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Pela primeira vez na história de Portugal, o cargo de representante da República será ocupado por uma mulher. O presidente português António José Seguro nomeou hoje a historiadora professora doutora Susana Goulart Costa para representar a República nos Açores. O juiz desembargador Paulo Duarte Barreto Ferreira irá exercer a mesma função na Madeira.

O modelo constitucional português designa um representante da República em cada região autônoma, nomeado pelo chefe de Estado após consulta ao Governo. Com mandato coincidente ao presidencial, a função concentra atribuições relevantes no sistema político-administrativo, como a promulgação de decretos legislativos e regulamentares regionais, o exercício do direito de veto e a possibilidade de solicitar ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva de normas aprovadas nos parlamentos regionais.

Natural de Angra do Heroísmo, Susana Goulart Costa chega ao cargo com uma trajetória robusta no ensino superior e na investigação científica. Professora associada com agregação na Universidade dos Açores, integra também o CHAM – Centro para as Humanidades da Universidade NOVA de Lisboa em parceria com a Universidade dos Açores, onde atua como pesquisadora e ocupa a função de diretora adjunta. Na universidade açoriana, dirige o Departamento de História, Filosofia e Artes.

Sua formação inclui licenciatura em História pela Universidade de Lisboa e doutorado pela Universidade dos Açores, concluído em 2004, com estudo dedicado às práticas religiosas na ilha de São Miguel no século XVIII. Desde então, percorreu toda a carreira docente, iniciando como assistente, passando por professora auxiliar e alcançando o título de professora associada com agregação, obtido em 2017.

No campo da pesquisa, sua atuação se concentra na história religiosa dos Açores e no patrimônio cultural. Atualmente, coordena o projeto DIO 500 – História Religiosa dos Açores, desenvolvido em parceria com o Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, que investiga a trajetória da Diocese de Angra do século XV até o presente, como parte das comemorações dos 500 anos da instituição, que acontecerá em 2034.

Também lidera o projeto My Time – Tourism and Digital Heritage, financiado pelo programa ACORES2030-FEDER, voltado à análise do patrimônio conventual do arquipélago, com ênfase em abordagens digitais. Em paralelo, coordena a Cátedra UNESCO “Patrimónios Atlânticos e Insularidades”, reconhecida em 2025.

A trajetória institucional inclui ainda a vice-presidência da Assembleia Geral do CHAM, a vice-direção do CHAM Açores e a integração da Comissão Científica da Paganini European Route. Entre 2018 e 2020, representou a região no Conselho Consultivo da Comissão Nacional da UNESCO e na Rede Ibérica de Artes e Ofícios da Arquitetura Tradicional, além de ter exercido função de direção em estrutura governamental regional.

A nomeação de Susana Goulart Costa, depois de 115 anos da implantação da República em Portugal, rompeu, finalmente, com uma ocupação exclusiva masculina na função.

Na Madeira, o nome escolhido foi Paulo Duarte Barreto Ferreira, magistrado com longa carreira no sistema judicial. Natural do Funchal, nasceu em 1962 e ingressou no Centro de Estudos Judiciários em 1987. Atuou em diversas comarcas, incluindo Graciosa, Coruche, Seixal, Albergaria-a-Velha, Funchal e Lisboa, consolidando experiência na primeira instância.

Entre 2014 e 2020, foi juiz presidente do Tribunal Judicial da Comarca da Madeira. Desde 2010, integra o Tribunal da Relação de Lisboa, onde exerce atualmente suas funções.

Foto em destaque: Agência de Promoção da Cultura Atlântica (APCA) / Reprodução

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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