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Alepa outorga o Mérito pela Vida


Foto: PC Carvalho
No
mundo inteiro, cerca de 200 milhões de pessoas – quase 5%  da população entre 15 e 64 anos – usam drogas
ilícitas, pelo menos uma vez ao ano. Cerca de metade dos usuários se droga
regularmente, no mínimo uma vez ao mês. Os dados são do escritório das Nações
Unidas contra Drogas e Crime, e foram realçados, hoje, pelo deputado Raimundo
Santos(PEN), orador oficial da sessão solene da Assembleia Legislativa,
destinada à entrega da medalha do Mérito pela Vida Pastor Armando Ribeiro, a
personalidades que se destacam pelo trabalho de orientação, acolhimento,
tratamento, redução de danos, repressão e reinserção social de pessoas que
tiveram suas vidas degradadas pela dependência química.
O
consumo de cocaína dobrou no Brasil, e equivale a quatro vezes a média mundial.
Ao falar sobre a importância da comenda, o deputado Raimundo Santos enfatizou
que se trata de algo muito simples mas que provoca o debate sobre a
problemática, que afeta não só os dependentes químicos, mas também os que
cuidam deles, e causa problemas na área da saúde, além da violência, que se
ampliou gigantescamente no País.
O
nome do pastor evangélico da Assembleia de Deus Armando Campos Ribeiro foi
escolhido por ser exemplo de superação, dedicação e comprometimento com a
causa. Nascido em Belém, no dia 5 de maio de 1959, aos 13 anos conheceu a
maconha e depois a cocaína, que devastou sua vida em curto espaço de tempo.
Casou aos 24 anos com a pastora Heliana Ribeiro, mas o profissional
bem-sucedido e o marido presente deram lugar ao abandono moral de sua família e
de seus valores. Após diversos conflitos internos e problemas de ordem pessoal
e profissional, frutos de 20 anos de dependência química, foi apresentado pelo
pastor Jedilson Rodrigues à ong Desafio Jovem de Caruaru e, com o apoio da
Comunidade Evangélica Integrada da Amazônia, foi para Pernambuco se tratar,
onde ficou internado por um ano e três meses. Em 2003, já curado, assumiu a
administração da Comunidade Terapêutica da Amazônia e deu início a um projeto
audacioso de recuperação de vidas.  O trabalho
cresceu, atendendo drogaditos e suas famílias. Em 2009, se tornou pastor na
Comunidade Evangélica Integrada da Amazônia, e faleceu aos 51 anos, em 27 de
julho de 2011, deixando esposa, dois filhos e uma neta. Mas a ong CTA, com
registro no Conselho Estadual sobre Drogas do Pará (Coned) e na Federação de
Comunidades Terapêuticas e demais entidades não governamentais antidrogas do
Pará, funciona até hoje, liderada por seu filho Tiago Campos.
O
presidente da Alepa, deputado Márcio Miranda(DEM), que presidiu a sessão,
destacou o trabalho de todos os dez agraciados e o fato de ser a primeira
outorga da medalha do Mérito pela Vida. Elogiou a iniciativa do deputado Raimundo
Santos, Ouvidor da Alepa e presidente da Comissão de Constituição e Justiça, a
mais importante da Casa. É de autoria de Raimundo Santos tanto a criação da
Medalha quanto a sessão solene alusiva ao Dia Mundial de Combate às Drogas.
A
Pastora Heliana Ribeiro, viúva do pastor Armando Ribeiro, fez um emocionado
relato, da tribuna, acerca do drama vivido por seu marido e o trabalho por ele
desenvolvido na recuperação de moradores de rua usuários de drogas.
A
secretária de Estado Izabela Jatene, d
outoranda em Ciências Sociais pela PUC-RJ,
mestra em Antropologia e graduada em Ciências Sociais pela UFPA, de onde é
professora, ex-presidente do Comitê Gestor do Pro Paz do Governo do Estado do
Pará e Membro do Comitê Permanente da América Latina para a Prevenção do crime
e Oficial de Projetos do ILANUD/COPLAD,
recebeu
a comenda por indicação do deputado Raimundo Santos e agradeceu, da tribuna, em
nome de todos os agraciados. Lembrou que transcorria o Dia da Tolerância e
pregou o exercício da tolerância permanente, como forma de construir a paz
social. Para ela, os desafios postos envolvem a repressão, via órgãos da
Segurança Pública, de forma integrada; prevenção, com alertas de modo a
sensibilizar a sociedade; e o tratamento propriamente dito, que muitas vezes
leva uma vida inteira, de idas e vindas. Izabela pontuou que há uma verdadeira
guerra, que começa nas fronteiras, nos rios amazônicos, e que é fundamental a
integração de todas as esferas. Reconheceu que é preciso aumentar o número de
vagas para os dependentes químicos, melhorar o acompanhamento das redes assistenciais,
e destacou o papel dos Creas e Cras, que atuam junto à sociedade. “Não basta
proteger, é necessário promover. Hoje, a maior dificuldade está em identificar
o componente químico para definir que é ilegal e causa danos, as drogas mudam
de formato e cor, precisa fortalecer a rede, o Legislativo pode propor novas
inclusões. A honraria encoraja, dá força. Apesar de todas as dificuldades, é
preciso prosseguir, acreditar e agir, dar contribuição permanente”, asseverou.
Walmir
Gomes, que preside o Conselho Estadual sobre Drogas, a ong Desafio
Jovem de Belém e a Fecongad, historiou o surgimento no Brasil, no ano de
1968, em Goiânia,
da primeira comunidade terapêutica denominada Desafio Jovem, oriunda de um
movimento religioso evangélico.
Contou que o Dejobe-Pará começou na
Vigia, em um sítio emprestado, com o tratamento de cinco jovens. Em seis meses
ganhou área de 10 mil metros quadrados onde funciona até hoje. É a segunda mais
antiga do Pará; hoje existem 50 e até uma Federação das Comunidades Terapêuticas,
que ajuda a fomentar a política de acolhimento e só este ano apresentou 39
propostas para o enfrentamento às drogas, entregues no I Forum de Políticas
sobre Drogas da Assembleia Legislativa, e está trabalhando na implantação dos
conselhos municipais.
O
trabalho é desenvolvido
na rodovia do Tapanã, 571, onde uma equipe multidisciplinar desenvolve o
programa de recuperação, libertação das drogas, reconstrução dos valores
éticos, morais, culturais, sociais e espirituais, trabalhando a elevação da
auto-estima, mantendo a interação sóciofamiliar, trabalhando também a família
desgastada pelo período de drogadição.  Através das atividades
pedagógicas, terapias ocupacionais e cursos profissionalizantes, trabalha para
a capacitação, inserção no mercado de trabalho e, por fim, a ressocialização
com possibilidade de autossustentação.





Foram agraciados
com a medalha do mérito pela vida:
Izabela Jatene, 
Fecongad-Pará, pastora 
Heliana
Ribeiro, pastor 
Samuel Câmara, 
Walmir Gomes, 
Luís Santos (Mestre Rickson),

Marcus Vinícius Soares, 
Tiago Ribeiro, 
Nelcy Maranhão 
e Elizete Souza. 
O secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Michell Durans​, e o presidente da Fundação Pro Paz, Jorge Bittencourt​, participaram da sessão, na mesa oficial.

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