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Vicente Salles

Ontem à noite, o blog teve uma conversa de longo curso com o grande Vicente Salles – antropólogo, folclorista, historiador, musicólogo, pesquisador e poeta. Na verdade, mais uma audição, porque ele é um arquivo vivo do qual se bebe aos borbotões sobre todos os assuntos, tal é sua imensa bagagem cultural e tão agradável seu convívio. Ele fala baixinho, sabe ouvir e, quando abre a boca, tem um mundo de revelações a fazer.
Sabiam que foi ele a descobrir que a primeira vez que um brasileiro viu a cara do Marx, num desenho, foi num jornal do Pará, do fim do século XIX? Com paciência infinita, lendo e recortando, peregrinando pelo interior do Pará, abriu as portas da História, mapeou quilombos, organizou riquíssimo acervo de partituras manuscritas e impressas, discos, fitas, imagens, livros, folhetos e recorte de jornais.
Vicente Salles continua pesquisando e escrevendo com o mesmo cuidado, esmero e entusiasmo com que recupera velhos manuscritos para que não se percam, corroídos pela ação do tempo e pelo descaso. Sua vitalidade ímpar precisa ser aproveitada, com a publicação da sua produção.
Dica para quem quiser conhecer melhor sua obra: a Coleção Vicente Salles é referência na Biblioteca do Museu da Universidade Federal do Pará (na Rui Barbosa com José Malcher). Lá está disponível para consulta um conjunto de folhetos de cordel, paraenses e nordestinos, que tratam do folclore brasileiro, banco de partituras com cerca de 3 mil peças de compositores – verdadeiro resgate da memória musical do Estado desde 1878 -, e uma hemeroteca com quase 70 mil recortes de jornais sobre assuntos diversos, principalmente arte, música, literatura e cultura popular.

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