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Festival de Ópera do Theatro da Paz é dedicado a Ariano Suassuna

 Denis Sedov (Mefistofele) e Fernando Portari (Fausto). Foto: Eliseu Dias
Adriane Queiroz arrasando como Margarida. Foto: Rodolfo Oliveira
Mefistofele”,
de Arrigo Boito, abriu em grande estilo, ontem, o Festival de Ópera do Theatro
da Paz de 2014. Antes, foi exibido um vídeo – dedicando a temporada em memória
de Ariano Suassuna -, que mostrou o grande dramaturgo, romancista, ensaísta e
poeta falando sobre o maestro Waldemar Henrique, ícone da música parauara. Bela
iniciativa do secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves, e do diretor geral
do Festival, Gilberto Chaves, muito aplaudida pelo público que lotou o teatro.
A
soprano Adriane Queiroz, diva paraense que brilha na Europa, seduziu a plateia
interpretando Margarida, nessa montagem de “Mefistofele” que é a primeira nos
últimos 50 anos no Brasil. Baseada na obra do alemão Wolfgang von Goethe, remete
à história do estudioso Dr. Fausto, cuja consciência de um ser menor, limitado,
obcecado pela falta de plenitude e pela melancolia, sente a ausência mais
presente do que a própria presença – ele é um cientista renomado, que tem o
respeito de todos e conhece a Filosofia, a Medicina, a Jurisprudência e a
Teologia, mas nenhuma dessas qualidades ameniza a ausência do saber, de fé ou, ainda, de ânimo que ele não consegue superar. O doutor é um homem que aparece
com a cabeça pesada de tanto pensar, voltada para baixo, com os olhos fixos no
chão. E é também de baixo que Fausto terá a ilusória ajuda, pois Mefistofele,
o demônio, virá em seu socorro enquanto correr a aposta feita com o Altíssimo e
o contrato feito com o próprio Fausto, selado com sangue.
A
história do Dr. Fausto vem da tradição oral alemã e remonta à trajetória de um
doutor que teria vivido na Alemanha entre 1470 e 1510, contemporâneo de Nostradamus
e Paracelsus. Observada a tradição de domínio da Igreja Católica em tempos de
Inquisição, o doutor Fausto, que na realidade se chamava Johann, era acusado de
ter um pacto com o demônio, já que estudos de magia e astrologia eram
considerados heresia.
A
transmissão da história de Fausto foi de geração em
geração, e tamanha repercussão se verifica na recepção da publicação da “História
do Doutor Fausto
“, que teve dezessete edições num período em que o livro,
caríssimo, era privilégio da burguesia e do clero. Talvez pela impressão de
algum editor que editou brochuras como os cheap
books
ingleses, esses livros chegaram a um maior público na época.
Goethe
era criança quando se impressionou com o que ouvia sobre Fausto e levou
sessenta longos anos para escrever Fausto I e II. Como o assunto fáustico
já era conhecido e difundido na Alemanha e na Inglaterra na Idade Média, foi de
lá a primeira versão literária do Fausto, quando Christopher Marlowe encenou a
peça para o teatro e logo sua companhia foi excursionar pela Alemanha.
O
Fausto goethiano surgiu em 1772 sob nome de Urfaust
– Fausto original, em alemão, e Fausto Zero, como ficou conhecido pela tradução
encenada no Brasil – e depois Faust Ein
Fragment
em 1790, que Goethe trabalhou até 1832, pouco antes de sua morte, ano em que postumamente foi
publicado o
Fausto II.
A
ausência de plenitude que a priori leva o Fausto literário e idealizado à
aliança com Mefistofele não o separa, salvo pela questão do pacto, das
ansiedades do homem real do século XXI. Passados duzentos anos de sua publicação,
a obra de Goethe continua atual e nela é possível vislumbrar o homem de hoje.
O
russo Denis Sedov (baixo) interpreta com maestria Mefistofele. E o tenor brasileiro
Fernando Portari vive Fausto com primor. A soprano Maíra Lautert, que faz
Helena de Troia, e a mezzo-sopano Celine Imbert (Marta/ Pantalis), estão
impecáveis.
A Orquestra
Sinfônica do Theatro da Paz, regida pelo maestro titular, o paraense Miguel
Campos Neto, é um espetáculo à parte. O coro do festival tem a marca de
excelência da regência do maestro Vanildo Monteiro. Conforme dito pelo diretor
geral e artístico do festival, Gilberto Chaves, e pelo diretor artístico Mauro
Wrona, a encenação de Caetano Vilela é “audaciosa, moderna, com elementos contemporâneos e fora
do tradicional, para buscar o sentido da obra de Goethe, evidenciando a
emocionalidade da música e com um final arrepiante”.
Centenas de artistas e técnicos, tanto no palco quanto nos bastidores, trabalharam, ininterruptamente, e durante o ano inteiro, para apresentar à plateia paraense este momento único que a magia das óperas representa, aqui e nos demais centros culturais do País e do mundo“, acentuou o secretário Paulo Chaves.

“Um grande passeio pelo século XIX e pelo século XX é o que nos espera no Theatro da Paz, no XIII Festival de Ópera. (…) Onde está a grandeza ou a pequenez dos seres humanos quando escrevem a sua história? Seja a história oficial, seja a história pessoal? Qual a melhor versão? Essa não deve ser a preocupação do artista, mas sua arte pode representar a visão que ele tem do mundo em que vive, como teve Goethe ao escrever Fausto, que inspirou a ópera Mefistofele, composta pelo italiano Arrigo Boito, e que estreou em 1868, causando tanta revolta na plateia que o Teatro Scalla de Milão lhe fechou as portas. Arrigo Boito era inquieto integrante do movimento chamado Scapligliatura, um agitador idealista que se rebelava com as correntes estéticas tradicionais, rompia com as convenções da ópera e ofendia a plateia. Foi um escândalo, na época, há mais de 150 anos. O espetáculo foi revisado pelo compositor e hoje é considerado um dos mais belos da ópera romântica italiana“, resumiu o governador Simão Jatene, ao apresentar o programa do Festival.


Haverá mais duas récitas de Mefistofele, nesta quinta-feira (7) e sábado (9),
sempre às 20h. Não percam.

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