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Adeus a Sebastião Tapajós

O violonista e compositor santareno Sebastião Pena Marcião, o Sebastião Tapajós, de renome planetário, se foi hoje, deixando em todos os que amam a música um imenso luto. Seu corpo está sendo velado na Casa da Cultura de Santarém. A última apresentação que fez em festival de música foi em agosto, em Belém, no Tapajazz, idealizado e promovido por seu amigo e produtor cultural, Guilherme Taré. Nos oito anos de realização do evento, Sebastião Tapajós foi o patrono e estrela maior.  Este ano, parecia que os músicos estavam fazendo a despedida. Foram três noites de emoção transbordante. Logo na abertura, o pianista, maestro e compositor carioca Gilson Peranzzetta, que formou um duo de muito sucesso nos anos 1980 e 1990 com Sebastião Tapajós, quando gravaram CDs e fizeram turnês pelo Brasil, Europa e Japão e gravaram em trio, incluindo Hermeto Pascoal, até Sebastião voltar a morar em Santarém, já na década de 2000, passou o tempo todo rememorando os fortes laços de amizade. No palco, Peranzzetta foi às lágrimas e emocionou a todos ao dizer de sua imensa gratidão a Sebastião Tapajós, por todas as oportunidades que lhe proporcionou. Também o contrabaixista Ney Conceição contou – e ficou gravado em podcast – o quanto Sebastião Tapajós o incentivou a compor e mostrar seu trabalho autoral, no início da carreira.

Como todo gênio, Sebastião Tapajós era de simplicidade desconcertante e um carisma que atraía a todos ao seu redor. Sua luz não era ofuscante, ele tinha sempre postura humilde e fazia questão de enxergar e divulgar o que de melhor havia nos outros. Tive a honra e felicidade indizível de receber o grande artista em um almoço de longo curso, junto com os demais músicos do Tapajazz 2021. Ele caminhava com dificuldade, estava se preparando para a cirurgia da qual não conseguiu se recuperar. Mas passou o tempo todo sorrindo, brincou e se divertiu com as presepadas à mesa. Infelizmente o tão sonhado concerto com a Gabriella Florenzano não foi possível concretizar.

Sebá, Tião, Babá, como se deixava apelidar o amado, respeitado e admirado artista, nasceu em 1943. O lendário violonista, que parecia ter vinte dedos em cada mão, tal o seu impressionante talento, começou a tocar violão com seu pai, na infância, e aos dez anos de idade já tocava profissionalmente no conjunto Os Mocorongos. Aos 15 anos mudou-se para Belém, onde estudou com o professor Ribamar e o professor Drago (teoria musical e harmonia). Em 1963, passou um mês no Rio de Janeiro, onde teve aulas intensivas de técnica violonística com o professor Othon Salleiro. Em 1964, foi estudar na Europa.

Formado pelo Conservatório Nacional de Música de Lisboa, em Portugal, estudou guitarra com Emilio Pujol e cursou o Instituto de Cultura Hispânica, na Espanha, e fez vários recitais nos dois países. De volta ao Brasil, recebeu, por decreto, a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, onde lecionou até julho de 1967. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro CD solo “Violão e Tapajós”. Passou a residir no Rio de Janeiro, dedicando-se à pesquisa de música popular e folclórica.

Em 1970 fez turnê pela Argentina e gravou, até 1974, uma série de oito discos. Em 1971, com Paulinho da Viola e Maria Bethânia, fez turnê pela Europa que resultou na gravação de um LP. Dois anos depois, seguiu em turnê solo pelo mesmo continente, gravando na Alemanha o LP “Bienvenido Tapajós”. Em 1974, gravou o LP “Guitarra Fantástica”, contemplado com o prêmio do Disco Estrangeiro Mais Vendido no Ano pela RCA da Alemanha. Ainda na década de 1970, lançou os LPs “Guitarra Latina” (1975), “Terra” (1976), “Clássicos da América do Sul” (1977), “Guitarra & amigos” (1977) e o premiado “Xingu” (1979), disco até hoje em catálogo, relançado em vários países, incluindo o Japão.

