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Júri condena Delsão a 12 anos


Foto: Dominik Giusti/ G1
O fazendeiro Décio José Barroso Nunes, o Delsão, acaba de ser condenado a 12 anos de prisão, como mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, em Rondon do Pará, há 14 anos.

O julgamento, na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, começou hoje às 8h da manhã, presidido pelo juiz Raimundo Moisés Alves Flexa. Na acusação, atuou o promotor de justiça Fraklin Lobato Prado, que teve como assistentes os advogados João Batista, da Comissão Pastoral da Terra, Ana Claudia Lins e Marco Apolo, da Sociedade de Defesa de Direitos Humanos, e Fernando Prioster, da ong Terra de Direitos. 

A primeira depoente foi a viúva de Dezinho, Maria Joel, também ameaçada de morte. Ela falou sobre as condições de trabalho na fazenda do acusado e contou que muitos trabalhadores iam até o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon do Pará denunciar trabalho escravo. Relatou que quem reclamasse do pagamento e dos salários atrasados entrava na “lista negra” de Décio para morrer. Disse, ainda, que na fazenda havia um lago com jacarés, onde os corpos dos trabalhadores mortos eram jogados. Um dos momentos mais impressionantes foi o depoimento de Francisco Martins Filho, que está sob proteção do Programa de Apoio à Testemunhas do governo federal (Provita). Ele compareceu encapuzado e acompanhado por dois PMs responsáveis por sua segurança. O depoente informou ser irmão de Pedro, um pistoleiro que já teria executado outras pessoas a mando do réu.  Delsão alegou inocência, admitiu que conhecia Pedro, afirmou que nem sabia quem era Dezinho, mas não convenceu os jurados. O juiz citou Martin Luther King ao anunciar a pena: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à Justiça em todo lugar.”

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