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Raquel de Queiroz, se estivesse ainda neste plano, completaria 112 voltas ao redor do sol hoje. A escritora, jornalista e dramaturga cearense, que viveu em Belém e no Rio de Janeiro quando era criança, fez história ao ser a primeira mulher imortal da Academia Brasileira de Letras, em 1977, e também a primeira a ser agraciada com o Prêmio Camões, em reconhecimento da importância do conjunto de sua obra para a língua portuguesa, em 1993. Foi consagrada pela crítica e premiada já por seu primeiro romance publicado, O Quinze, quando tinha apenas dezenove anos. Ao longo de sua vida, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará, da Universidade Estadual do Ceará, da Universidade Estadual Vale do Aracaú e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Em 1937 foi presa durante três meses por causa de sua militância pelo Partido Comunista e, no mesmo ano, lançou O Caminho de Pedras que realça a participação feminina na vida pública. Queiroz também integrou o quadro de sócios efetivos da Academia Cearense de Letras, foi delegada do Brasil na Comissão dos Direitos do Homem na 21ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 1966, foi membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará e do Conselho Federal de Cultura, na totalidade da existência deste, de 1967 a 1989. Admitia, publicamente, preferir a profissão de jornalista do que a de escritora literária e para a pergunta do porquê continuar a escrever literatura, respondeu: “Você já ficou grávida? Quando se fica grávida é imperativo parir”.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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