Em 1979, começou a levar como convidados para seus shows na Europa artistas brasileiros, como Maurício Einhorn, Joel do Bandolim, os percussionistas Pedro Sorongo e Djama Correia e o Zimbo Trio. Em 1982, gravou o LP “Sincopando”, com o Zimbo Trio. Esse mesmo disco foi lançado pelo selo do Zimbo Trio no Brasil com o nome “Zimbo Trio convida Sebastião Tapajós”. Ainda em 1982, lançou o LP “Guitarra Criolla”, pelo qual recebeu, na Alemanha, o Grande Prêmio do Disco do Ano. Em 1984, lançou, com Maurício Einhorn, o LP “Todos os sons”.

Dois anos depois, lançou os LPs “Visões do Nordeste” e “Painel”. Interpretou todas as obras de Villa-Lobos para violão, registrando 15 músicas do compositor em um LP lançado, em 1987, pela L’art. Gravou, em 1988, o LP “Lado a lado”, com Gilson Peranzzetta, e, no ano seguinte, os LPs “Brasilidade”, com João Cortez, e “Terra Brasis”, este último contemplado com o prêmio de Melhor Disco Estrangeiro, na Alemanha.

Em 1990 lançou, com Gilson Peranzzetta, o disco “Reflections”. Dois anos depois, foi contemplado pela Academia Brasileira de Letras com o prêmio de Melhor Músico Brasileiro. Entre 1990 e 1996, gravou uma série de discos pela L’art, entre os quais os CDs “Romanza” e “Visões do Nordeste”. Em 1997, lançou os CDs “Afinidades”, com Gilson Peranzzetta, “Amazônia brasileira”, com Nilson Chaves, e “Ontem e sempre”.

No ano seguinte, lançou os CDs “Da minha terra”, com Jane Duboc, e “Sebastião Tapajós interpreta Radamés Gnattali e Guerra-Peixe”, aclamado pela crítica especializada. Em 1999, gravou com Gilson Peranzzetta o CD “Do meu gosto”, com músicas de Hamilton Costa. Entre 1998 e 2001, seus estudos dos ritmos da Amazônia resultaram na criação de quatro CDs independentes: “Encontro com a saudade”, “Instrumental caboclo” (trilha sonora do filme “Lendas amazônicas”), “Solos da Amazônia” e “Solos do Brasil”, este último em parceria com Hermeto Pascoal e Gilson Peranzzetta.

Em 2000 gravou, apenas com seu instrumento, o CD “Acorde violão”, no qual registrou obras de Cartola, Ary Barroso e Pixinguinha, entre outros. Em 2002, lançou o CD “Choros e valsas do Pará” e excursionou pela Europa. Ao longo de sua carreira, Sebastião Tapajós tocou ao lado de Hermeto Pascoal, Baden Powell, Sivuca, Gerry Mulligan, Oscar Peterson, Paquito D’Rivera e Astor Piazzolla, entre tantos artistas renomados.

Em 2005, estreou, ao lado da bailarina Carmen Del Rio, o espetáculo “O Violão e a Bailarina”, no Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro. O show contou com a participação especial de Ney Conceição. Além de sua obra como Instrumentista, é autor de várias canções, em parceria com Marilena Amaral, Paulinho Tapajós, Billy Blanco, Antonio Carlos Maranhão, Avelino Du Vale e outros compositores. Constam da relação dos intérpretes de suas canções Emílio Santiago, Miltinho, Pery Ribeiro, Jane Duboc, Maria Creuza, Fafá de Belém, Nilson Chaves e Ana Lengruber.

Em 2010 atuou como diretor artístico e produtor musical no CD “Cristina Caetano interpreta Sebastião Tapajós e Parceiros”, lançado pelo selo Alter do Chão. No ano de 2011 produziu e lançou os CDs “Cordas do Tapajós” e “Conversas de Violões”, em parceria com Sérgio Ábalos.  Em 2012 lançou o CD “Suíte das Amazonas” e remasterizou o LP “Painel” (1986).  Em 2013 lançou o CD “Da Lapa ao Mascote”. No mesmo ano lançou o DVD “Sebastião Tapajós e amigos solistas”. Ainda em 2013 recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Pará (UEPA), e o mesmo título da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). Em 2017, em comemoração aos seus 75 anos de idade, foi fundado em Santarém o Instituto Sebastião Tapajós. A iniciativa partiu de amigos do músico, para perpetuar a sua obra e também de outros artistas locais e do Brasil, além de atividades educativas.

Um ser tão iluminado certamente está no céu a brilhar com máxima intensidade. Ave, Sebastião Tapajós! Presente!

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