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Em uma aula prática da Faculdade de Medicina da Unifamaz, ontem, o professor Marcus Vinícius Henriques de Brito, visivelmente impaciente com a aluna que deveria demonstrar intubação em um boneco, questionou a falta de lubrificação prévia do paciente, ao que a estudante redarguiu, confirmando se era necessário, e ele respondeu de forma grosseira e totalmente inadequada a um educador e médico, com a comparação a um estupro, e ainda perguntando se nesse caso ela iria querer um “KY” ou “no seco mesmo”, banalizando um crime hediondo com abordagem jocosa que merece a repulsa geral da sociedade. A aula estava sendo filmada e a gravação do episódio viralizou nas redes sociais, onde proliferam manifestações de indignação por tal conduta. Como se sabe, ontem era o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, e no Brasil a média aterrorizante é de um estupro a cada oito minutos.

Hoje, o Sindmepa divulgou nota de repúdio ao professor, que é cirurgião geral e docente dos cursos de Medicina também na Universidade Federal do Pará e na Universidade Estadual do Pará, além de membro da Câmara Técnica de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina e diretor técnico da Clínica Unigastro Pará. Leiam a nota na íntegra:

“O Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa) vem a público manifestar seu completo repúdio ante ao comportamento do docente do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (UNIFAMAZ), que demonstra total falta de respeito e empatia com um problema tão grave presente na sociedade brasileira nos dias atuais, que é a violência contra a mulher.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 mostram que foram registrados em média 180 estupros por dia no Brasil, em 2018. O mesmo levantamento aponta que quatro meninas são estupradas por hora no País, uma estatística que nos choca a todos, lançando sobre nosso país uma mancha que precisa ser extirpada. E não se pode admitir que um docente não se sensibilize com essa situação. Nossa solidariedade à estudante de medicina agredida com as palavras do professor e a todas as mulheres vítimas de violência em nosso País.”

Por sua vez, o Conselho Regional de Medicina do Pará se posicionou publicamente, hoje, informando que abriu procedimento administrativo para apurar os fatos. Confiram na imagem a nota do CRM-PA e o vídeo mostrando a cena.

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