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Em uma eleição histórica, a cientista climática Claudia Sheinbaum foi eleita presidente do México. Nascida em 24 de junho de 1962, é engenheira física, mestra e doutora em engenharia energética, considerada uma das principais especialistas em questões relacionadas ao meio ambiente e à energia do mundo. Entre 1991 e 1994, durante sua pesquisa para sua tese de doutorado no Lawrence Berkeley National Laboratory, na Califórnia, ela focou na análise do uso de energia no setor de transporte mexicano e publicou estudos importantes sobre as tendências do consumo energético em edificações no México, influenciando políticas públicas na área de energia. Em 1995, Sheinbaum ingressou, como pesquisadora, no Instituto de Engenharia da Universidad Nacional Autónoma de México. É membro do Sistema Nacional de Investigadores e da Academia Mexicana de Ciências, e foi premiada como a melhor jovem pesquisadora da UNAM em engenharia e inovação tecnológica em 1999. Em 2007, integrou-se ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, contribuindo como coautora do relatório sobre “Mitigação das Mudanças Climáticas” para o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC. O trabalho do grupo foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz naquele ano. Em 2013, ela continuou sua colaboração com o IPCC, coautorizando o Quinto Relatório de Avaliação ao lado de onze outros especialistas na área industrial.

De origem judaica – com posicionamento pró-Palestina – num país maioritariamente católico, Sheinbaum se descreve como uma filha do movimento estudantil de 1968, pois seus pais eram participantes ativos. Quando tinha seis anos, vivenciou o Massacre de Tlatelolco, uma repressão militar brutal contra os estudantes pelo governo do Partido Revolucionário Institucional (PRI). Ainda jovem, Sheinbaum apoiou o movimento liderado por Rosario Ibarra de Piedra, uma mãe em busca de seu filho desaparecido durante a “guerra suja” no México dos anos 70, um período de perseguição contra as bases de apoio da guerrilha “Liga 23 de Setembro” que resultou em pelo menos seiscentos desaparecimentos.

A carreira política da primeira presidenta mexicana começou efetivamente como militante estudantil. Sheinbaum liderou a segunda greve mais significativa da UNAM desde 1988, sendo membro do Conselho Estudantil Universitário (CEU), que fazia parte do setor juvenil do Partido da Revolução Democrática (PRD) e que lutava por educação gratuita e acessível para todos. Foi durante essa greve que seu nome apareceu pela primeira vez na mídia mexicana. Nos anos 2000 ocupou a sua primeira função na administração publica, como secretária do Meio Ambiente da Cidade do México durante a gestão de Andrés Manuel López Obrador como prefeito, promovendo várias iniciativas de mobilidade urbana e sustentabilidade como a implementação de ciclovias e ônibus de baixa emissão. Em 2018, foi eleita prefeita da Cidade do México, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo e marcando sua administração pelo compromisso com causas sociais e ambientais e pela abordagem científica para a resolução de problemas urbanos, especialmente durante a pandemia de COVID-19.

Além da impressionante carreira acadêmica e política, Sheinbaum foi bailarina desde a infância, porém na adolescência teve que escolher entre o balé e a universidade. Na UNAM, fez parte da equipe de remo olímpico.

A bailarina, atleta, cientista e política, que faz parte do partido de esquerda Morena, assim como seu mentor López Obrador, assume a presidência com a maioria no Congresso. Sua eleição é vista como um passo significativo para a continuidade das políticas iniciadas por seu antecessor. Como presidenta, enfrentará desafios como a violência dos cartéis e as relações internacionais, especialmente com os Estados Unidos. De acordo com os resultados preliminares, divulgados pelo Instituto Nacional Eleitoral do México, Sheinbaum pode ter alcançado até 60,7% dos votos, enquanto sua adversária Xóchitl Gálvez ficou entre 26,6% e 28,6%. Esta foi a maior eleição da história do México, tanto pelo número de eleitores quanto pelo número de cargos em disputa, e emblemática, com duas mulheres competindo pela presidência, algo inédito no país.

“Ter uma mulher na presidência do México hoje é uma prova de que o país mudou muito”, afirmou Sheinbaum em entrevista à Red Latinoamérica. “Mudamos de ser um dos países mais machistas, com um histórico de violência contra as mulheres, para sermos o primeiro país da América do Norte a ter uma presidenta mulher”. Em um comício em Oaxaca, uma frase dita por uma eleitora deixou Sheinbaum profundamente emocionada: “Ela me disse: ‘Você é o sonho não realizado das nossas avós'”. Sheinbaum refletiu: “Eu não chego aqui sozinha, chegamos com todas as nossas ancestrais e nossas filhas. E não apenas por ser mulher, mas por ser uma mulher que trabalha para avançar os direitos do povo e das próprias mulheres”.

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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