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A professora, pesquisadora e literata Josse Fares, nascida em Sena Madureira, Acre, mas parauara de coração, fez sua Páscoa nesta sexta-feira. Ícone da educação e da cultura, ela atuou 48 anos em sala de aula nos níveis médio e superior do Pará (era aposentada pelos colégios Deodoro de Mendonça e Marista Nossa Senhora de Nazaré, além da Unama), formou gerações, teve papel fundamental no ensino de literatura de expressão amazônica e sempre foi exemplo de doçura e amor ao magistério, o que só realça o seu imenso legado.

O “Acervo Josse Fares” da biblioteca central da Universidade do Estado do Pará retrata o desprendimento e compromisso de Josse Fares com a difusão do saber e da crença na educação pública de qualidade. Ela doou mil exemplares de sua biblioteca de Letras, sobretudo literatura brasileira, amazônica.

Fazem parte do acervo doado algumas joias da bibliofilia: Revista Terra de Vera-Cruz, dos estudos brasileiros do Porto, 1944; Revista Atlântida, Lisboa, 1915; Flores e Canções, de Cecília Meireles, com ilustrações e Vieira da Silva, Confraria dos Amigos do Livro; Coleção completa dos Sermões do Padre Antônio Vieira, da Lello & Irmãos, Porto; coleção da extinta revista Asas da Palavra, da graduação em Letras da Unama; Enciclopédias da Amazônia e da Literatura Amazônica, organizada por Carlos Rocque. A estante machadiana, pertencente à professora, que sempre foi leitora contumaz do autor de D. Casmurro, também integra a valiosa doação.

Ao lado do professor doutor Paulo Nunes (seu marido por três décadas), Josse Fares atuou na integração de autores amazônicos, tais como Dalcídio Jurandir, Eneida de Moraes e Haroldo Maranhão, nos currículos de ensino, promovendo uma educação contextualizada. Produziu estudos fundamentais sobre o “não lugar” das vozes literárias da Amazônia na escola, defendendo a inclusão dos saberes locais e da literatura de matriz oral.

Graduada em Letras, mestra em Teoria da Literatura pela UFPA e especialista em Literatura Brasileira pela PUC-MG, Josse publicou diversos livros de ensaios e crônicas, com destaque a De Porongas, Cestos e Palavras, editado pela Unama, 2012. Foi reconhecida como Patrona do XVIII Fórum Paraense de Letras; agraciada com a medalha do centenário de Manuel Bandeira, da Seduc, pela difusão da literatura brasileira; e com a comenda da Ordem do Mérito da Cabanagem, na categoria Mérito Especial, da Assembleia Legislativa do Pará.

Que a grande mestra descanse em paz e Deus conforte seus familiares.

Jean Paul Sartre, a literatura, ação e engajamento social

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