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Cresci ouvindo sobre a genialidade de Sebastião Tapajós. Em minhas famílias, todas com raízes pelo Tapajós e Trombetas, ele sempre foi unanimidade. E não tinha como não ser. Com sua guitarra amazônica, extensão de seu próprio ser, era sublime. A delicadeza daquelas cordas nos arrancava todo o encantamento que só a música feita com o coração é capaz e qualquer melodia virava um grande concerto. Sem a guitarra era desconcertante, por sua simplicidade, pelo respeito e carinho que tratava a nós, músicos mais jovens.

Esta foto é um registro disto. Era uma sessão solene, de encerramento de ano da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, e eu e a Leandra Vital fomos chamadas para tocar em homenagem aos agraciados com os títulos de honra ao mérito. Uma dessas pessoas era o Tião. Que nervoso – pensei – cantar pra um músico daquele calibre. Pois bem, era hora, e quando me posicionei naquele palco improvisado para começar, não o vejo. Ué. Canto a primeira estrofe da primeira canção, olho de rabo de olho para a Lê et, voilà: lá estava ele, sentadinho ao lado dela, virando a partitura! Ao final de tudo, quando abri a boca para agradece-lo e pedir uma foto, ele foi mais rápido: “bora tirar uma foto nós três”?

Eu tinha o sonho de um dia cantar com ele, sonho que ele tão gentilmente endossava. Não deu tempo. Um dia desses minha mãe me telefonou toda feliz porque iria recebe-lo em casa para almoçar. Invejei o peixe com farinha e pimenta, porém invejei mais ainda as boas gargalhadas e as memórias inesquecíveis que um convívio daqueles resulta. Fico feliz que ela tenha se despedido de seu grande ídolo da melhor forma.

Uma estrela como a de Tião não se apaga. Ele agora é Encantado e seu violão canta para sempre em nossas almas. Obrigada por tudo, mestre.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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