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Jamari, uma das comunidades quilombolas do território do Alto Trombetas II, em Oriximiná, fornecedoras do óleo-resina orgânico de copaíba, recentemente foi auditada para garantir a origem orgânica do produto. Na ocasião, os processos de coleta e armazenamento da copaíba foram examinados detalhadamente, até a rastreabilidade realizada pela Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora), responsável pela comercialização. O selo orgânico agrega valor significativo ao produto, além de promover práticas sustentáveis.

As comunidades enfrentam desafios e oportunidades únicas na produção de copaíba. Localizadas em áreas remotas, elas desenvolveram métodos de coleta que respeitam a floresta e mantêm a biodiversidade. A produção de copaíba no território vai além de apenas uma fonte de renda, é também uma forma de conservação ambiental e manutenção da cultura local.

A auditoria envolveu representantes da Coopaflora, Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Alto Trombetas – ACRQAT, a empresa Beraca – a Clariant company group, Ecocert e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Sociobiodiversidade (ICMBio), acompanhados pelos analistas do programa Florestas de Valor, iniciativa do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

O Florestas de Valor tem atuado como ponte entre as comunidades locais e o mercado, oferecendo apoio e assessoria contínuos. Desde 2012, o instituto tem se envolvido em múltiplas facetas da produção de copaíba, incluindo o treinamento em boas práticas de coleta, mapeamento de áreas potenciais para coleta na Floresta Nacional Saracá-Taquera, por exemplo, assistência na composição de preços, e identificação de oportunidades de mercado. A mudança significativa veio com a introdução da copaíba orgânica em 2017. A Ecocert, empresa certificadora, conferiu a certificação a grupos das comunidades Curaça-Mirim e Jamari. O Imaflora tem ajudado a Coopaflora a se preparar para a certificação, o que poderia potencialmente ampliar o número de coletores e mercados acessíveis.

Um dos principais desafios é a adequação às rigorosas normas estabelecidas para a coleta e armazenamento da copaíba. Além disso, o custo associado à obtenção e manutenção do certificado orgânico representa uma barreira significativa, especialmente para pequenos produtores. Atualmente, a certificação orgânica para a copaíba em Oriximiná é limitada a grupos específicos, devido aos custos associados e à capacidade de gerenciamento. “A Beraca, uma das principais compradoras, financia a certificação, mas os recursos são limitados, o que restringe a expansão para outras comunidades”, destacou Mateus. A proposta em discussão é que a Coopaflora assuma a responsabilidade pela certificação, ampliando a participação de mais coletores e diversificando os mercados.

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