0

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Universidade da Amazônia promove um cortejo literomusical em Cachoeira do Arari, município do arquipélago do Marajó, neste sábado, 19. A programação, inédita e carregada de significados, reúne professores pesquisadores e alunos do Mestrado e Doutorado e é realizado pela Unama no âmbito do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação na Amazônia Legal (PDPG/CAPES).  “Trilhas do Literário” no Marajó vai vivenciar a literatura do escritor Dalcídio Jurandir em sete estações pelas ruas da cidade marajoara e é um evento aberto ao público, conta a reitora Betânia Fidalgo Arroyo, que participará pessoalmente do evento.

Documento etnográfico e sociológico, a obra de Dalcídio Jurandir (1909/1979) tem ficado à margem do cânone da literatura brasileira. O romancista, natural de Ponta de Pedras, no Marajó, é um dos maiores representantes da literatura paraense e entre seus méritos figura o de ter superado os parâmetros do regionalismo tradicional com a apresentação de temas de relevância universal. Em “Belém do Grão-Pará”, por exemplo, ele denuncia a exploração infantojuvenil em trabalhos domésticos. Em “Chove nos campos de Cachoeira”, a desigualdade social; e em “Três casas e um rio” e “Chão dos Lobos”, a grilagem de terras.

A primeira estação será no icônico Museu do Marajó, concebido pelo padre Giovanni Gallo, com a leitura das “Epístolas Poéticas” trocadas entre o grande romancista e Maria de Belém Menezes, filha de Bruno de Menezes. Haverá exposição de banners e memorial sobre a lendária Academia do Peixe Frito, além do relançamento do livro “Dalcídio, o Reinventor do Caroço de Tucumã”, do escritor, poeta, pesquisador e professor titular da Unama Paulo Nunes, que também é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Pará. A publicação, lançada durante a 25ª Feira do Livro e das Multivozes, este ano, no estande da Imprensa Oficial do Estado do Pará, traz uma abordagem científica sobre o texto literário do marajoara considerado um dos primeiros a difundir o modo de vida cotidiano das populações amazônicas. Paulo Nunes é apaixonado e grande conhecedor do tema: seu mestrado foi sobre “Chove nos campos de Cachoeira”, de Dalcídio Jurandir, e sua pesquisa já data de trinta anos.

Paulo Nunes é docente na graduação em Letras, mestrado e doutorado em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama; um dos coordenadores do Grupo de Estudos interinstitucionais Narramazônia: narrativas contemporâneas da Amazônia Paraense (UFPA/UNAMA); do projeto de Pesquisa Academia do Peixe Frito: interfaces jornalismo e literatura (UNAMA/UFPA) e, ainda, do projeto de pesquisa interinstitucional Epístolas Poéticas: a correspondência entre o romancista Dalcídio Jurandir e Maria de Belém Menezes (PPGED-CUMA-UEPA e PPGCLC-UNAMA). Pesquisador colaborador do projeto Amazônia entre Narrativas e Interculturalidade pelas Trilhas do Trem (PPGCOM-FACOM-UFPA), integra o grupo de estudos e pesquisa Makunaíma: Literatura, arte, cultura, história e sociedade na Amazônia, Brasil e América Latina (PPGLetras-UFPA), além de curador do acervo de Dalcídio Jurandir do projeto de leitura e acervo bibliográfico Moronguetá, ligado ao Fórum Landi (FAU-UFPA).

A segunda estação será no porto da cidade, às margens do rio Arari, com leitura de trechos de “Chove nos Campos de Cachoeira” e “Três casas e um rio”. A terceira, na igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, com texto e fala de Paulo Nunes, sobre Religiosidade e fé em Dalcídio Jurandir. A quarta, em frente à casa onde Dalcídio morava, com leitura de textos sobre o chalé da família de Alfredo, personagem principal de “Chove nos campos de Cachoeira” e destaque especial para Dona Amélia, sua mãe. A quinta estação será na escola estadual José Rodrigues Viana, sobre Pedagogia das ruas e educação formal, com leitura do texto prefácio “Primeira Manhã”, de Paulo Nunes. A sexta estação será na Porteira da Fazenda, com leitura de trechos de “Chove nos campos de Cachoeira”. A sétima será o encerramento da programação, com apresentação cultural do grupo Acauã.

Uma república proclamada por um negro monarquista

Anterior

Amazônia reivindica sediar a COP

Próximo

Vocë pode gostar

Mais de Notícias

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *