Publicado em: 5 de junho de 2026
Um movimento formado por artistas, pesquisadores, educadores, estudantes, trabalhadores da cultura e cidadãos lançou uma mobilização pública em defesa do Museu de Arte de Belém (MABE), uma das mais importantes instituições de preservação da memória cultural da Amazônia. O ato marcado para o próximo dia 7 de junho, às 11h, em frente ao museu, na Praça Dom Pedro II, na Cidade Velha, e tem como meta chamar atenção para a situação crítica enfrentada pela instituição.
O futuro do museu, instalado no histórico Palácio Antônio Lemos, edifício que integra o patrimônio arquitetônico de Belém e possui proteção legal nas esferas federal, estadual e municipal, é motivo de grande preocupação. O manifesto afirma que a preservação do espaço ultrapassa a defesa de uma instituição cultural específica e envolve a proteção da memória coletiva, da história urbana da capital amazônica e de um acervo considerado fundamental para a compreensão da trajetória social, artística e cultural do Pará.
O MABE reúne mais de dois mil bens culturais, entre pinturas, esculturas, fotografias, mobiliário, porcelanas, documentos históricos e obras de arte. O conjunto abriga registros relacionados à Belle Époque amazônica, ao desenvolvimento urbano de Belém, aos movimentos sociais, à produção artística regional e às transformações vividas pela Amazônia ao longo de diferentes períodos históricos.
O museu enfrenta um cenário de redução de sua estrutura técnica, escassez de profissionais especializados, fechamento de setores considerados essenciais, diminuição de espaços voltados às atividades museológicas e insuficiência de recursos destinados à conservação e restauração do acervo.
A mobilização destaca que esses fatores colocam em risco não apenas a integridade física das coleções, mas também a capacidade da instituição de cumprir suas funções de preservação, pesquisa, educação e difusão cultural.
O manifesto enfatiza que a fragilização de equipamentos culturais produz impactos que vão além do patrimônio material. A deterioração de obras, a perda de acervos e o enfraquecimento de instituições de memória comprometem a transmissão de conhecimentos históricos e culturais para as futuras gerações.
A campanha também procura afastar a discussão de disputas partidárias ou administrativas. O texto sustenta que o museu não pertence a governos ou gestões específicas, mas à sociedade, aos estudantes, pesquisadores, artistas e cidadãos que utilizam seus espaços e dependem de seu acervo para a produção de conhecimento e a preservação da identidade cultural.
Como parte da mobilização, os organizadores dirigem apelos a diferentes segmentos da sociedade. O documento solicita apoio da imprensa para ampliar a visibilidade do tema, convoca universidades a se posicionarem em defesa da pesquisa e da memória, pede engajamento de artistas e produtores culturais e solicita acompanhamento de órgãos de proteção patrimonial, instituições de controle e do Ministério Público.
A iniciativa pretende ampliar a participação popular. A campanha convoca moradores, movimentos sociais, entidades culturais e instituições acadêmicas a aderirem ao movimento e participarem do ato previsto para o próximo sábado. Além da manifestação presencial, foi lançada uma petição pública em defesa do museu.
O encontro será realizado em formato de abraço coletivo ao redor do prédio histórico. A proposta é transformar o ato em uma demonstração simbólica de apoio à preservação do Museu de Arte de Belém e de seu acervo.
A situação do MABE representa uma discussão mais ampla sobre a proteção do patrimônio cultural parauara e sobre a responsabilidade das atuais gerações diante da preservação da memória histórica. Nas redes sociais, foi lançada a hashtag #SalveOMABE e um abaixo-assinado reúne assinaturas de cidadãos, pesquisadores, educadores, estudantes, artistas, trabalhadores da cultura e instituições que defendem a preservação da memória coletiva amazônica. Para assinar, clique aqui.
Leia o manifesto:
Ao povo paraense.
À sociedade brasileira.
À imprensa.
À comunidade acadêmica.
Aos artistas, professores, estudantes, pesquisadores e trabalhadores da cultura.
Àqueles que acreditam que a memória de um povo merece ser protegida.
