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Soure e as feridas da cidadania

Soure, considerada a “capital do Marajó”, enfim está mais calma, depois do levante popular de sexta-feira. O procurador de justiça Nelson Medrado está na cidade e anunciou que vai ficar até finalizar a auditoria nas contas da prefeitura, que começa amanhã cedo, os vereadores vão abrir também amanhã, em sessão da Câmara Municipal, às 9h, o processo de cassação do prefeito João Luiz Melo(PT), e o secretário de Estado de Segurança, Luiz Fernandes, junto com uma equipe de delegados e policiais civis e militares, comanda pessoalmente os reforços, equipados com helicóptero e viaturas, para manter a ordem no município. O governador Simão Jatene quer se encontrar com o bispo do Marajó, Dom José Luiz Azcona, e uma comissão representativa da sociedade, a fim de tratar das reivindicações. O bispo sugere que a reunião seja na quarta-feira à tarde, e aguarda confirmação da agenda.

Dom Azcona fez um apelo à população enfurecida em favor da paz social. Após fervorosa oração, pediu que todos “cuspissem” e “vomitassem” o ódio e a agressividade, e renunciassem à violência. Emocionado, o religioso relatou ao blog que considera ter sido um milagre que, na escuridão da noite, com mais de duas mil pessoas desarvoradas nas ruas, não tenha acontecido um banho de sangue em Soure.  “Só a mão de Deus! Aquela ruptura poderia significar guerra e morte”, exclamou, contando que havia gente armada e bêbada infiltrada no movimento e uma pessoa foi baleada na perna, sem gravidade, atingida pelo disparo de alguém do grupo do prefeito, que teve sua casa depredada, assim como o secretário de Obras e vários vereadores. 

Comparando a revolta do povo à Cabanagem, o bispo historiou que eram 2:30h da madrugada de sábado quando a tropa de choque chegou à cidade, depois de “uma noite demoníaca”, e por volta das 15h os vereadores receberam a denúncia formal e concordaram em abrir processo de cassação do prefeito, que não vem prestando contas de sua gestão ao Poder Legislativo, como manda a Constituição, além de outras ilegalidades. Dos nove que integram a Câmara, três edis foram sorteados para compor a comissão encarregada dos trabalhos.

Além do advogado do prefeito, quando estava em reunião no gabinete, tentando intermediar uma solução ao impasse, Dom Azcona descreveu como um dos secretários do prefeito dirigiu-se a ele, aos gritos, dizendo “O Sr. está rasgando a Constituição Federal do Brasil, o Sr. é inimigo da Constituição, o  Sr. é responsável por isto. E com a igreja católica cheia de pecadores e os escândalos da igreja na Irlanda,  que autoridade moral o Sr. tem para tirar o prefeito?

Dom Azcona respondeu “Estou realizando um ato de cidadania. Não estou rasgando a Constituição, muito ao contrário, estou ajudando a costurar os direitos fundamentais. Nos cinco primeiros artigos a Constituição fala dos direitos humanos, dos direitos sociais. Eu poderia processar o Sr. por injúria, mas não vou fazê-lo. A igreja tem pecadores, mas isso não tira a minha autoridade moral.  Eu estou aqui para que a Constituição se cumpra de verdade.” Nesse momento outro secretário do prefeito avançou ameaçadoramente na direção de Dom Azcona, e foi quando o povo começou a gritar que estavam agredindo o bispo, o pároco da cidade foi imediatamente ao local apoiar Dom Azcona, e a major comandante do destacamento da PM local temeu pela vida de todos que estavam lá e articulou a retirada do prefeito e sua equipe. 

Dom Azcona deu prova de grandeza ao servir de escudo humano ao prefeito. Foi ele, aos 75 anos, depois de ter sido ofendido e estando sem se alimentar o dia inteiro, o atingido por ovos e objetos contundentes no peito, lançados pela multidão para proteger o prefeito, que assim foi conduzido são e salvo até seu carro e de lá seguiu para lugar incerto e não sabido. E ficou em vigília noite afora, até de madrugada, quando chegou a tropa de choque da PM, acordado e rezando, tentando acalmar a turba. 

Depois de acontecimentos tão tristes, que Soure reencontre a paz e exerça a cidadania em sua plenitude!

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