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Esplendor e derrocada: Belém 400 anos

A esplendorosa escadaria da loja Paris N’América
Belém do Pará, a poucos dias dos seus 400 anos, continua com barracas de comida e de camelôs (e também de lojistas), placas, faixas de propaganda, lixo e uma infinidade de entulhos que tornam imunda a cidade e impedem a circulação dos pedestres em suas calçadas. Recuperar a história do centro de Belém e os direitos básicos de cidadania seria um presente digno aos seus habitantes e visitantes. 

Em 21 de agosto do ano passado, o prefeito Zenaldo Coutinho anunciou uma comissão para tratar do centro comercial, envolvendo Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Associação Comercial do Pará, Sindilojas, Sebrae e Associação dos Ambulantes do Centro Comercial. Até hoje não se soube de uma só reunião ou providência efetiva. 

Aliás, a desocupação da rua João Alfredo faz parte do projeto da comissão permanente criada em 4 de maio de 2014 para cuidar exclusivamente da situação dos trabalhadores informais e propor intervenções a fim de requalificar e recuperar o centro histórico de Belém para os seus 400 anos. Entre as metas anunciadas, figuravam a construção de calçadões, galerias com entradas e saídas para o fluxo de pessoas, revitalização das praças centrais e espaços de lazer e convívio nos terrenos desocupados. Mas, que nem a Conceição da música de Cauby Peixoto, ninguém sabe, ninguém viu. 

Vale lembrar que foi prometida para o final de junho de 2014 a entrega do shopping popular localizado na rua João Alfredo, com entrada também pela Travessa Campos Sales, de modo a absorver 139 camelôs com conforto e condições dignas de trabalho. Na época, foi anunciada ação conjunta das secretarias municipais de Economia (Secon), Saneamento (Sesan) e Urbanismo (Seurb), além da Guarda Municipal, de forma a cumprir o Código de Posturas do Munícipio e garantir o direito constitucional de ir e vir dos cidadãos. Até hoje tudo e todos continuam no mesmíssimo lugar e o direito constitucional – que também é elencado entre os direitos do homem e do cidadão – desrespeitado.

Enquanto a imundície e o caos se eternizaram no antigo belo Centro, joias da arquitetura como a loja Paris N’América, edificação datada de 1870 que simboliza o esplendor do ciclo da borracha, a Belle Époque Amazônida, inspirada nas Galeries Lafayette, tombada como patrimônio histórico, artístico e cultural municipal e inscrita na categoria de Preservação Integral, com vidros em cristal belga nas janelas e o piso decorado em lajota hidráulica alemã, desaparecem em meio à balbúrdia que obriga as pessoas a disputarem a rua com carros de todos os tamanhos, com risco óbvio de morte.

E pensar que antigamente as lojas do bairro da Campina exibiam, divulgavam e comercializavam obras de arte, cedendo seus espaços ou organizando mostras! Na João Alfredo, por exemplo, um prédio em arquitetura mourisca abrigou a Livraria Universal Tavares Cardoso, que durante muito tempo realizou exposições, como a do pintor italiano Domenico De Angelis, em 1888; a do espanhol Francisco Estrada, em 1908; a do pintor russo Demetrio Ribcowsky em 1910, e a do retrato de Floriano Peixoto feito pelo professor de Dresde, Martin Schumam, em 1912.
Estrada, inclusive, foi um dos pintores que mais circulou com suas obras entre os estabelecimentos comerciais. Em 1897 expôs na Fotografia Fidanza; em 1899 na Paris N’América e em 1897, 1900, 1907 na Loja Filial. O pintor expôs ainda em sua residência, no ano de 1900, e, em 1911, no Teatro da Paz.
A Loja Filial, por sinal, recebeu várias exposições, entre as quais da aquarelista francesa Louise Blaise, em 1900 e em 1902; do paraense Francisco Escobar de Almeida em 1901; de José Girad, Maurice Blaise e Roberto Colin em 1903; e a do pintor paraense Theodoro Braga em 1907. Já a Fotografia Fidanza recebeu a exposição do pintor maranhense Luiz Luz em 1884, além de montar suas próprias mostras com quadros de diversos artistas estrangeiros adquiridos pelos donos do estabelecimento para exposição e venda. A loja de instrumentos musicais Mina Musical, na Praça Visconde do Rio Branco, abrigou a exposição da pintora e escultora paraense Julieta de França, em 1898. 

Assistiremos de braços cruzados a derrocada?

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