Publicado em: 1 de julho de 2026
A Polícia Federal cumpre desde as 6h da manhã desta quarta-feira (1°) 25 mandados de busca e apreensão, na Operação Coronéis do Xingu, que apura a atuação de organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos federais destinados à educação, abrangendo contratos administrativos firmados entre 2014 e 2024, que somam cerca de R$ 50 milhões. Na Assembleia Legislativa, o gabinete do deputado Torrinho Torres (MDB) foi alvo da PF. Seu irmão, João Cléber de Sousa Torres, ex-prefeito de São Félix do Xingu, é alvo principal. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal e têm outros alvos em São Félix do Xingu e em Belém, além de Natal (RN).
As investigações apontam direcionamento de licitações, utilização de empresas sem capacidade operacional para contratar com o poder público e desvio de recursos destinados à construção, à reforma e à ampliação de unidades escolares em São Félix do Xingu. Parte das obras teria sido executada apenas parcialmente ou não teria sido concluída.
Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro para ocultação dos recursos desviados, bem como vínculos entre o esquema investigado e o garimpo ilegal de ouro na região do Xingu. A Justiça Federal determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em cerca de R$ 3 milhões.
De acordo com a PF os fatos envolvem, em tese, os crimes de fraude em licitações e em contratos administrativos, além de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Francisco Torres de Paula Filho, o “Torrinho”, era o primeiro suplente de Igor Normando na Alepa, pelo Podemos. Assumiu a vaga temporariamente quando Igor exerceu o cargo de secretário de Estado de Articulação e Cidadania em 2023. Depois da eleição de Normando para prefeito de Belém, ele ocupa a vaga de forma definitiva até 31 de janeiro de 2027. Mudou a filiação para o MDB e, recentemente, para o Republicanos.
Torrinho e seu irmão, João Cléber, acumulam histórico de acusações por grilagem de terras e foram apontados em 2003 como suspeitos de envolvimento em uma chacina que matou sete trabalhadores rurais e um comerciante. E no triplo homicídio de uma família de ambientalistas em São Félix do Xingu: José Gomes, conhecido como Zé do Lago, sua esposa Márcia Nunes Lisboa e a filha dela, Joane Nunes Lisboa, encontrados mortos em uma área isolada da APA Triunfo do Xingu, tristemente famosa pelo elevado índice de desmatamento e conflitos agrários. No local, foram encontradas 18 cápsulas de arma de fogo.
Em nota à época, Torrinho afirmou que Zé do Lago vivia em uma área reivindicada por ele, mas que nunca tentou expulsá-lo. Também negou qualquer relação com os assassinatos. A região de São Félix do Xingu, onde ocorreram os conflitos, é conhecida por disputas de terras e episódios de violência.
O Ministério Público Federal pediu, ainda em 2023, o afastamento cautelar do então prefeito de São Félix do Xingu, João Cléber de Souza Torres, por intervir contra a retirada de invasores na Terra Indígena Apyterewa.










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