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Impunidade grassa na área onde jornalista e indigenista sumiram

Continuam as buscas ao indigenista Bruno Pereira, 41, e ao jornalista inglês Dom Phillips, 57, desaparecidos desde o dia 05 de junho, na Terra Indígena Vale do Javari, no extremo oeste do estado do Amazonas, tríplice fronteira entre Peru, Colômbia e Brasil. A Polícia Federal encontrou na sexta-feira, 10, material orgânico aparentemente humano, próximo ao porto de Atalaia do Norte, que ainda está sendo periciado pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF, que também está analisando as amostras de sangue descobertas na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, cuja prisão temporária foi decretada na quinta-feira, 9, além de uma mochila, documentos e um par de sandálias pertencentes à dupla. O material estava amarrado em uma árvore, em área de igapó, terreno de mata alagada.

A região na qual Bruno e Dom Phillips sumiram é uma área vulnerável a inúmeros crimes, e sem proteção territorial. Em setembro de 2019 o colaborador da Funai Maxciel Pereira dos Santos, que trabalhava para a Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari, foi assassinado a tiros em Tabatinga, sem que o crime tenha sido devidamente apurado. Até hoje os criminosos não foram identificados, julgados e muito menos punidos. As Bases de Proteção Etnoambiental na Terra Indígena Vale do Javari são alvo recorrente de ataques de invasores, existindo ao menos oito episódios registrados de uso de violência armada contra servidores e indígenas, desde 2018.

A impunidade vem estimulando atentados à vida de indígenas e de servidores públicos e aumentando ainda mais a vulnerabilidade dos povos indígenas isolados e de recente contato.

Centenas de indígenas do Vale do Javari marcharam, hoje (13) de manhã em Atalaia do Norte (AM), pedindo justiça para o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips.

Os processos de exploração minerária em TIs da Amazônia cresceram 91% desde 2019. É no Pará onde está a maioria dos processos minerários em terras indígenas que avançaram nos últimos dois anos. A Terra Indígena Kayapó é a mais impactada, seguida pela terra Sawré Muybu, dos Munduruku, o território indígena mais afetado por processos minerários na década: mais de 14% de todos os requerimentos que passaram por áreas indígenas na Amazônia. Foram 97 processos visando sobretudo jazidas de ouro, cobre e diamante, e, em menor quantidade, de cassiterita e cascalho.

O abandono e desproteção da TI Vale do Javari e seus povos que vivem sob ameaça permanente do narcotráfico, de madeireiros, garimpeiros e pescadores ilegais que atuam livremente criou uma situação surreal na qual o presidente da Funai chegou a sugerir que o jornalista e o indigenista “cometeram o erro de entrar na reserva indígena controlada pelo crime organizado”.

De janeiro a maio deste ano, nada menos que seis vezes a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) oficiou ao Ministério Público Federal do Amazonas, à Polícia Federal, à Força Nacional de Segurança Pública e à Funai, denunciando invasões de pescadores armados, ataques com tiros a indígenas, além da saída de pesca e caça ilegal, e o crescente clima de tensão na área. Os ofícios detalham nomes, apelidos, embarcações e ponto de atuação dos invasores. Mas nada foi feito.

Confiram a nota da PF e parte dos ofícios da Univaja.

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