Existe um patrimônio em Belém que corre risco.
Não se trata apenas de um prédio histórico.
Não se trata apenas de um museu.
Trata-se da memória de gerações inteiras.
Trata-se da história da capital da Amazônia.
Trata-se do legado artístico, cultural e humano que ajudou a construir a identidade do Pará e do Brasil.
O Museu de Arte de Belém – MABE, instalado no histórico Palácio Antônio Lemos, guarda mais de dois mil bens culturais entre pinturas, esculturas, mobiliário, fotografias, porcelanas, documentos e obras de arte que contam a trajetória de nossa cidade, de nosso estado e de nosso povo. O acervo reúne importantes registros da Belle Époque amazônica, da formação urbana de Belém, dos movimentos sociais, da produção artística regional e das transformações da Amazônia ao longo dos séculos.
O próprio Palácio Antônio Lemos, sede do museu, constitui um dos mais importantes patrimônios históricos da Amazônia brasileira e encontra-se protegido por instrumentos de tombamento nas esferas federal, estadual e municipal.
Entretanto, o MABE enfrenta uma das situações mais delicadas de sua história.
A redução de sua estrutura técnica, a ausência de investimentos adequados, a escassez de profissionais especializados, o fechamento de setores essenciais, a perda de espaços destinados às atividades museológicas e a insuficiência de recursos para conservação e restauração colocam em risco um patrimônio que pertence a toda a sociedade.
Quando uma obra de arte se deteriora por falta de cuidados, perde-se uma parte da história.
Quando uma biblioteca fecha suas portas, perde-se conhecimento.
Quando um museu é enfraquecido, perde-se identidade.
E quando a memória desaparece, desaparece junto uma parte do que somos.
O MABE não pertence a um governo.
Não pertence a uma gestão.
Não pertence a um grupo específico.
O MABE pertence ao povo.
Pertence aos estudantes que ali descobrem a história de sua terra.
Pertence aos pesquisadores que buscam compreender a Amazônia.
Pertence aos artistas que encontram inspiração em seu acervo.
Pertence às futuras gerações que têm o direito de conhecer sua própria história.
Por isso, fazemos um apelo público:
À imprensa, para que dê visibilidade a esta causa.
Às universidades, para que se manifestem em defesa da pesquisa, da educação e da memória.
Aos artistas e produtores culturais, para que levantem suas vozes em defesa deste patrimônio.
Às instituições de proteção cultural, para que acompanhem e atuem diante da gravidade da situação.
Aos órgãos de controle e ao Ministério Público, para que exerçam plenamente suas responsabilidades constitucionais.
E à sociedade paraense, para que abrace esta causa como sua.
A defesa do Museu de Arte de Belém não é uma questão corporativa.
Não é uma disputa política.
É uma questão de responsabilidade histórica.
Somos a geração que decidirá se este patrimônio continuará vivo ou se será lembrado apenas como mais uma oportunidade perdida.
Ainda há tempo.
Tempo para restaurar.
Tempo para proteger.
Tempo para reconstruir.
Tempo para garantir que o Museu de Arte de Belém continue cumprindo sua missão de preservar, pesquisar, educar e inspirar.
Mas o tempo está passando.
E a história não perdoa a omissão diante da perda de seu patrimônio.
Convidamos todos os cidadãos, instituições, movimentos sociais, universidades, entidades culturais e veículos de comunicação a se unirem nesta mobilização.
Porque defender o MABE é defender a memória do Pará.
Defender o MABE é defender a Amazônia.
Defender o MABE é defender o patrimônio cultural brasileiro.
Porque um povo sem memória perde parte de sua identidade.
E porque a história que não é preservada deixa de existir.
O MUSEU DE ARTE DE BELÉM PEDE SOCORRO.
Belém do Pará, Amazônia Brasileira.
Assinam: Cidadãos, artistas, pesquisadores, educadores, estudantes, trabalhadores da cultura, instituições e todos aqueles que acreditam que a memória coletiva deve ser protegida.











Comentários