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Neste púlpito secular do Salão Nobre Barão de Guajará da centenária Academia Paraense de Letras, que tenho a satisfação de integrar, falo com o coração tomado por uma emoção singular e uma responsabilidade agigantada. Por deliberação plenária da instituição, coube-me a imensa honra de ser a voz, como orador oficial, de um grupo de 14 novos membros efetivos e dois membros honorários — homens e mulheres, civis e militares, mentes brilhantes e sensíveis que, a partir desta noite de gala, passam a integrar as fileiras intelectuais desta Casa de Cultura. Juntos, nós completamos as 40 cadeiras imortais da Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará, consolidando um marco definitivo na história desta instituição.


Muitos poderiam indagar as razões que trazem alguém, de formação civil, que integrou a Magistratura Trabalhista de carreira, por quase 50 anos, hoje aposentado, além de professor e compositor, a discursar numa bela cerimônia vinculada a uma corporação militar. A resposta reside no fato de que a soberania, a justiça e a arte compartilham a mesma essência: o desejo de proteger a dignidade humana.
Compatíveis e harmônicas são as relevantes atividades vinculadas à Segurança Pública e a dedicação à vida acadêmica, um dos motivos do surgimento desta Academia.


Valorizar a cultura e a memória da instituição, estimular a produção intelectual de seus membros, a Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará constitui um importante centro de criação literária e artística, que congrega militares e civis, com o propósito de fomentar a integração social, promover eventos culturais que a aproximem da sociedade, além de homenagear os destacados Patronos das Cátedras da Arcádia, notáveis personalidades históricas das letras e das artes do Pará e do Brasil.
A Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará foi instalada no último dia 25 de março de 2026, na bela solenidade realizada no Auditório do Centro Universitário Fibra, em Belém (PA), quando tomaram posse a primeira Diretoria da entidade, sob a presidência do Coronel Marcus Paulo Ruffeil Rodrigues, e os seus primeiros membros fundadores, no histórico evento coordenado e conduzido, com maestria, pelo Mestre de Cerimônias Augusto Cesar Sequeira Delgado, nosso ilustre confrade acadêmico, hoje empossado como membro efetivo, quando foi apresentada a Bandeira oficial da instituição e executado, em primeira audição pública mundial, o Hino da Academia, de minha autoria.


Hoje, no seleto rol de empossados figuram acadêmicos da mais elevada patente da Polícia Militar, do Ministério Público, da Magistratura, da Advocacia, de Universidades e Academias, estudiosos e pesquisadores da história e das ciências, da arte cerimonialista, Professores, Mestres, Doutores e Escritores, enfim, renomadas personalidades das letras e artes do Pará, vários membros de diversas outras Academias, que completam o quadro deste Sodalício.


Se nas ruas a farda da Polícia Militar do Pará atua como o escudo visível que garante a ordem e a segurança do povo paraense, nas páginas da literatura e nas notas da música nós encontramos a salvaguarda da nossa identidade, da nossa memória e do nosso civismo. Nesta investidura, uniram-se generais do pensamento, comandantes da escrita, regentes da história e guardiães da lei. Nós, os quatorze novos acadêmicos, ingressamos cientes de que a rigidez das espadas militares não anula a doçura da poesia, da música, das letras e das artes; pelo contrário, trata-se de um complemento perfeito, criando uma trincheira invencível de preservação cultural na Amazônia.


Permitam-me os meus ilustres pares um breve instante de filial e profunda comoção. Ao assumir a Cadeira nº 32, não ocupo apenas um assento acadêmico; eu me ajoelho diante do altar da minha própria história. Esta Cadeira tem como Patrono o meu saudoso pai, Wilson Dias da Fonseca (Maestro Isoca), por sugestão do nobre Presidente desta Academia, Cel. Ruffeil, ao me comunicar a aceitação de meu nome para integrar a entidade.


Santarém, minha terra natal, no Oeste do Estado do Pará, viu nascer Wilson Fonseca para a música; a Amazônia o consagrou como o tecelão de suas lendas, rios e mistérios traduzidos em partituras. Maestro Isoca compôs a vida com a mesma pureza com que regia suas orquestras e escrevia seus livros. Suceder e homenagear o seu legado artístico e literário sob o teto da Polícia Militar — instituição que tanto preza a tradição e os valores pátrios — é a prova inequívoca de que as obras que ele escreveu continuam vivas e ecoando na eternidade. Meu pai, a Cadeira 32 hoje nos une, definitivamente, sob o manto da imortalidade das Letras e das Artes.


A minha humilde contribuição para esta Casa, contudo, não se limitará a esta oração de posse. A arte tem o poder supremo de unir corações sob o compasso de uma mesma melodia. Quis o destino e a generosidade desta Academia que eu pudesse traduzir o espírito da instituição em música e letra, ao compor o seu Hino Oficial.


Daqui a instantes, as primeiras notas desta singela composição musical preencherão o recinto, interpretadas pela excelente voz do barítono Ytanaã Moraes Figueiredo, na gravação do Hino que escrevi, a pedido do preclaro Presidente da ALAPMPA, Coronel Marcus Ruffeil, graças a intermediação do insigne Presidente da Academia Paraense de Letras, Prof. Ivanildo Ferreira Alves, meu ex-aluno no Curso de Direito da Universidade da Amazônia (UNAMA). Todos também ouvirão a participação, aqui e ao vivo, do coral imprescindível de todos os acadêmicos presentes. Peço que não escutem apenas uma melodia. Ouçam o juramento cantado de 40 imortais que prometeram defender a cultura paraense. O hino é o elo definitivo que sela o casamento entre o civismo militar e o lirismo acadêmico nesta Amazônia tão rica de fauna, flora, letras e artes.


