Publicado em: 11 de março de 2026
A Polícia Federal está investigando a trend “caso ela diga não”, nas redes sociais, que reúne conteúdos de apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres. O inquérito foi instaurado após notícia-crime da Advocacia Geral da União. Outro caso também chama a atenção das autoridades. Um dos adolescentes envolvidos no estupro coletivo no Rio de Janeiro, ao prestar depoimento na delegacia, usava uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (“Não se arrependa de nada”), expressão frequentemente associada a comunidades misóginas da internet. Em grupos virtuais, como os chamados “Red Pill”, ideias machistas circulam sob a narrativa de um suposto “despertar masculino”, influenciando percepções sobre gênero, poder e sexualidade.
Os vídeos da “caso ela diga não”, publicados no TikTok e já retirados da plataforma, mostravam jovens simulando chutes, socos e facadas contra manequins que representavam mulheres. As postagens traziam ainda mensagens que associavam a violência a situações de rejeição afetiva, com frases como “Treinando caso ela diga não”.
A AGU apontou à PF pelo menos quatro perfis responsáveis pela divulgação desse tipo de conteúdo, que compromete a proteção dos direitos das mulheres e enfraquece a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e de promoção da igualdade material.
Na abertura da sessão do órgão especial do Tribunal Superior do Trabalho, o presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, alertou sobre a disseminação de discursos de violência contra mulheres nas redes sociais, afirmando que episódios desse tipo evidenciam a necessidade de discutir mudanças culturais e possíveis formas de regulação da internet, diante do que classificou como “epidemia” – o crescimento de conteúdos que incentivam violência contra mulheres e meninas.
Não é à toa o verdadeiro massacre que acontece diariamente. É preciso agir, rápido, com eficiência e eficácia.









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