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Prática de estelionato amoroso dispara

Lançado pela Netflix, o filme “O Golpista do Tinder” conta a história real do israelense Shimon Hayut, que se apresentava como o milionário russo Simon Leviev. Em seu perfil, eram frequentes as fotos de viagens e jantares caros, sempre com muito estilo. Encarnando um verdadeiro príncipe encantado, o homem era, na verdade, um golpista hábil em criar situações para que várias mulheres transferissem para ele altas quantias de dinheiro. Ao todo, Hayut arrecadou mais de US$ 10 milhões.

A prática desse crime, estelionato amoroso, aumentou muito durante a pandemia, em razão da fragilidade emocional das pessoas. Em grande parte, os autores são estrangeiros que, a partir de sites de relacionamento ou redes sociais, estabelecem relação supostamente amorosa, iludindo sentimentalmente as vítimas. Com o tempo, começam a pedir ajuda financeira, prometendo recompensa ou ressarcimento futuro. As redes sociais facilitam a captação de alvos. As pessoas costumam expor muito a própria vida. Os criminosos via de regra usam fotos e nomes falsos. Dizem que estão ‘bem de vida’ e com boas profissões. Porém, colocam mil desculpas para não ver a companheira pessoalmente. Eles envolvem a vítima para que ela acredite que está em um namoro e, assim, conseguir vantagem indevida.

O perfil desses bandidos é estudado pelas ciências criminais: costumam agir em sequência, têm histórico de relacionamentos, facilidade de comunicação oral e, não raro, se mostram bem vestidos. Buscam geralmente mulheres a partir dos 40 anos, que aparentam estar sozinhas ou com problemas emocionais. Não há uma estatística específica para essa modalidade do estelionato. Qualquer pessoa pode ser vítima, mas os criminosos preferem aquelas em situação de vulnerabilidade, como idosos, viúvos, pessoas com deficiência ou acometidas por alguma doença ou transtorno de saúde mental. Estes bandidos também miram minorias sociais, como mulheres, negros e população LGBTQIA+.

A quem descobre estar sendo vítima de um aproveitador mas o golpe ainda não foi concluído, especialistas recomendam que trabalhe a inteligência emocional e se for mulher procure uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), já que o estelionato sentimental está na seara das violências cometidas contra esse público – para que a polícia possa fazer o que chama de “flagrante esperado” — quando policiais acompanham a vítima para evitar que o crime seja cometido e prendem o criminoso. Jamais deve ser dito ao autor que ele foi descoberto.

O crime de estelionato pode ter repercussões criminal e civil. Isso significa que o golpista pode ser preso e ainda ser acionado judicialmente por danos morais e materiais.

A orientação da Polícia Civil é nunca acreditar no que se vê em fotografias ou na troca de mensagens. As pessoas inventam coisas absurdas, e o recomendado é sempre duvidar. Mesmo que tenha chamada de voz, isso não é suficiente. Em casos pela internet, fazer videochamadas pode ser uma saída para ver se a pessoa é real. Outra medida é nunca fazer pagamento de boletos, compartilhar dados pessoais, senhas. Cada um deve gerir sua própria vida financeira.
Existem casos em que o suspeito diz que vai mandar um presente para vítima e pede o pagamento de uma taxa alfandegária [para envio internacional]. Ora, se alguém diz que vai dar algo e cobra, há 99% de chance de ser um golpe. Os parceiros podem verificar dados um dos outros, como checar a certidão de antecedentes criminais. O serviço está disponível nos sites de tribunais.

As vítimas precisam ter coragem de denunciar. Após perceber ter sido enganada e com prejuízo financeiro, normalmente a mulher sente vergonha em denunciar, com receio de ter sua intimidade exposta, mas não deve sentir vergonha por ter sido enganada. Pode fazer registro de BO pela delegacia virtual.

De maneira geral, o estelionato encontra terreno fértil na paixão e em relações abusivas. É importante saber reconhecer sinais de um relacionamento tóxico, como, por exemplo, situações em que existe temor da forma como a pessoa reagirá caso a vítima negue algo. É difícil falar não, especialmente para quem se ama. Por isso é importante estar atento se a relação é de manipulação. Quando o parceiro não fala a verdade, não apresenta para familiares e amigos dele e faz falsas promessas, é um péssimo sinal. Se priva da liberdade de ver amigos e familiares, se restringe o contato da parceira com o mundo externo, muitas vezes são meios que estelionatários utilizam para exercer o controle sobre suas vítimas e evitar que quem as ama de verdade ajude-as a ver indícios de abuso no relacionamento.

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