A atuação da Academia é multifacetada. Estimula policiais militares a desenvolverem pesquisas técnicas, acadêmicas e produções literárias, elevando o nível educacional e profissional dentro da corporação. Funciona como guardiã da memória da Polícia Militar do Pará, resgatando fatos históricos e a evolução da segurança pública ao longo dos séculos.


Ao abrir espaço para membros civis e promover debates públicos, como as atividades focadas no futuro da Amazônia, a instituição humaniza a figura policial e fortalece os laços de confiança e transparência com a sociedade civil.


Senhoras e senhores, assistimos hoje a um marco indelével na história desta Academia. Pela primeira vez, ergue-se o cerimonial da “Cúpula de Aço” nesta Casa do saber, um momento memorável e emocionante.


Este Teto de Espadas, tradicionalmente reservado para proteger o início de grandes jornadas, desdobra-se hoje em um simbolismo inédito e profundo: as armas que defendem a lei e a ordem elevam-se, agora, não para o combate, mas para saudar e recepcionar a inteligência, a sensibilidade e a criatividade. Sob este arco reluzente, o rigor da farda militar curva-se em reverência à alma livre da literatura e das artes.
Sob o brilho deste aço, homens e mulheres, militares e civis, caminham juntos sob a mesma abóbada de respeito mútuo. Consagra-se aqui a união indissolúvel entre a força que protege a sociedade e a cultura que humaniza o homem. Que esta nova tradição seja o escudo eterno a salvaguardar a liberdade do pensamento, a memória da corporação e o talento imortal de nossos acadêmicos.


A emoção dos novos acadêmicos na passagem pelo “Túnel de Espadas” é um símbolo poético poderoso, que sinaliza o ingresso no universo da imortalidade literária e revela que o mesmo braço que defende a sociedade é capaz de empunhar a caneta, o pincel e a batuta.


Agradecemos aos ilustres acadêmicos pela escolha criteriosa dos novos integrantes da Academia para integrarmos este Sodalício.


Um registro especial para agradecer ao nobre confrade Marcus Paulo Ruffeil Rodrigues, digno Presidente desta Instituição acadêmica, pelas amáveis palavras de saudação e acolhimento.
Homenagem afetiva – na verdade, um preito de amor – à minha querida esposa Neide, aos nossos filhos e netos, todos unidos pelos vínculos da vida, do coração, da arte e de nossas missões, sonhos e conquistas. Idêntica homenagem às famílias dos acadêmicos efetivos e honorários.


Nossa gratidão pelo comparecimento e prestígio das ilustres autoridades, convidados, amigos, queridos familiares dos acadêmicos, seus paraninfos e paraninfas, e, enfim, de todos os presentes e aqueles que manifestaram cumprimentos que muito nos honram, sempre inspirados pela mensagem do Hino oficial desta Colenda Academia, que tive o privilégio de compor e homenagear:


A nossa Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará
Valoriza a cultura
E preserva a memória,
Busca incentivar a produção do pensamento
E contribuir na difusão
Da nossa história;
Sempre em defesa do nosso Brasil,
É o nosso grande ideal!

Salve a Academia!
Fonte de saber,
Casa tão querida,
Belo florescer.
Eis o teu hino de amor
Que vamos todos cantar:
Joia da corporação,
Nosso singelo louvor!

………..

Assista o vídeo do Hino da ALAPMPA:

Vicente Malheiros da Fonseca
Vicente José Malheiros da Fonseca é Desembargador do Trabalho de carreira (Aposentado), ex-Presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Belém-PA). Professor Emérito da Universidade da Amazônia (UNAMA). Compositor. Membro da Associação dos Magistrados Brasileiros, da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 8ª Região, da Academia Brasileira de Direito do Trabalho, da Academia Paraense de Música, da Academia de Letras e Artes de Santarém, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, da Academia Luminescência Brasileira, da Academia de Música do Brasil, da Academia de Musicologia do Brasil, da Academia de Música do Rio de Janeiro, da Academia de Artes do Brasil, da Academia de Música de Campinas (SP), da Academia de Música de Santos (SP), da Academia Paraense de Letras Jurídicas, da Academia Paraense de Letras, da Academia Brasileira de Ciências e Letras (Câmara Brasileira de Cultura), da Academia Brasileira Rotária de Letras (ABROL) - Seção do Oeste do Pará, da Academia de Música de São José dos Campos (SP), da Academia de Música de São Paulo, da Academia de Música de Presidente Prudente, da Academia Brasileira de História, da Academia de Música da Amazônia, da Academia de Filosofia do Brasil, da Academia de Musicologia de São Paulo; da Academia de Musicologia do Rio de Janeiro; da Academia de Musicologia de Campinas; Academia de Música de Minas Gerais; Academia de Belas-Artes e Poesia do Estado de São Paulo; Academia de História do Estado de São Paulo; Academia Nacional das Letras do Brasil; Academia Mundial de Cultura e Literatura; Academia de Letras do Estado de São Paulo; Academia de Filosofia do Estado de São Paulo; Academia de Música de Porto Alegre; Academia de Música de Curitiba; Academia de Música do Ceará; Academia de Letras e Artes da Polícia Militar do Pará. Membro Honorário do Instituto dos Advogados do Pará. Sócio Benemérito da Academia Vigiense de Letras (Vigia de Nazaré-PA). Sócio Honorário da Academia Paraense de Jornalismo.

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