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Fafá de Belém e o Fado Tropical

Fotos: Tamara Saré
Teve “Fado Tropical”, claro, de Chico Buarque e Ruy Guerra, a mais perfeita comparação poético-cultural entre Portugal e Brasil, composta em 1973, em plena ditadura fascista de Marcelo Caetano e o regime militar no Brasil. A música, de letra longa e rica, entremeada pelo soneto declamado, com a Revolução dos Cravos foi considerada subversiva e ameaçadora para os poderosos das nossas bandas. E também “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso, a música então proibida, que foi transmitida em Portugal pelas rádios aos vinte minutos daquele 25 de abril de 1974, o sinal combinado para o início do levante que depôs o regime salazarista, marco da liberdade. Fafá de Belém, musa das “Diretas Já” aos 27 aninhos, continua sendo um ícone em defesa do que acredita e prega, como a não divisão do Pará, no que foi estrondosamente aplaudida.

O show começou com um solo magnífico de Sebastião Tapajós, depois a banda o acompanhou numa guitarrada sensacional de seu último CD, veio o Trio Manari com o Boi do Marajó e aí Fafá adentrou com “Azulão“, letra de Manuel Bandeira e melodia de Jayme Ovalle, que quase ninguém sabe que era paraense. Fafá contou um pouco de sua história e do porquê de seu ostracismo: era amigo de Antônio Lemos, e foi tão injustiçado quanto o intendente humilhado e escorraçado de Belém que hoje é reconhecido como um homem à frente de sua época, o “maior administrador municipal dos últimos tempos”. “Azulão” é linda. Aliás, no “Itinerário de Pasárgada”, Bandeira assim fala da relação entre a poesia e a música: “Cedo compreendi que o bom fraseado não é o fraseado redondo, mas aquele em que cada palavra está no seu lugar exato e cada palavra tem uma função precisa, de caráter intelectivo ou puramente musical, e não serve senão a palavras cujos fonemas fazem vibrar cada parcela da frase por suas ressonâncias anteriores e posteriores.”

Fafá cantou e encantou com a doce “Tamba-Tajá” e a divertida “Uirapuru“, do maestro Waldemar Henrique. Explicou sobre a concepção do espetáculo e chamou os músicos portugueses Nuno Miguel Botelho e Hugo Filipe Gamboias, que executaram lindas peças de fado com guitarra portuguesa e violão. O maestro e multi-instrumentista Luiz Pardal, também diretor do show, fez um duo sublime de gaita e sax com Esdras de Souza.

Generosa, Fafá de Belém fez a apresentação de sua convidada Gabriella Florenzano, que cantou “Boi Bumbá” e “Uirapuru“, de Waldemar Henrique, e “Um Poema de Amor“, do maestro Wilson Fonseca, o Isoca.  Impressionante como a plateia conhecia a música e cantou junto a icônica canção, que é uma espécie de hino de Santarém do Pará.  Mais tarde, Gabriella voltou ao palco para o bis, com “Foi Assim“, de Paulo André Barata, marca registrada de Fafá, em dueto. Eu sou suspeita para falar, mas que foi lindo, foi.

A apresentação dos consagrados Wagner Tiso(Piano), Cristóvão Bastos(Piano) e Márcio Malard(Violoncelo) foi um show à parte. Belíssima!

Manoel Cordeiro (o pai) arrebatou a plateia do Theatro da Paz completamente lotado com a sua guitarrada, fazendo a “Conexão Amazônia Caribe”. A banda, com Pardal(Teclado/Harmônica/Bandolim), Adelbert Carneiro(Baixo), Trio Manari(Percussão), Esdras de Souza(Sax/Flauta) e Davi Amorim (Guitarra).

Não se tem registro em Belém de um show assim tão eclético e com uma verdadeira constelação de estrelas de primeira grandeza da música brasileira, com renome internacional. Tudo foi transmitido ao vivo pelo Portal Cultura. Ficou um gosto de quero mais. Era para ser só um e foram dois, a pedidos. Quem sabe um dia? Confiram as fotos.

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