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No Pará, 4,6 mil pessoas já passaram por capacitações em tecnologia por meio do programa Computadores para Inclusão, coordenado pelo Ministério das Comunicações, que alcançou, em abril de 2026, a marca de 80 mil participantes formados em todo o país. A expansão do letramento digital no Brasil tem ganhado escala através de formação profissional e reaproveitamento de equipamentos descartados.

A proposta vai além do ensino técnico. Estruturado para atender diferentes perfis, como os de jovens em busca do primeiro emprego a adultos em processo de requalificação e pessoas idosas que desejam autonomia no ambiente digital, o programa oferece cursos gratuitos que abrangem desde noções básicas de informática até conteúdos mais especializados, como Excel, design, programação, manutenção de computadores e conserto de smartphones.

Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, o alcance da iniciativa está diretamente ligado à sua capacidade de inclusão: “é uma iniciativa que abre portas para jovens em busca do primeiro emprego; permite que adultos se reinventem e aprimorem o currículo em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo; e ainda possibilita que pessoas da melhor idade estejam inseridas no ambiente digital com mais autonomia no dia a dia, sem depender da ajuda de familiares. O programa é inclusivo e não deixa ninguém de fora da era digital”.

Um dos pilares do projeto está nos Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs), instalados em capitais e cidades estratégicas. Nesses espaços, a formação técnica é associada a práticas de sustentabilidade. Equipamentos eletrônicos descartados por órgãos públicos e instituições são recuperados por alunos em cursos práticos, especialmente na área de manutenção. Após o recondicionamento, esses computadores são destinados a escolas públicas, associações e comunidades com acesso limitado à tecnologia.

A estratégia cria um ciclo que conecta capacitação, inclusão digital e reaproveitamento de recursos, ampliando o impacto social da política pública. Ao mesmo tempo em que forma mão de obra, o programa contribui para reduzir o descarte inadequado de resíduos eletrônicos e fortalece redes locais de acesso à informação.

De acordo com o coordenador de Inclusão Digital do Ministério das Comunicações, Gustavo André Lima, a iniciativa também tem provocado mudanças individuais significativas. Ele destaca que há casos de participantes que nunca haviam tido contato com um computador e que, após a formação, passaram a atuar como multiplicadores dentro do próprio programa.

Segundo o coordenador, “hoje, é muito importante que todos saibam usar aplicativos de celular, acessar arquivos e pastas no computador e utilizar a internet de forma geral. O Brasil ainda tem regiões carentes de letramento digital. O programa busca justamente combater esse abismo digital e democratizar o acesso às tecnologias em todas as regiões, desde as mais remotas até as capitais, onde, ainda assim, há relatos de pessoas que nunca utilizaram um mouse”.

A abrangência territorial é um dos desafios centrais enfrentados pela política. Mesmo em centros urbanos, a exclusão digital ainda se manifesta, seja pela ausência de acesso a equipamentos, seja pela falta de formação adequada. Nesse contexto, o programa atua como ferramenta de inserção social e econômica, conectando populações historicamente afastadas das tecnologias às demandas do mercado contemporâneo.

Com a meta de ampliar o número de beneficiados, o Ministério das Comunicações projeta expandir a rede de capacitação e fortalecer a presença dos CRCs. A intenção é alcançar um público ainda maior, mantendo o foco na democratização do acesso digital e na geração de oportunidades por meio da qualificação tecnológica.

Foto em destaque: Shizuo Alves / MCom

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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