusas. Ora, como é que nós, o povo de Marabá e da região, vai permitir mais uma afronta contra a nossa população, colocando mais uma rolha no rio Tocantins para poder socorrer o restante do País com energia elétrica e impedir a navegabilidade do rio Tocantins? 

Os dois deputados conclamaram seus pares e a sociedade a não “tapar os olhos” para os impactos socioambientais
decorrentes da construção da usina de Marabá, que resultará na
perda permanente de parte dos atrativos turísticos das cidades do entorno do lago do empreendimento, submergindo praias, balneários, sítios arqueológicos, comunidades ribeirinhas e até mesmo parte do centro urbano. “No momento que se discute o
derrocamento do Pedral do Lourenço, em Itupiranga, e nos vem à memória tantos
anos de luta para a construção das eclusas da hidrelétrica de Tucuruí, o governo
anuncia que as eclusas não são prioridade na usina de Marabá. E a
navegabilidade do rio Tocantins, tão importante para o escoamento da produção
regional?
“, fustigou Chamon, afirmando que, se não tivessem fechado a navegação, h
oje, além de beneficiadores da matéria-prima, Marabá seria o
principal entreposto de carga entre o Centro-Oeste e os portos de Vila do Conde e Belém. 
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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