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O prédio histórico situado no centro comercial de Vigia de Nazaré, que estava fechado desde 2016, quando a prefeitura encerrou as atividades do Museu e da Biblioteca Municipal “Alves de Souza”, criada por lei municipal em 1977 quando o escritor e professor José Ildone Favacho Soeiro era o prefeito, foi completamente restaurado e devolvido à população.

O acervo do museu se deteriorou no prédio fechado e cheio de goteiras e infiltrações, e o da biblioteca, depois de peregrinar por vários prédios, foi dispersado e se perdeu. Com a revitalização do edifício, a biblioteca vai ser reimplantada num espaço com dois pisos que somam 134 metros quadrados de área útil e a área livre (antigo quintal) será aproveitada como espaço cultural e também gourmet. Na cerimônia de entrega pelo governador Helder Barbalho e o prefeito Job Jr., José Ildone, que é poeta e membro da Academia Paraense de Letras, ganhou assento de destaque.

O projeto de restauro, do escritório do arquiteto Aurélio Meira, de Belém, aproveitou o auditório original, que foi mantido, e criou um ambiente administrativo. O acesso de pessoas com necessidades especiais foi facilitado com a instalação de duas plataformas elevatórias. A obra foi custeada com recursos de convênio da prefeitura com a Secretaria de Estado de Turismo, que transferiu R$ 500 mil de uma emenda parlamentar destinada ao projeto em 2021 pelo então senador do PT, Paulo Rocha. A prefeitura entrou com a contrapartida de mais R$600 mil. Os serviços de engenharia foram executados pela GM Engenharia Empreendimentos, empresa especializada em restauro e reforma de prédios históricos, e que em Vigia executou a obra da Igreja Matriz.

Um Grupo de Trabalho assumirá a gestão da reimplantação do museu e da biblioteca. O prefeito também encaminhou à Câmara dois projetos de lei: um que cria o Museu de História e Arte da Vigia e outro que reformula lei 04 de julho de 1977, que criou a Biblioteca, cujo patrono continuará a ser Antônio Augusto Alves de Souza, jornalista, político e poeta vigiense que fez carreira na imprensa de Belém e Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX.

O patrono do museu será o Barão de Guajará – Domingos Antônio Raiol, intelectual vigiense que se revelou grande jurista, parlamentar, executivo do império e historiador, autor de obra seminal sobre a história do Pará, “Motins Políticos”. Centrada na Cabanagem, conta um capítulo portentoso dos acontecimentos, quando Raiol tinha apenas cinco anos de idade e viu seu pai, o vereador Pedro Raiol, ser assassinado na tomada da vila pelos cabanos no dia 23 de julho de 1835.

“O Museu Municipal é localizado na Rua Noêmia Belém, e ali funcionou o primeiro Grupo Escolar da Vigia, depois Grupo Escolar “Barão de Guajará”, instalado em 15 de agosto de 1901. Foi a escola de maior prestígio nesta região, na primeira metade do século XX.  Era residência da família de Cleofás Finelon, avô do pianista Paulo José Campos de Melo, ex-superintendente do Conservatório Carlos Gomes. O prédio foi adquirido em 1900 pelo governador Augusto Montenegro, revela o poeta e memorialista Raul Lobo, membro fundador e presidente da Academia Vigiense de Letras.

“Vigia é uma das cidades mais antigas da Amazônia e, aos seus 408 anos, a reconstrução do Museu é fundamental para preservar a história e a memória, incentivar o turismo, a economia e a cultura do município. Esta obra vai nos permitir fazer eventos constantes e não somente periódicos”, prometeu o prefeito Job Jr.

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