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O banho de sangue pela posse da terra

A Ong Repórter Brasil colheu os relatos de duas testemunhas da tragédia em Pau D’Arco e teve acesso ao depoimento de um terceiro sobrevivente. Todos foram ouvidos pelo Ministério Público Federal, que já interrogou seis de quinze sobreviventes. Há dois considerados desaparecidos. Os relatos são fortes. Os posseiros relatam terem visto o comboio da polícia chegando, de longe, e corrido para se esconder na mata fechada. E que quando eles abriram uma lona preta para se proteger da chuva, a polícia os surpreendeu, aos gritos de: “É a polícia, porra. Quem correr, morre“. Um deles diz que se arrastou pelo chão e ficou deitado dentro da mata a cerca de 70 metros de onde houve o tiroteio. Ele conta ter ouvido os policiais agredindo os trabalhadores com chutes, aos gritos de “vira para cá, vagabundo, cadê os outros?” De acordo com os relatos, a maioria das vítimas tombou logo na chegada da polícia. Os que ficaram vivos teriam sido executados à queima-roupa.

O estopim do conflito sangrento teria sido o assassinato de um segurança particular da fazenda ocupada, além da morte de um policial militar em outra fazenda da região, recentemente. Conforme a Comissão Pastoral da Terra, essas mortes geraram uma reação forte do setor agropecuário e indignação entre os policiais. A CPT já vinha chamando a atenção das autoridades e da sociedade para a grande vulnerabilidade dessa área: só no sul e sudeste do Pará há mais de 150 fazendas ocupadas por famílias sem-terra. 

Das dez pessoas mortas na fazenda Santa Lúcia,
três eram acusados de, junto com outros, matar em uma emboscada a fazendeira Iraildes em 2003, no município de Bannach: Antônio Pereira Milhomem, conhecido por Tonho ou Toinho; Ronaldo Pereira de Sousa, o Lico, irmão de Tonho, e Wclebson Pereira Milhomem, vulgo Kleber, sobrinho de Lico.

Dias antes das mortes na fazenda Santa Lúcia, Tonho aparece segurando uma pistola e ameaçando os seguranças em uma filmagem que circulou nas redes sociais. Ele e o sobrinho Wclebson foram denunciados e iriam a júri popular no fórum de Rio Maria pelo crime contra a fazendeira Iraildes. Na quarta-feira, os policiais tinham ido cumprir um mandado de prisão preventiva contra Tonho, Lico e a esposa Jane Júlia. Wclebson tinha sua prisão preventiva decretada. 

De acordo com o relatório anual do Centro de Justiça Global, no documento “Direitos Humanos no Brasil 2003”, veiculado pela Ong Observatório da Segurança, na época o bando invadiu a fazenda de Iraildes com o objetivo de tomar suas terras, atirou nas mãos do segurança que trazia a fazendeira na garupa da moto, e quando ele parou os posseiros já foram alvejando a senhora, que dias antes havia denunciado que estava sendo perseguida. 

A chacina em Pau d’Arco aconteceu um dia após o Conselho Nacional de Direitos Humanos, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e outras 18 entidades do poder público e da sociedade civil terem realizado, na sede da Procuradoria Geral da República, em Brasília, um grande ato em defesa de direitos e contra a violência no campo. 

Dados da CPT apontam que 2016 teve registro recorde no número de conflitos no campo: foram 61 assassinatos de trabalhadores rurais (o dobro em relação à média dos últimos dez anos) e 1.536 conflitos, envolvendo 909.843 famílias. O ano de 2017 já revela a intensificação dos conflitos. Só nos nestes primeiros cinco meses já foram registrados 26 assassinatos em decorrência dos conflitos agrários no Brasil – número duas vezes maior que o registrado no ano passado para o mesmo período. Outros seis casos também estão sob investigação e ainda não foram inseridos no banco de dados da Pastoral. Com as mortes em Pau d’Arco, a violência no campo em 2017 já pode ser apontada como a maior do período em todo o registro histórico já feito pela CPT ao longo dos últimos 25 anos.

Esses casos aterrorizam ainda mais pelo nível de crueldade. No ataque aos Gamela, um indígena teve as mãos decepadas e ferimentos graves à altura dos joelhos, e outro uma das mãos praticamente decepada. Em Colniza(MT), uma pessoa foi degolada e outras mortas depois de sofrerem tortura. O militante do MST Etevaldo Soares Costa, assassinado no dia 5 de maio de 2017 na fazenda Serra Norte em Eldorado do Carajás(PA), teve os dedos cortados, as pernas cortadas em quatro partes, os olhos furados, e foi colocado num saco plástico e jogado fora da área da fazenda.

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