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Flora ameaçada de extinção no Território Xingu

Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) esquadrinharam a região da Volta Grande do Rio Xingu à procura das espécies Pau-cravo (Dicypellium caryophyllaceum); Acapu (Vouacapoua americana Aubl) e Jutaí (Hymenaea parvifolia Huber), durante a 1ª Expedição da Flora Ameaçada de Extinção, de 17 a 28 de outubro, nos municípios de Altamira, Vitória do Xingu, Senador José Porfírio e Brasil Novo. Os resultados da investigação científica serão essenciais para elaborar listas de espécies ameaçadas de extinção, nos âmbitos regional e nacional.

Os três alvos da investigação foram registrados em diferentes locais na região da Volta Grande do Rio Xingu, tanto na margem esquerda quanto na direita. Dessas espécies, o Acapu e o Jutaí têm expressiva ocorrência na região, enquanto o Pau-Cravo ocorre de forma isolada na margem esquerda.

O Pará, por meio do Ideflor-Bio, é um dos estados selecionados para executar em seu território o Plano de Ação para a Conservação Territorial do Território Xingu e do Território Meio Norte – este em parceria com o Maranhão e Tocantins.

Na expedição foi realizado um protocolo de registro, que incluiu medidas de circunferência das árvores (a 1,30 m do solo) e altura total, o que possibilitará análises da estrutura horizontal e biomassa. As árvores foram identificadas com plaquetas numeradas e mapeadas em suas coordenadas geográficas. Nas próximas expedições serão montadas parcelas permanentes no entorno das populações registradas, de modo que se conheçam os atributos de composição florística e a estrutura de vegetação da floresta que abriga tais espécies ameaçadas. A expectativa é que novas expedições viabilizem, ainda, descobertas de outros locais de ocorrência destas espécies, o que amplia os esforços de conservação a que se propõe o estudo”, explica Dário Dantas, pesquisador do Museu Goeldi.

Encontrar Pau-cravo em seu ambiente natural em Altamira, que não havia sido inventariado na época do projeto de salvamento de espécies prioritárias atingidas pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, é uma esperança para o resgate da diversidade genética da espécie. Apenas mais duas ocorrências naturais haviam sido identificadas também por pesquisadores do Museu Goeldi. “Temos o desafio de reproduzir indivíduos de todas as populações conhecidas, promover a diversidade genética e assegurar minimamente a preservação da espécie”, evidencia a pesquisadora Ely Simone Gurgel, também do MPEG.

“Foram muito inspiradoras as reuniões e os contatos com parceiros do Ideflor-Bio, Universidade Federal do Pará (UFPA), UNYLEYA (voltada à educação digital), Funai, Norte Energia, Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Vitória do Xingu, além de proprietários rurais que nos receberam muito bem e permitiram os levantamentos em suas propriedades. Acredito que, junto com esses novos parceiros, vamos alcançar com muito sucesso as metas de conservação para as espécies ameaçadas do Território do Xingu”, informa Renata Emin, presidente do Instituto Bicho D’Água, que assessora a coordenação do PAT Xingu.

O Projeto “GEF Pró-espécies: Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas” é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e financiado pelo Global Environment Facility (GEF). A agência implementadora é o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), enquanto a WWF-Brasil é a agência executora do Pró-Espécies.

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