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Jatene vai depor à Comissão da Verdade

Foto:Antonio Silva
A Comissão Estadual da Verdade, representada pelos seus membros titulares Egydio Salles Filho(presidente), deputado Carlos Bordalo, Paulo Fonteles Filho, Renato Marques Neto e Franssinete Florenzano, além da secretária executiva Angelina Anjos, conversou com o governador Simão Jatene, hoje de manhã, em audiência em seu gabinete no Hangar. Foi exposto o andamento dos trabalhos, além das questões administrativas e demandas para o bom funcionamento da Comissão, como a cessão de um espaço adequado e equipado. Na ocasião, o governador Simão Jatene foi convidado e aceitou prestar depoimento acerca do que vivenciou durante a ditadura militar, a memória das passeatas de 1978 em Belém, e o “Happening”. Emocionado, Jatene relembrou alguns episódios do tempo da universidade, enfatizando as contradições da censura imposta pelo regime, e chegou a cantarolar uma música que fez para Che Guevara, entoada durante o Festival Latino-Americano de Teatro Universitário, na Colômbia. “Eu nada mais fui do que um cantador que não escolhe o seu cantar e canta o mundo que viu, foi só o que eu fiz” disse o governador, os olhos marejados. 


Jatene recordou o espetáculo  ‘Happening’ – o primeiro do grupo Experiência, dirigido pelo ator e Geraldo Salles – que estreou em 1971, foi uma mobilização intensa e lotou o Theatro da Paz, talvez a primeira vez em que um grupo alternativo enchia o lugar. 


No “Happening”, contou, aconteceu a incrível história do único compositor que teve uma música censurada, mesmo sem letra. Jatene compôs a tal música, que era para o encerramento do espetáculo. Começou que, no enredo, havia o nascimento, o mundo, e a volta para o ventre da mãe, porque ninguém gostava do que via. A ideia era que todo mundo ficasse nu (remetia a “Hair”), mas a Polícia Federal não permitiu, claro, então fizeram com que vestissem malha. Na cena de volta ao ventre houve um solo de guitarra de Bob Freitas, “uma coisa muito doída”, segundo Jatene. 


Na época, todos os espetáculos tinham uma pré-estreia para a censura. E quando o censor ouviu a música de Jatene sentenciou: “aquela música, essa música não serve para o final”. Aí foi uma confusão danada. Tinham ficado um tempão bolando, argumentaram que não tinha letra. “Mas no fundo ela diz algumas coisas que não devia dizer”, rebatiam os censores. Afinal, a Lei de Segurança Nacional falava de “estados mentais”. Não houve jeito, enfim, cortaram. Mas eram tão brilhantes, recorda Jatene, que deixaram “Para Lennon e McCartney”, a música de Mílton Nascimento que diz (e cantarolou): “Porque vocês não sabem do lixo ocidental?/ Não precisam mais temer/ Não precisam da solidão/ Todo dia é dia de viver/ Por que você não verá meu lado ocidental? Não precisa medo não/ Não precisa da timidez/ Todo dia é dia de viver/Eu sou da América do Sul/ Eu sei, vocês não vão saber/Mas agora sou cowboy/Sou do ouro, eu sou vocês/ Sou do mundo, sou Minas Gerais.”


Jatene fez outro relato engraçado: dizendo-se “um canastrão no teatro”, foi representar o Pará no Festival Latino-Americano de Teatro Universitário, na Colômbia, o Brasil com 2 peças, uma delas “A Pena e a Lei, de Ariano Suassuna, para a qual compôs a trilha musical e, como era diretor dela, tinha que assistir a todos os ensaios. Só que, cerca de dez dias antes, um dos atores teve um problema e não podia mais viajar. O processo para liberar a viagem era longo e penoso, então não havia alternativa. Teve que tirar a barba, cortar o cabelo (na época era cabeludo e barbudo, mostrou a foto para comprovar), e assumir o papel. Foi uma coisa dramática, diz. A inserção era muito pequena. O papel era de um matuto que entrava puxando um carneirinho e o Cláudio Barradas era o policial que vinha e batia nele. Só que Jatene errava muito a cena e tinha que repetir várias vezes e por isso acabou apanhando um bocado de Barradas. 

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